Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
NAMORAR PRA QUÊ?

Solteiro por escolha: por que a solteirice virou estilo de vida, segundo Maria Homem

Pesquisa do happn mostra que 79% dos solteiros definem seu status como uma decisão consciente; para a psicanalista, o relacionamento deixou de ser obrigação e passou a exigir novos pactos

Maria Homem de pé em um fundo colorido com quadros
Maria Homem, psicanalista e professora de psicologia da FAAP - Imagem: Maressa Andrioli/Divulgação

Se relacionar é algo complexo”, explica a psicanalista Maria Homem. “Conhecer o outro dá trabalho. Mexe com a intimidade, implica auto e heteroconhecimento. O outro atrita e revela sobre a gente. Pode ser muito bom, muito rico, muito incrível... ou o inferno sobre a terra”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Neste Dia dos Namorados, a fala da pesquisadora e professora de psicologia da FAAP ajuda a explicar por que estar solteiro deixou de ser, para muita gente, sinônimo de fracasso. Pelo contrário: hoje, a “solteirice” passa a ser entendida como escolha — e, em alguns casos, estilo de vida.

É o que mostra uma pesquisa recente do aplicativo de relacionamentos happn. Segundo o levantamento, 79% dos solteiros definem seu status como uma escolha consciente.

Embora a maioria permaneça aberta ao amor (60% dizem que ainda querem se relacionar), os dados apontam para uma mudança importante: os solteiros já não estão dispostos a aceitar qualquer coisa.

"Rejeição” ao amor?

Para a psicanalista Maria Homem, indivíduo parou de idealizar a relação amorosa como condição obrigatória de realização pessoal. Dessa forma, os solteiros passam a se perguntar se aquela relação de fato torna a vida mais leve — ou se pesa mais do que a própria solitude.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“No passado, não estar em uma relação nos colocava em um lugar de castração, de falência, de fracasso - sobretudo para a mulher, que precisava estar em um lugar de complementaridade com um homem para ter alguma dignidade. Agora, essa narrativa não cola mais, e podemos nos perguntar: ‘Quem sou eu? O que eu gosto? O que me realiza? Eu gosto de viver com alguém? De partilhar meu espaço? É como se fosse uma certa vitória do paradigma individualista”, explicou a pesquisadora ao Seu Dinheiro Lifestyle.

Leia Também

AMOR ANALÓGICO

Fadiga dos apps de relacionamento revive agências de namoro no Brasil; serviço custa mais de R$ 3 mil

ESTRELADOS

Dia dos Namorados: quanto custa comer em um restaurante com estrela Michelin no Brasil?

psicanalista sentada em sofá laranja na sala de estar de casa
Maria Homem - Imagem: Maressa Andrioli/Divulgação

Os dados apontam nessa mesma direção

De acordo com a pesquisa do happn, 44% dos usuários veem a solteirice como um estilo de vida empoderado e realizador, sentimento que se fortalece ainda mais com a idade. O mesmo percentual afirma que só entraria em um relacionamento se ele tornasse suas vidas “mais leves e livres de pressão”.

A rejeição ao relacionamento como obrigação não significa, necessariamente, uma rejeição ao amor - mas sim, que os critérios mudaram. Se o vínculo pesa mais do que soma, a solteirice pode parecer não apenas aceitável, mas desejável.

“Na prática, há muitas relações que são chatas, enganadoras, traidoras, tóxicas. Carregar isso pode ser mais pesado do que ter a sua vida, a sua casa, os seus amigos, os seus prazeres”, afirma Maria Homem.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Esse movimento, no entanto, não se trata de uma tendência de comportamento ou de uma mudança geracional isolada. Segundo a professora, ele faz parte de uma transformação histórica na forma como a sociedade enxerga o amor, o casamento, a autonomia individual e os vínculos.

Afinal, quando inflamos o ideal romântico?

Nem sempre o relacionamento foi visto como um projeto afetivo. Maria Homem lembra que, por milênios, o casamento esteve ligado à organização da vida social. Em vez de nascer da escolha amorosa, ele servia à formação de famílias, à reprodução e à criação de alianças entre clãs, classes e grupos de interesse.

