A Itália em uma carta de vinhos: uma viagem pela adega do Piccini Cucina
Casa paulistana inspirada nas tavernas da Toscana tem adega reconhecida por sua excelente seleção de rótulos italianos; ao Seu Dinheiro, o sommelier Luciano Silva abre os detalhes

Há algo de saborosamente específico em um título de melhor carta de vinhos italianos. No entanto, foi essa a conquista que o Piccini Cucina recebeu, com bastante mérito aliás, da revista Prazeres da Mesa em 2024.
Inaugurado em maio de 2021 na rua Vitório Fasano, o endereço logo tornou-se referência em releituras da cozinha italiana em variados sabores e composições. Mas no salão, entre o ballet de gnocchis e tagliolinis, garrafas e taças circulam por quase todas as mesas.

Trata-se, afinal, de uma seleção altamente especializada, realizada cuidadosamente pelo sommelier Luciano Silva. E, ainda que não tão instagramável quanto o spaghetti alla carbonara ou outras criações do chef William Torate, a adega divide um protagonismo silencioso – em grande medida devido à alta especialidade dos rótulos oferecidos.
Do Piemonte à Campânia, passando por rótulos da Sicília e com predileção nada discreta pela Toscana, a carta cumpre o objetivo de expressar a diversidade da viticultura italiana. Hoje, com aproximadamente de 70% da seleção de 150 exemplares do endereço. Ao Seu Dinheiro, Silva defende que o objetivo da adega é dialogar com a cozinha. Mas de frente com a carta de vinhos, fica fácil desconfiar do contrário.

Na prática, isso aparece com a presença de clássicos como o Brunello di Montalcino da Camigliano (R$ 1.546), feito 100% com uvas Sangiovese, e de exemplares mais inovadores, como o Vinho Forte Ambrone Rosso (R$ 218), com Merlot, Sangiovese e Syrah.
"Mais do que reunir grandes vinhos italianos, buscamos criar uma seleção coerente, equilibrada e capaz de traduzir a essência da culinária italiana em cada taça", defende Luciano.
Leia Também
Restaurante em Gramado está entre os 10 melhores do mundo; veja qual é e quanto custa comer lá
Surpresas e achados
Falando sobre opções surpreendentes, o sommelier destaca os brancos italianos, como os elaborados com as uvas Vernaccia, Cortese, Greco e Falanghina. São justamente os que ele gostaria de ver mais presente nas mesas dos clientes.
"Dois grandes destaques são a Vernaccia di San Gimignano (R$ 349), da Toscana, que impressiona pela elegância e frescor, e o Gavi (Palás Michele Chiarlo, R$ 346), elaborado com a uva Cortese, do Piemonte. É um vinho refinado, equilibrado e muito versátil, que costuma conquistar até quem ainda não conhece os grandes brancos italianos."
Ainda assim, convidado a revelar o segredo escondido de sua carta, Luciano elege o Rosso di Montalcino La Togata (R$ 316). "É um vinho que entrega muito mais do que seu preço sugere, reunindo elegância, equilíbrio e excelente qualidade. Costumo indicá-lo porque é um rótulo muito elogiado pelos clientes e representa uma das melhores relações entre custo e benefício da nossa seleção."

Volta ao mundo em 150 vinhos
Para além dos Alpes e Apeninos, a adega do Piccini também contempla exemplares de outros países com a mesma dedicação. Chile, Argentina, Portugal e Espanha possuem bons rótulos listados. Para Luciano, no entanto, os franceses ocupam lugar especial na adega:
"São referências mundiais em qualidade e tradição", diz o sommelier. Destaques se estendem desde um clássico Moët Chandon Brut (R$ 895) até um nada modesto Bordeaux Château Latife Rothschild, de R$ 19.460.
Ainda que em menor volume, é possível também pedir um Chardonnay californiano Marimar Estate La Masia (R$ 720), do vale do Russian River, ou o ótimo Nobody's Hero Sauvignon Blanc (R$ 302) da vinícola Framingham, de Marlborough na Nova Zelândia.
O Brasil também está contemplado, seja com o espumante Victoria Geisse (R$ 298), de Pinto Bandeira, com o Chardonnay Don Abel Reserva (R$ 203) e com o Tannat Don Abel Premium (R$ 274), também da Serra Gaúcha. "Acreditamos que eles merecem um lugar de destaque, representando muito bem a evolução da vitivinicultura nacional" diz Luciano.
As cinco garrafas que representam o Piccini Cucina, por Luciano Silva, sommelier do Piccini Cucina
- Barolo Falletto, de Bruno Giacosa (R$ 3.530): Um ícone da elegância do Piemonte.

- Barbaresco Palás, de Michele Chiarlo (R$ 698): Sofisticado, equilibrado e muito representativo da região.

- Amarone, de Giuseppe Quintarelli (R$ 5.720): Um dos maiores símbolos da vitivinicultura italiana.

- Brunello di Montalcino, da Camigliano (R$ 930): Intenso, refinado e um clássico da Toscana.

