O coelho veste Zara: Bad Bunny surpreende especialistas ao optar por gigante de fast fashion em intervalo do Super Bowl
Escolha de gigante espanhola para apresentação histórica, com acenos a panamericanismo, levantou dúvidas e dividiu especialistas

A performance de Bad Bunny no halftime show do Super Bowl LX roubou os holofotes neste domingo (8): de alguns políticos que reagiram às suas mensagens de orgulho panamericano, mas também do universo da moda. Isso porque, uma semana após ganhar três Grammys com um inédito traje masculino pela Schiapaelli, o porto-riquenho se apresentou no show do intervalo usando Zara.
Foram da gigante espanhola os dois looks do cantor latino em sua apresentação histórica. Com styling de seus colaboradores Storm Pablo e Marvin Douglas Linares, os trajes foram compostos completamente em tons off-white.
Por dentro dos looks
O primeiro traje usado pelo cantor levava uma camisa com gravata, coberta por um modelo de camisa esportiva. Nela, o destaque para os bordados "64" (suposta referência ao ano de aprovação da constituição de Porto Rico) e "Ocasio" (sobrenome da mãe de Bad Bunny).
Para o segundo look, Benito adicionou um blazer off-white com abotoamento duplo e um par de luvas creme. No pulso, o modelo escolhido foi um Royal Oak da Audemars Piguet, luxuoso exemplar 37 mm, com caixa em ouro 18 quilates e mostrador em malaquita.
Chamou também a atenção o cordão usado por Bunny na cintura, referência à vestimenta de trabalhadores rurais de Porto Rico.
Nos pés, o cantor estreou seu adidas, o Badbo 1.0.. Collab esportiva que usa camurça creme e cinza, com uma biqueira sem costuras, o tênis começa a ser vendido nesta segunda-feira (9).
Uma surpresa chamada Zara
A decisão de usar Zara tem dividido especialistas e críticos de moda. O motivo gira principalmente em torno do fato de Bad Bunny, um artista porto-riquenho no auge da carreira, poder escolher virtualmente qualquer designer do mundo para a ocasião e optar por vestir uma gigante de fast fashion.
Ao portal Red Carpet Fashion Awards (RCFA), Catherine Kallon escreveu:
"Não estou tomando uma decisão moral sobre o fast fashion. No entanto, existem inúmeros estilistas porto-riquenhos que teriam se beneficiado da visibilidade proporcionada por este momento global. Isso é difícil de ignorar."
Para outros, no entanto, a escolha reflete o poder do próprio estilo pessoal de Bunny. "O blazer branco faria a maioria dos mortais parecerem o Coronel Sanders, ou um membro alvejado de um quarteto de vocalistas, mas em Bad Bunny reflete um estilo inegável, uma imagem orquestrada para rebater críticos", escreve Jacob Gallagher para o The New York Times.
Do ponto de vista da Zara, a aparição no intervalo do Super Bowl marca uma estratégia alinhada com sua presença nos Estados Unidos. O país é, desde 2021, o segundo maior mercado da Inditex, conglomerado dono da label, fora da Espanha.
Com a apresentação de domingo, aliás, a Zara torna-se apenas a segunda marca espanhola a vestir um artista para o intervalo do Super Bowl. A estreia foi da Loewe, responsável pelo traje da apresentação histórica de Rihanna, em 2023.
Orgulho (e preconceito)
A moda, no entanto, passou longe de ser o tema mais divisivo da apresentação. Isso porque, nos Estados Unidos, a performance recordista de audiência do artista irritou alguns políticos conservadores.
Às 135 milhões de pessoas que assistiram seu show, Bad Bunny fez a primeira apresentação totalmente em espanhol do Super Bowl. Como convidados, contou com Ricky Martin e Lady Gaga. Na coreografia, ele aludiu a diversos elementos da cultura latino-americana e convocou bandeiras de diversos países do continente, citando-os nominalmente ao entoar o chamado "God bless America" (“Deus abençoe a América”).
Em um momento de franco endurecimento de políticas anti-imigração nos Estados Unidos, a mensagem foi lida por alguns como provocação.
Dentre os detratores, destacou-se um indignado Donald Trump, que usou suas redes sociais para atacar frontalmente Bad Bunny e a própria organização do Super Bowl.
"Absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência", escreveu Trump em sua postagem.
Na crítica, o presidente americano ainda afirmou que "ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo e a dança é repugnante".
A visão foi endossada por outros políticos americanos, como os republicanos Andy Biggs e Anthony Sabatini, que chegou a pedir a "deportação" de Bad Bunny — que, como porto-riquenho, é também cidadão americano.
Ainda assim, houve celebração à apresentação de Bad Bunny por outra parte dos políticos americanos. Nomes como Gavin Newsom, governador da Califórnia, agradeceu ao músico por usar sua voz na apresentação. Outros representantes a favor do músico incluem Alexandria Ocasio-Cortez e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.
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