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O Grande Museu Egípcio (GEM) reúne 100 mil artefatos faraônicos em um espaço moderno próximo às Pirâmides

Era janeiro de 2002 quando o Egito lançou uma competição internacional para definir o projeto do que viria a ser o Grande Museu Egípcio (GEM, na sigla em inglês). A proposta era construir, a cerca de dois quilômetros das Pirâmides de Gizé, um espaço capaz de abrigar mais de 100 mil artefatos da civilização faraônica.
O projeto tinha uma ambição inédita: reunir em um único espaço cerca de 5 mil objetos encontrados na tumba do rei Tutancâmon desde sua descoberta, em 1922, pelo egiptólogo britânico Howard Carter, no Vale dos Reis.
O concurso foi vencido pelo escritório Heneghan Peng Architects, cuja proposta combinava uma arquitetura contemporânea com a paisagem histórica das pirâmides. As obras começaram em 2005, mas a abertura para o público demorou muito mais do que o previsto.
Entre o início da construção e a chegada dos visitantes, passaram-se duas décadas marcadas por uma sequência de crises: a Primavera Árabe, a queda do turismo, dificuldades de financiamento e, na reta final, a pandemia de covid-19.
Com cerca de 500 mil metros quadrados de área total, o GEM é o maior museu do mundo dedicado a uma única civilização. O complexo abriu as portas ao público em 4 de novembro de 2025.
Desde o início, o GEM foi pensado como uma nova casa para um dos maiores acervos arqueológicos do mundo. Por mais de um século, parte dessa coleção permaneceu no Museu Egípcio do Cairo, inaugurado em 1902.
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Localizado na Praça Tahrir, no centro da capital, o antigo museu guarda peças como a Paleta de Narmer, datada de cerca de 3100 a.C., considerada um dos primeiros registros da unificação do Alto e do Baixo Egito.
Com o passar do tempo, o espaço deixou de atender às demandas de uma coleção cada vez maior. O novo complexo surgiu para melhorar a conservação das peças e criar uma forma moderna de apresentar a história faraônica aos visitantes.

Quando o projeto ainda estava em construção, uma crise política alterou os planos do Egito.
A Primavera Árabe começou na Tunísia, em dezembro de 2010, após Mohamed Bouazizi, um vendedor ambulante, atear fogo ao próprio corpo em protesto contra a apreensão de suas mercadorias e as dificuldades econômicas que enfrentava. Sua morte desencadeou uma onda de manifestações pelo Norte da África e pelo Oriente Médio.
O movimento chegou ao Egito em 2011 e levou milhares de pessoas às ruas do Cairo. Após semanas de protestos, o presidente Hosni Mubarak deixou o poder em fevereiro daquele ano, encerrando quase 30 anos de governo.
A transição política trouxe incerteza ao país. Investimentos diminuíram, grandes projetos perderam ritmo e o governo passou a enfrentar dificuldades para manter uma obra de cerca de US$ 1 bilhão.
O GEM não foi abandonado, mas a construção avançou em ritmo mais lento durante um dos períodos de maior instabilidade política da história recente do Egito.
Crise, financiamento e retomada do projeto
A instabilidade também atingiu o turismo, uma das principais fontes de receita do país. Com a queda no número de visitantes estrangeiros, o Egito precisou buscar apoio internacional para manter grandes projetos em andamento.
O Japão se tornou um dos principais parceiros do GEM por meio de financiamento e ajudou a manter a construção em andamento. As mudanças no cronograma, porém, adiaram a inauguração várias vezes.
Em 2019, antes da pandemia, o Egito recebeu cerca de 13,6 milhões de visitantes estrangeiros, crescimento de 21% em relação ao ano anterior, segundo a Organização Mundial do Turismo (UNWTO).
Quando o projeto parecia próximo da conclusão, porém, uma nova crise atrasou a abertura.
A pandemia que adiou a inauguração
A pandemia de covid-19, declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em março de 2020, chegou quando o museu entrava na fase final, com a preparação das galerias e a montagem das exposições.
O desafio já não era apenas concluir o prédio, mas finalizar a instalação de um complexo criado para receber milhões de visitantes.
As restrições internacionais afetaram a circulação de especialistas, o transporte de equipamentos e a montagem das áreas de exposição. A preparação das peças arqueológicas também precisou seguir um ritmo mais lento.
Depois de anunciar diferentes datas de inauguração ao longo dos anos, o museu precisou esperar novamente até a conclusão das obras.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
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