- Taurasi Aglianico, da Vesevo (R$ 822): Um grande representante do sul da Itália, com personalidade e excelente potencial de guarda.

Notas sobre o menu e três harmonizações perfeitas
De imediato, qualquer observação pelo salão do Piccini revela uma obsessão do cliente pelo spaghetti alla carbonara (R$ 124). Muito justo: montado em formato de torre com uma gema no topo, o prato desperta paladares para além da rede social.

No entanto, é claro que as criações do chef William Torate vão além do clássico romano. E brilham em pontos inesperados, como o saboroso arancini all'amantriciana (R$ 59), recheado com ragu de pancetta, pecorino e salsa. Ou ainda no ravioli d'anatra (R$ 138), recheado com pato desfiado ao molho de tangerina – um ponto alto do cardápio ao qual a rede social talvez não faça jus.

Abaixo, o sommelier Luciano indica três harmonizações ideais para a carta do Piccini.:
- Carpaccio di Polpo com Vernaccia di San Gimignano: Um branco fresco, mineral e elegante, que realça a delicadeza do polvo sem sobrepor seus sabores.
- Carbonara com Chianti Classico: A acidez equilibrada e os taninos suaves do vinho harmonizam perfeitamente com a cremosidade da gema, o pecorino e o guanciale.
- Carretto di Agnello com Risotto alla Milanese para o vinho Barolo: Uma combinação clássica, em que a estrutura, a complexidade e a elegância do Barolo acompanham com perfeição a intensidade do cordeiro e a riqueza do risoto.

Piccini Cucina: R. Vitório Fasano, 49 - Jardim Paulista, São Paulo.
GASTRONOMIA LOCAL
Organic Festival: em Trancoso, a comida vira conversa sobre o futuro
25 de setembro de 2026 - 8:16NO TOP 5
Eleita 4ª melhor cafeteria da América do Sul é brasileira, não tem cara de ‘café descolado’ e serve especiais por R$ 16
24 de setembro de 2026 - 16:00MADE IN CHINA
361°: a marca chinesa de tênis que quer ser a ‘BYD do esporte’ e concorrer com Nike e Adidas no Brasil
24 de setembro de 2026 - 8:1650 BEST HOTELS
O que levou o Rosewood São Paulo ao 6º lugar entre os melhores hotéis do mundo, segundo a diretoria
23 de setembro de 2026 - 17:40DIA DO SORVETE
Azeite no sorvete: a combinação improvável que conquistou chefs, consumidores e Dua Lipa
23 de setembro de 2026 - 11:17TEMPORADA QUENTE
Miami não para: 11 novidades que estão mudando a cidade em 2026
23 de setembro de 2026 - 8:16BOULEVARD SÃO JOÃO
Times Square paulistana não vai vingar? O que a justiça decidiu sobre instalar painéis de LED no centro
22 de setembro de 2026 - 18:00SAFRA BRASILEIRA
Azeite brasileiro de R$ 97 conquista 2º lugar entre os melhores do Hemisfério Sul em concurso na França
22 de setembro de 2026 - 15:00MILANO FASHION WEEK
Semana de Moda de Milão: conheça as 10 marcas brasileiras que levam moda sustentável à Itália
22 de setembro de 2026 - 12:40ACELERADA CHINESA
Novas marcas chinesas de carros chegam ao Brasil: estratégias, guerra de preços e o impacto no mercado
22 de setembro de 2026 - 8:16LONGE DA APOSENTADORIA
Após deixar a Versace, Donatella volta ao jogo com nova cartada e lança marca própria
21 de setembro de 2026 - 17:00FESTA ALEMÃ
Oktoberfest no Brasil: veja onde, quando e quanto custa curtir a festa cervejeira em 2026
21 de setembro de 2026 - 15:00ÚNICO FORA DA EUROPA
Quanto custa ir ao Café Lacoste? Fomos conhecer a 1ª unidade da América Latina, em São Paulo
21 de setembro de 2026 - 8:16SINGLE MALT
Macallan: o uísque servido por Vorcaro a Moraes e outras autoridades pode custar na casa dos milhões
19 de setembro de 2026 - 11:41MEXENDO COM FOGO
Chefs on Fire, maior festival de cozinha de fogo da Europa, terá edição em São Paulo; veja como funciona o evento
19 de setembro de 2026 - 9:20NOVOS CAMINHOS
Colecionismo além da parede: como o projeto ABERTO apresenta novas visões para a arte
19 de setembro de 2026 - 8:00NO CENTRO DA TAÇA
De Tokaj ao efeito Mounjaro no vinho: as tendências e debates que vão dominar a ProWine 2026
18 de setembro de 2026 - 10:01TENDÊNCIAS
Sem estrela Michelin: nova tendência faz turistas lotarem supermercados em viagens ao exterior
18 de setembro de 2026 - 9:46SEM RESSACA?
US$ 2,7 bilhões: o mercado de bebidas adaptógenas que cresce mais rápido que as evidências científicas
18 de setembro de 2026 - 8:16BAIRROS 'COOL'