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NAS PISTAS DE INTERLAGOS

Fórmula 1 vira pista das fintechs para conquistar clientes: como Nubank e Revolut querem transformar a paixão pelas corridas em negócios

Na semana do GP de São Paulo, as fintechs apostam em experiências e lifestyle para conquistar espaço na preferência dos consumidores

MEXICO CITY, MEXICO - NOVEMBER 01: Lewis Hamilton of Great Britain driving the (44) Scuderia Ferrari SF-26 leads Max Verstappen of the Netherlands driving the (3) Oracle Red Bull Racing RB22 Red Bull Ford Powertrains Charles Leclerc of Monaco driving the (16) Scuderia Ferrari SF-26 and the rest of the field at the start during the F1 Grand Prix of Mexico at Autodromo Hermanos Rodriguez on November 01, 2026 in Mexico City, Mexico. (Photo by Clive Rose/Getty Images)
Largada do Grande Prêmio do México de F1, realizado no Autódromo Hermanos Rodríguez, em 01 de novembro de 2026, na Cidade do México, México. - Imagem: Clive Rose/Getty Images

A disputa por uma parada nos boxes pode ser decidida em poucos segundos. Já conquistar a preferência de um consumidor exige uma corrida bem mais longa. É nessa segunda competição que Nubank e Revolut apostam ao levar suas marcas para a Fórmula 1.  

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Patrocinadores de Mercedes e Audi, respectivamente, os bancos digitais querem transformar a exposição nas pistas em experiências capazes de criar uma conexão mais próxima com o público. 

Em São Paulo, na semana do Grande Prêmio de 2026, essa estratégia ganhou forma fora dos circuitos.  

Nos últimos dias, o Nubank montou uma espécie de garagem da Mercedes aberta aos fãs, com carro de corrida, simuladores e até um desafio de troca de pneus. 

A Revolut, por sua vez, reuniu pilotos, executivos e centenas de influenciadores digitais para apresentar a pintura especial do Audi para a etapa brasileira. O evento combinou automobilismo, moda e música — uma tentativa de aproximar a marca de universos que vão além dos serviços financeiros. 

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Os campeões e a linha de chegada 

Nas pistas, a temporada já tem um campeão de pilotos: Kimi Antonelli, da Mercedes. A equipe também chegava à reta final na disputa pelo título de construtores, com três pontos de vantagem sobre a rival mais próxima, Ferrari. 

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Fora delas, porém, a corrida é outra. Para Nubank e Revolut, a Fórmula 1 funciona como uma vitrine global, mas o objetivo vai além de exibir logotipos nos carros e nos macacões.  

As fintechs querem mobilizar torcidas, aproximar os fãs das equipes e associar seus serviços a atributos como velocidade, inovação e estilo de vida — na tentativa de transformar a paixão pelo automobilismo em preferência pela marca. 

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Nubank quer transformar clientes em torcedores 

No alto do Nubank Parque, na Água Branca, a Nu House virou uma espécie de garagem da Mercedes, convidando os fãs a mergulhar no universo da escuderia. 

O espaço reúne referências à história da equipe na Fórmula 1 e equipamentos que ajudam a aproximar os visitantes da rotina dos pilotos.  

A principal atração é uma réplica do W17 E Performance, acompanhada de macacões, capacetes, luvas e botas dos pilotos Kimi Antonelli e George Russell. 

Carro da Mercedes para o GP de São Paulo. Foto: Camille Lima

A proposta não é deixar o público apenas diante de objetos de exposição. Em uma das ativações, o visitante pode aparecer virtualmente vestido com o uniforme oficial dos pilotos. 

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Em outra, duplas colocam a agilidade à prova em uma troca de pneus contra o relógio, inspirada nas rápidas paradas de pit stop da Fórmula 1 — aquelas em que a equipe executa o famoso “box, box” pelo rádio. 

Há ainda simuladores que reproduzem o traçado de Interlagos e uma pista de autorama em que cartões do Nubank se transformam em carrinhos de corrida. DJ, brindes exclusivos e uma loja temporária da Adidas, com produtos oficiais da escuderia, completam o percurso. 

O Nubank apresenta a Nu House como a maior experiência imersiva dedicada a uma escuderia já realizada em São Paulo. Aberto entre 4 e 8 de novembro, o espaço faz parte de uma parceria com a Mercedes que começou a ganhar forma no início da temporada, com ativações também em Miami, Silverstone e no México. 

Interior da Nu House. Foto: Camille Lima

Acelerando para fora 

A escolha da Fórmula 1, segundo a cofundadora do Nubank, Cris Junqueira, está ligada ao momento de expansão internacional da fintech. O banco digital atende mais de 140 milhões de clientes no Brasil, no México e na Colômbia, além de avançar nos Estados Unidos. Com o produto Nu Global, também oferece conta a clientes de mais de 35 países. 

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Para a executiva, a Fórmula 1 oferece ao Nubank a oportunidade de ampliar o alcance da marca e se conectar com um público diverso.  

