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Hospedagem na Bahia quer ir além do básico e oferece imersão no surfe, em fazenda de cacau, passeios pelo rio e na gastronomia com ingredientes da região
Em Itacaré, no sul da Bahia, o Barracuda segue um caminho um pouco diferente do que se espera de um hotel de alto padrão.
Em vez de apostar no luxo mais tradicional, a proposta combina boa hospedagem, gastronomia e, principalmente, experiências que colocam o hóspede em contato direto com a rotina local — da roça de cacau às ondas da região.
Para a cofundadora Juliana Ghiotto, inclusive, a palavra “luxo” nem define tão bem o projeto. Ela prefere falar em alto padrão, e isso aparece em vários detalhes. Está na arquitetura com quartos voltados para o mar e para a Mata Atlântica, oferecendo uma estadia que é menos sobre ostentação e mais sobre conexão com o entorno.
A história do Barracuda começou sem grandes pretensões, lá nos anos 2000. Um grupo de suecos chegou à região em busca de boas ondas e acabou se aproximando de Juliana e de seu companheiro, o surfista Daniel Lima.
No começo, o plano era construir casas para uso próprio e passar temporadas por lá. Com o tempo, porém, veio a percepção de que fazia sentido abrir também para hóspedes — e transformar o projeto em um negócio.
Atualmente, o grupo atua em duas frentes. O OITI by Barracuda surgiu como base durante as obras e acabou virando uma hospedagem mais intimista. Já o Barracuda Hotel & Villas, inaugurado em 2020 depois de cerca de 15 anos de desenvolvimento, concentra a proposta mais completa.
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As villas pertencem aos proprietários suecos e têm quatro ou cinco suítes. Já o hotel reúne suítes mais tradicionais.
Ambas as hospedagens fazem parte do The Barracuda Group, que também conta com o braço social do Instituto Yandê Itacaré para apoiar projetos sociais da região desde 2021.
Um dos pontos mais diferentes do Barracuda está na forma como as experiências se organizam. Tudo ocorre sem agências externas — o próprio hotel cuida de toda a operação.
Isso deixa a experiência mais próxima, já que a equipe acompanha os hóspedes ao longo dos dias e acaba assumindo diferentes funções. O guia que leva para conhecer uma fazenda de cacau em um dia pode ser o mesmo que conduz uma trilha ou participa de uma aula de surfe no dia seguinte.
Entre as atividades, o Surf Guide funciona quase como uma surf trip personalizada. O roteiro leva em conta uma conversa inicial, levando em conta o nível do hóspede e as condições do mar. O acesso às praias pode ser por trilha, carro ou lancha.
A experiência dura cerca de cinco horas, inclui transporte, camiseta de lycra e snacks, e custa a partir de R$ 1.200 para até duas pessoas.
A aula também atende iniciantes. Antes de entrar no mar, o instrutor explica tudo na areia. Depois vem a prática — que, claro, é a parte mais desafiadora.
Inclusive para quem nunca surfou, dá para sentir evolução ao longo das tentativas até conseguir ficar em pé em cima da prancha. O exercício tende a ser mais fácil para quem já pratica outros esportes que exigem equilíbrio corporal, como yoga.
Outro passeio é o Cioba Boat Trip, que percorre o Rio de Contas, passando por manguezais e comunidades ribeirinhas. Apesar de o barco comportar até 40 pessoas, o grupo costuma comportar 16 para manter o conforto. Em casos especiais, como aniversários, é possível ter mais pessoas.
O passeio ocorre em um barco de pesca de madeira e inclui paradas para mergulho e almoço à beira do rio. A comida é preparada pela própria equipe do hotel, com peixe fresco e legumes na brasa, além de bebidas e petiscos ao longo do trajeto.

A experiência dura cerca de quatro horas e custa R$ 900 por pessoa.
O Rio de Contas também abriga um passeio de canoa havaiana, que dura cerca de 1h e tem parada para mergulho. O valor é de R$ 460 para três pessoas.
Entre todas as atividades, a Vivência Roça de Cacau é provavelmente a que melhor traduz a proposta do Barracuda.
O roteiro começa com o deslocamento até Taboquinhas, seguido de uma travessia de rio até uma propriedade apoiada pelo Instituto Yandê Itacaré. Ali, o cacau é cultivado com práticas agroecológicas.
Durante a visita, o hóspede acompanha todo o processo — do fruto até a produção — e experimenta itens como mel de cacau, chá de cacau e chocolates artesanais, por exemplo.
A estrela do passeio é seu Osvaldo, o produtor que apresenta os diferentes tipos de cacau e explica quais os melhores para chocolate.
Ele também conduz degustações que vão de versões mais intensas, com 100% cacau, até combinações mais suaves, como cupuaçu e banana. Os doces são de autoria de dona Laura, sua esposa.
O passeio inclui ainda parada em cachoeira e almoço em um restaurante caseiro. O custo é de R$ 1.260 para duas pessoas, e é recomendado agendamento com 48 horas de antecedência.
Na parte de bem-estar, o foco está em terapias ao ar livre. As massagens, por exemplo, são feitas em varandas com vista para o mar.
O hotel também oferece aulas de yoga e treinos funcionais em um deck cercado pela Mata Atlântica. Parte da programação já está incluída na hospedagem, mas há opções privativas — como yoga individual ou personal trainer — por R$ 320.

