John Galliano na Zara: o estilista que redefiniu a alta-costura agora chega ao fast-fashion
Após dois anos de pausa, John Galliano volta à ativa no mundo da moda – dessa vez, assinando coleções sazonais da Zara

John Galliano está de volta. Em hiato desde 2024, o lendário estilista vai voltar ao mundo da moda através de uma collab com ninguém menos que a Zara.
Pois é, depois de ganhar os olhares da transmissão recorde de Bad Bunny para o intervalo do Super Bowl 2026, a gigante do fast-fashion anunciou uma parceria de dois anos com o britânico. O acordo, porém, sinaliza na mesma direção, de propor mais sofisticação às peças da varejista – uma das assinaturas da gestão de Marta Ortega Pérez na presidência da Inditex, dona da Zara.
Na prática, a parceria, anunciada nesta terça-feira (17) envolve a criação de coleções sazonais por um período de dois anos. Ela replica um modelo já adotado anteriormente pela rede europeia, em lançamentos assinados por nomes como Stefano Pilati, Kate Moss e Steven Meisel.
“O senhor Galliano vai trabalhar diretamente com roupas de temporadas anteriores, desconstruindo e as reconfigurando para a nova expressões e criações”, diz o comunicado da empresa espanhola. O teor vai de encontro com uma declaração do próprio estilista que, em entrevista à Vogue durante a Semana de Moda de Paris, contou que estaria revisitando alguns arquivos da Zara.
O primeiro drop de John Galliano para a Zara está previsto para setembro de 2026.
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John Galliano, o estilista que revolucionou a Dior

Formado pela Central Saint Martins, prestigiada escola de design em Londres, o estilista ganhou projeção ainda nos anos 1980 com coleções autorais marcadas por teatralidade e referências históricas.
O talento chamou atenção de grandes maisons francesas, e, em 1995, ele se tornou o primeiro britânico a assumir a direção criativa da Givenchy. Um ano depois, migraria para a Dior.
Galliano propôs uma abordagem totalmente nova ao estilo clássico e tradicional da maison. Como? Redefinindo os desfiles de alta-costura como espetáculos performáticos, misturando narrativa, cenografia e moda de forma inédita.

Proporções infladas, peças extravagantes e maquiagens surrealistas passaram a fazer parte da passarela da Dior – algo revolucionário para a marca, que passou a atrair mais jovens depois disso. Entre 1998 e 2005, as receitas da Dior triplicaram sob o comando de Galliano.

Foram mais de 15 anos à frente da marca. Em 2011, a Dior despediu o estilista uma semana depois de ele ter insultado um casal em Paris, com comentários antissemitas. A polêmica manchou a carreira do artista.
O retorno veio somente alguns anos depois, na Maison Margiela
À frente da grife a partir de 2014, Galliano encontrou um novo registro criativo: um pouco menos exuberante, mas não menos criativo. Ali, buscou explorar conceitos de desconstrução e surrealismo que dialogavam com o legado da casa. A passagem foi bem recebida pela crítica e marcou a reabilitação do estilista no circuito da moda.

Em 2024, Galliano deixou a Margiela, encerrando um ciclo de uma década na marca. Dessa vez, sem nenhum escândalo.
Agora, em 2026, assume a coleção sazonal da Zara. O movimento acompanha uma tendência que vem se desenhando com cada vez mais força: nomes da alta-costura assumindo papéis estratégicos dentro de redes de fast-fashion.
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