O perfil dos fãs ajuda a explicar o interesse da instituição: mulheres já representam 42% da audiência da categoria, enquanto 43% dos fãs têm menos de 35 anos. No Brasil, mais de 38 milhões de pessoas passaram a se declarar fãs do esporte neste ano, segundo Junqueira. 

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“Era importante a gente levar a nossa marca para um palco global, e esse palco global é a Fórmula 1”, afirmou. 

A aposta também se beneficia da renovação do interesse brasileiro pelo automobilismo e da presença de pilotos com apelo junto ao público local.  

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Em Miami, por exemplo, Antonelli e Russell correram com macacões especiais em tons de roxo, que traziam referências à trajetória internacional do Nubank: as coordenadas da garagem no Brooklin, onde a empresa começou, dos escritórios no México e na Colômbia e do estádio em Miami que leva o nome da instituição. 

Para a etapa brasileira, a inspiração mudou de endereço e de época. A coleção foi pensada em torno da “Golden Era” da Fórmula 1 brasileira, associada à trajetória de Ayrton Senna. A homenagem também aparece em um capacete cedido pelo Instituto Ayrton Senna, que integra a exposição. 

Novo macacão da Mercedes para o GP de São Paulo. Foto: Camille Lima

Uma seleção brasileira não-oficial 

A aproximação com a torcida brasileira é, aliás, um dos pontos centrais da parceria. 

Conectado por vídeo ao evento, Bradley Lord, vice-chefe de equipe da Mercedes-AMG Petronas F1 Team, destacou a importância de aproximar a escuderia dos fãs brasileiros, especialmente em uma etapa como a de Interlagos. 

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“Não queremos ser apenas uma equipe que as pessoas apoiam, mas uma equipe da qual elas façam parte”, disse. 

A ambição compartilhada com o Nubank, segundo ele, é transformar a Mercedes em uma espécie de “seleção brasileira não-oficial” da Fórmula 1. 

Interlagos também tem um significado especial para a equipe. Além da atmosfera criada pelos torcedores, o circuito guarda lembranças importantes para os pilotos: foi ali que Antonelli conquistou seu primeiro pódio, em 2025, e Russell venceu pela primeira vez na categoria, em 2022. 

Mensagem de Lord 

A edição de 2026 chega ainda embalada pelo título de Antonelli como o campeão mundial mais jovem da história da Fórmula 1. Para Lord, a conquista é resultado não apenas da velocidade do piloto, mas da capacidade de aprender com os momentos difíceis e manter a regularidade ao longo da temporada. 

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“Mesmo nos dias difíceis de Kimi, ele sempre encontrou uma forma de subir ao pódio”, afirmou.  

Segundo o executivo, o piloto soube reconhecer quando não era possível forçar além do limite e extrair o máximo de cada corrida. “São os seus piores resultados que ganham um campeonato, não os seus melhores. Ele foi tão consistente durante todo o ano”, acrescentou. 

A cofundadora do Nubank, Cris Junqueira, e Bradley Lord, vice-chefe de equipe da Mercedes-AMG Petronas F1 Team. Foto: Camille Lima

Lord contou que Toto Wolff, chefe da equipe, costuma comparar Antonelli a um agente de inteligência artificial, pela rapidez com que o piloto absorve informações e aprende com cada experiência. 

“Você simplesmente o viu aprender, absorver e transformar tudo isso em algo positivo. Neste ano, ele juntou todas as peças do quebra-cabeça, e o resultado é este: o campeão mundial mais jovem da história do esporte”, afirmou. 

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Em uma mensagem gravada, Wolff reforçou a intenção de aproximar a equipe dos fãs brasileiros. “Juntos, queremos dar a ainda mais fãs brasileiros a oportunidade de fazer parte do nosso time”, disse. 

Revolut leva São Paulo para o carro da Audi na Fórmula 1

Se o Nubank escolheu uma garagem aberta aos fãs para aproximá-los da Mercedes, a Revolut seguiu outro caminho para apresentar sua parceria com a Audi.  

Em evento fechado na Casa Fasano, em São Paulo, a fintech britânica reuniu os pilotos Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg, executivos das marcas e convidados para uma noite que misturou automobilismo, moda e música. 

Gabriel Bortoleto, Mattia Binotto, chefe da equipe da Audi, e Nico Hülkenberg. Foto: Camille Lima

O centro das atenções foi a pintura especial do Audi R26 para o Grande Prêmio de São Paulo.

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Audi R26 com pintura especial para o GP de São Paulo. Foto: Camille Lima

O projeto foi pensado para celebrar a cidade e sua relação com o automobilismo, em uma edição que também marca a primeira passagem da Audi pela Fórmula 1 em Interlagos. A mesma inspiração paulistana apareceu na coleção desenvolvida pela Adidas para a equipe. 

O evento teve clima de celebração, especialmente com a presença de Bortoleto. Correndo em casa, o piloto brasileiro falou sobre a expectativa de acelerar diante da torcida e o carinho que recebe dos fãs. 

“Estou muito feliz de poder estar competindo de novo aqui em casa. Óbvio que para mim é uma expectativa a mais, uma pressão a mais, mas o carinho e o amor que eu recebo dos brasileiros é algo excepcional. Então, não vejo a hora de poder acelerar na frente de todo mundo”, afirmou. 

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O piloto também preparou um capacete especial para a etapa: branco, com grafismos e uma homenagem a Ayrton Senna. A referência escolhida foi a vitória do tricampeão em Interlagos, há 35 anos, conquistada em uma corrida marcada pelo esforço para completar a prova com apenas uma marcha. 

“Não tinha momento melhor para eu fazer uma homenagem para ele”, disse Bortoleto. Depois de elogiar o visual do carro, deixou um desejo para o fim de semana: “Espero que ele seja tão rápido quanto está bonito”. 

O capacete de Gabriel Bortoleto para o GP de São Paulo. Foto: Camille Lima

Hülkenberg também destacou a relação com o circuito brasileiro. “Interlagos sempre foi um lugar especial para mim. Adoro correr lá. Vivi muitos bons momentos, além de alguns difíceis também, mas tenho muitas lembranças felizes”, afirmou. 

A corrida da Revolut fora das pistas da Fórmula 1

Para a Revolut, a escolha do Brasil tem uma dimensão que vai além da etapa da Fórmula 1.  

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O país é o maior mercado da empresa fora da Europa e uma das prioridades de sua expansão global. O CEO da operação brasileira, Glauber Mota, afirmou que o Brasil já está entre os mercados de maior crescimento da companhia. 

“Não é apenas colocar uma marca num carro de Fórmula 1. É trazer um pouco dessa energia de vocês de São Paulo e do Brasil”, disse Mota. 

Rory Miller-Cheevers, representante global da Revolut, destacou que a categoria tem afinidade com os mercados nos quais a empresa busca crescer.  

Com mais de 80 milhões de clientes no mundo, a fintech vê na Fórmula 1 uma plataforma para alcançar públicos de diferentes países — do Brasil ao Japão, passando por mercados europeus e pela Austrália. 

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Segundo Miller-Cheevers, a Revolut quer oferecer uma experiência financeira tão rápida quanto uma parada nos boxes. 

“Às vezes, é sobre velocidade. Às vezes, é sobre ser dez vezes mais barato do que tudo o que existe. E, em outras, é construir algo que pareça realmente único e novo para o setor bancário e financeiro”, afirmou. 

A noite terminou com a participação de MC Livinho, reforçando a tentativa de conectar o universo da Audi e da Revolut à música e à cultura urbana de São Paulo.  

Quando a Fórmula 1 sai das pistas e vira lifestyle 

A presença da Adidas nas parcerias com Audi e Mercedes ajuda a entender por que a Fórmula 1 se tornou um território disputado por marcas que não vivem diretamente do automobilismo. 

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O esporte deixou de ser apenas uma competição entre carros e pilotos. Hoje, também movimenta moda, música, entretenimento e comunidades que se formam em torno das equipes. Uniformes e jaquetas passam a integrar o guarda-roupa de quem acompanha o universo da categoria. 

“Usar a Fórmula 1 no dia a dia é usar moda, é usar lifestyle. Isso tem total conexão com o que é a essência da Adidas”, afirmou, André Chevis Svartman, diretor de marketing da Adidas Brasil. 

As coleções especiais da marca para as duas scuderias foram pensadas para traduzir a identidade paulistana em peças que possam circular para além do autódromo.  

Durante a semana, marcas como TAG Heuer, Lacoste e Jack Daniels também prepararam eventos em celebração à GP Week. Na quinta-feira (5), a marca de whiskies do Tennessee promoveu um talk com o campeão brasileiro Emerson Fittipaldi na loja da McLaren, em São Paulo. Ao Seu Dinheiro, Fittipaldi comentou o crescimento da relação entre o esporte, o entretenimento e o dinheiro: 

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"Acho que em um esporte global como a Fórmula 1, tá muito grande, é um business gigante. Com entretenimento e muita reunião B2B dentro do evento, neste fim de semana. É o esporte mais caro do mundo. O automobilismo tem também um desenvolvimento técnico, que ajuda o futuro dos carros de rua, segurança, performance, conforto. Vem tudo da corrida." 

Corrida pelo bolso dos brasileiros começa depois da bandeirada da Fórmula 1 

Para Nubank e Revolut, a Fórmula 1 oferece algo que a publicidade tradicional nem sempre consegue entregar: uma comunidade global de fãs, com alto envolvimento emocional e disposição para acompanhar equipes, pilotos e histórias ao longo de uma temporada inteira. 

As duas instituições tentam ocupar esse espaço por caminhos diferentes.  

O Nubank aposta na imersão: abre as portas de uma garagem da Mercedes e convida o público a experimentar atividades inspiradas na rotina da equipe. A Revolut combina a parceria com a Audi a referências locais e moda, aproximando o automobilismo da cultura de São Paulo. 

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Mas existe uma distância entre conquistar a atenção de um fã e transformá-lo em cliente principal.  

Afinal, a corrida pelo cliente não termina quando os carros cruzam a linha de chegada. Para os bancos digitais, o desafio é fazer com que a conexão criada no autódromo continue muito depois de a temporada acabar.

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