Outra opção é o Wellness Day, com uma programação personalizada que pode incluir meditação, massagens e banho de floresta.
Na área esportiva, há quadras de tênis e padel em meio à vegetação. O uso é gratuito para hóspedes (com limite de uma hora por suíte), e aulas com treinador custam R$ 250 por pessoa.
Nas villas, cada casa acaba refletindo um pouco a personalidade dos donos. Em uma delas, que pertence a uma família de músicos, por exemplo, a decoração é mais artística — e tem até uma varanda nos fundos pensada para tocar violão no fim da tarde, em um espaço mais reservado.
Já outra tem uma cozinha maior, porque a família gosta de cozinhar junta. Há também casas com uma estética mais clássica, de donos mais discretos.
Mesmo com estilos diferentes, porém, um ponto em comum são os detalhes: boa parte dos móveis é assinada por designers baianos, especialmente da região de Itacaré.

As amenities seguem a lógica familiar, de uma forma mais artesanal. Desenvolvidas pela mãe de Juliana Ghiotto, incluem sabonetes com aloe vera e extrato de cavalinha, além de hidratantes com manteiga de cupuaçu e óleo de castanha-do-pará.
Os produtos acabaram fazendo sucesso e hoje também são vendidos para hóspedes dentro das hospedagens. Segundo Juliana, alguns clientes que já foram embora pediram para comprar a distância.
A gastronomia é um dos pilares da experiência no Barracuda e segue a mesma lógica nos dois hotéis, mas com propostas um pouco diferentes entre si.
No Barracuda Hotel & Villas, a cozinha é mais elaborada e autoral, com pratos que valorizam ingredientes frescos do dia, vindos de pescadores e pequenos produtores da região. A ideia é revisitar a culinária baiana com um toque contemporâneo, em um ambiente mais intimista, integrado ao bar e às áreas comuns.
As entradas têm boas opções, como o dadinho de tapioca (seis unidades por R$ 65) e a casquinha de siri em crosta (R$ 85). Nos principais, aparecem pratos como o polvo tostado com batatas (R$ 195) e o atum selado (R$ 175).
O drink assinatura da casa é o Barracuda Frozen, feito com mel de cacau batido gelado, raspas de limão, gin e nibs de cacau, por R$ 52. Aliás, o mel de cacau é, com certeza, uma das coisas mais gostosas do Barracuda — vale provar tanto na versão com álcool quanto sem.
Já no OITI by Barracuda, na Orla dos Pescadores, o clima muda: a proposta é mais descontraída, com uma cozinha brasileira casual, forte presença de frutos do mar e muitos preparos na brasa.

Entre as entradas, aparecem opções como ceviche (R$ 65), croquetes de pupunha (R$ 48) e crudo de atum (R$ 65). Nos principais, entram pratos como polvo na brasa, entrecôte e o peixe do dia — todos na faixa de menos de R$ 300 para duas pessoas.
Para acompanhar, a carta de drinks é variada, com preços que vão de R$ 35 a R$ 43.
Os dois restaurantes ficam abertos para o público externo para o jantar.
Os hotéis do grupo Barracuda ficam em locais estratégicos de Itacaré, que tornam fácil conhecer também os pontos turísticos da cidade.
O Barracuda Hotel & Villas, por exemplo, está no alto da costa, ao lado da Praia do Resende e a poucos passos do centro. Assim, dá para ir andando tanto para as praias urbanas quanto para a Pituba, a rua principal, cheia de restaurantes, bares e lojinhas para levar presentes para casa.
Já o OITI by Barracuda fica na Orla dos Pescadores, bem próxima a um dos principais pontos turísticos: a Paróquia São Miguel Arcanjo. A hospedagem fica bem de frente para o mar, com boa mobilidade a pé.
No fim das contas, isso facilita bastante para quem quer explorar praias como Concha, Resende e Tiririca sem depender de carro — embora, para as mais afastadas e selvagens, ainda seja preciso encarar trilha ou algum deslocamento.
Os preços variam ao longo do ano. Na baixa temporada, as diárias começam pouco acima de R$ 1 mil e podem chegar a cerca de R$ 3.900 em períodos mais cheios, dependendo da categoria.
No Réveillon, o hotel trabalha apenas com pacotes de sete noites, com valores entre aproximadamente R$ 16,9 mil e mais de R$ 42 mil.
As tarifas incluem café da manhã e têm acréscimo de 10% em taxas. Crianças de até 5 anos não pagam; de 5 a 12 anos têm adicional de 30%; a partir de 13 anos, a tarifa é integral. A reserva exige pagamento antecipado.
No hotel principal, as diárias começam na faixa de R$ 3 mil e podem passar dos R$ 5 mil em períodos de maior demanda.
As villas concentram a experiência mais exclusiva — e mais cara. As diárias partem de cerca de R$ 15 mil e podem ultrapassar R$ 33 mil, dependendo do tamanho e da época.
No Réveillon, os valores chegam ao pico: pacotes de sete noites podem passar de R$ 500 mil nas villas maiores, especialmente nas opções com meia pensão.
As villas exigem estadia mínima de três noites ao longo do ano, além de pagamento dividido e caução equivalente a uma diária. No hotel, pode haver mínimo de duas noites em alguns períodos e pacotes fechados no fim do ano.
Em todos os casos, há acréscimo de 10% em taxas, e os preços variam conforme a demanda.
A jornalista viajou a convite do The Barracuda Group.
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