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Alta do combustível de aviação pressiona empresas aéreas às vésperas do verão europeu; veja quais companhias já cortaram voos

Dias longos e ensolarados, praias paradisíacas e atividades ao ar livre. Mesmo com calor intenso e preços mais caros devido à alta temporada, o verão europeu parece nunca sair de moda. Inclusive, é justamente essa a época em que os residentes da União Europeia mais viajam, segundo relatório da Eurostat. Este ano, porém, a viagem neste período pode se tornar mais complicada – acompanhada de voos reduzidos e passagens mais caras.
Isso porque, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, companhias aéreas já começaram a cancelar voos e rever rotas. O motivo? O temor de uma escassez do querosene de aviação (QAV).
O alerta gira em torno do bloqueio do Estreito de Ormuz, corredor marítimo responsável por escoar 20% do petróleo mundial – e cerca de 30% do combustível de aviação de toda a Europa.
Somado a isso, há também a disparada do preço do petróleo, que afeta diretamente o valor do QAV. Nesta terça-feira (12), o petróleo brent alcançou o patamar de US$ 107 por barril.
Desde o ataque inicial dos Estados Unidos e Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, o preço do combustível de aviação mais do que dobrou, de acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).
Na prática, para o viajante, isso pode significar menos voos disponíveis, além de passagens mais caras para curtir o verão europeu.
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Em abril, a Lufthansa anunciou que cortaria 20 mil voos de curta distância de maio a outubro de 2026. A medida, seguindo comunicado, visa economizar 40 mil toneladas métricas de combustível de aviação.

Além disso, a companhia alemã também removeu temporariamente três rotas de sua programação: voos saindo de Frankfurt para Bydgoszcz e Rzeszów, na Polônia, e para Stavanger, na Noruega.
Já a SAS (Scandinavian Airlines System) reduziu seu cronograma em meio à alta do combustível, cancelando quase 1.200 voos no mês de maio, de acordo com o Copenhagen Post.
Pelo mesmo motivo, a holandesa KLM comunicou que cancelaria 80 voos de ida e volta do Amsterdam Airport Schiphol ao longo do mês de maio. A companhia também segue com operações suspensas para para Dubai, Riad e Dammam até 28 de junho.
O International Airlines Group, dono da British Airways, Iberia e Aer Lingus, afirmou em balanço do primeiro trimestre de 2026 que pretende ajustar tarifas e capacidade operacional para compensar os custos mais altos do querosene. Apesar disso, a empresa não enfrenta risco de abastecimento neste momento, afirmou o CEO do grupo, Luis Gallego, no documento.
Por sua vez, a Ryanair, maior companhia europeia em volume de voos, afirma ter combustível garantido até o fim de maio. Por outro lado, a irlandesa prevê um aumento de preço das passagens aéreas logo após o verão europeu, a fim de compensar a disparada nos custos do querosene de aviação.

Segundo dados da Cirium, ao menos 13 mil voos em todo o mundo foram cancelados em maio. O número equivale a cerca de 2 milhões de assentos (embora represente apenas 2% da capacidade aérea mundial).
A crise de combustível do setor aéreo não se limita à Europa. Na Ásia, o impacto é ainda mais intenso, reportou o jornal The Times.
Por exemplo, as companhias AirAsia e Vietnam Airlines reduziram de 10 a 15% de suas operações em maio para preservar estoques.
Enquanto isso, a Cathay Pacific, de Hong Kong, passou a cobrar sobretaxas de combustível de até R$ 1.000 em voos de longa distância.
Os efeitos da disparada do combustível de aviação também já começaram a aparecer no Brasil — inclusive no bolso do passageiro. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os preços das passagens aéreas subiram 19,4% em março na comparação com o mesmo período de 2025.
Parte dessa pressão vem justamente do avanço no preço do querosene de aviação (QAV), um dos principais custos das companhias aéreas. Nesse cenário, a Petrobras anunciou um reajuste de 18% no preço médio de venda do combustível para distribuidoras a partir de 1º de maio. Segundo a estatal, o aumento ocorre em um “contexto excepcional causado por questões geopolíticas” e representa um acréscimo de R$ 1 por litro em relação ao mês anterior.
Em nota, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou ao Seu Dinheiro que o reajuste anunciado pela estatal (o terceiro desde o início das tensões no Oriente Médio) “eleva em 100% o maior item de custo da aviação comercial” e pode gerar “impactos gravíssimos na conectividade do país”.
A entidade também defendeu que o Brasil teria condições de amortecer parte dos efeitos externos sobre os consumidores, já que toda a produção nacional de querosene de aviação é feita pela Petrobras.
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