“A gente começa a romper esse paradigma na modernidade, com a invenção do sujeito individual, consciente, moderno, que tem sua vontade, autoanálise, livre-arbítrio e uma ética liberal. O liberalismo não é só econômico e nem político: ele também é subjetivo. É o que Kant depois chamou de liberdade e autonomia no século 18. A gente vai pensar o que quer fazer da própria vida de acordo com o que acha interessante para si mesmo.”

Nesse sentido, o amor romântico nasce junto da valorização da autonomia individual. A questão é que, ao longo do tempo, começamos a hiperidealizar esse elo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Com a invenção das culturas de massa, com os meios de comunicação — não só a imprensa, mas sobretudo os folhetins dos séculos XVIII e XIX, e depois o cinema —, a gente tem uma romantização do vínculo do casamento e do namoro. Há uma fetichização desse laço. E aí colocamos todos os pedaços da nossa vida como tendo que ser satisfeitos e preenchidos pelo objeto amoroso.”

maria homem em pé olhando para câmera; cabelos castanhos e olhos verdes
"Inflamos o ideal do amor, do parceiro amoroso e do elo", afirma Maria Homem

Uma exigência impossível

Se antes o casamento respondia a uma necessidade social, o amor romântico passou a carregar uma promessa maior: a de suprir todas as expectativas do outro.

“Tem que ter um sexo incrível, uma troca espiritual e intelectual maravilhosa, ser um bom pai ou uma boa mãe de família. E hoje, no século 21, temos um pedaço a mais disso: a aura imagética, documentada, fotografada, filmada, para servir como produto que apresentamos nos nossos perfis”, explica a psicanalista.

Não por acaso, a busca pela perfeição aparece como um dos maiores obstáculos para iniciar um relacionamento, de acordo com o levantamento do happn.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E embora hoje seja mais fácil conhecer pessoas com os aplicativos de namoro, os solteiros parecem mais cansados diante das possibilidades.

Dados da Forbes Health mostram que 78% dos usuários de aplicativos de relacionamento já se sentiram emocionalmente esgotados nessas plataformas. Entre os motivos estão a dificuldade de estabelecer uma conexão real, a decepção com outras pessoas, a rejeição, as conversas repetitivas com diferentes matches e o hábito constante de deslizar perfis.

Para Maria Homem, isso acontece porque o vínculo real continua exigindo algo que nenhum aplicativo resolve: tempo, atrito, intimidade, negociação e disposição para se relacionar.

Nesse contexto, a pergunta deixa de ser apenas se alguém quer ou não estar em uma relação. Ela passa a ser: que tipo de vínculo ainda faz sentido para a vida que se deseja construir?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para a psicanalista, o ponto central é justamente esse: os pactos deixam de depender de uma norma social única e passam a ser construídos a partir dos acordos possíveis entre cada um.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
ney matogrosso cantando no palco e vários papeis caindo de cima 11 de junho de 2026 - 13:19
Destilaria Don Luchesi recebeu prêmio de Craft Producer of the Year (Produtor Artesanal do Ano) em Londres 11 de junho de 2026 - 10:16
Torcedor brasileiro adulto médio comemorando com paixão e empolgação 11 de junho de 2026 - 9:01
Emily Blunt e Steven Spielberg: destaques em Dia D 11 de junho de 2026 - 8:56
Baía do Sancho, em Fernando de Noronha (PE) 10 de junho de 2026 - 15:40
Confira ideias de presentes para o Dia dos Namorados 10 de junho de 2026 - 10:40
DM/01, primeira safra da série Las Parcelas 10 de junho de 2026 - 9:19
Novo traje interno (à dir.) desenvolvido pela Prada para a NASA, em parceria com a Axiom Space 8 de junho de 2026 - 15:31
Cartaz representando o rock in rio 8 de junho de 2026 - 13:04
Running rave Pacetronik 8 de junho de 2026 - 8:28
seleção brasileira no gramado 7 de junho de 2026 - 10:16
The Mark Hotel em Nova York vai levar seus hóspedes para assistir à final da Copa do Mundo em grande estilo 6 de junho de 2026 - 10:00
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar