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A empresa brasileira que vende ar da Amazônia em forma de água premium

Com garrafas que custam mais de R$ 1.200, empresa brasileira transforma a umidade da Amazônia em água de luxo e mira o mercado global

Empresa brasileira Ô Amazon Air Water transforma vapor dos rios Amazônicos em água potável
Empresa brasileira Ô Amazon Air Water transforma vapor dos rios Amazônicos em água potável - Imagem: Ricardo Zugo

Em uma fábrica instalada em Barcelos, no coração da Amazônia, uma operação pouco convencional transforma um elemento invisível em produto de luxo. Diferente de qualquer marca de água, que geralmente capta o recurso de fontes subterrâneas ou nascentes, a Ô Amazon Air Water produz sua água a partir da umidade presente no ar amazônico.

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A empresa nasceu em 2014, mas sua origem remonta a quatro anos antes, quando o empreendedor Cal Junior fundou a A2BR (Águas do Ar do Brasil), empresa dedicada ao desenvolvimento de equipamentos AWG (Air Water Generator) capazes de produzir água diretamente da umidade atmosférica.

Durante o processo de aperfeiçoamento da tecnologia, no entanto, surgiu uma pergunta que redefiniu o negócio. “Se podemos produzir água do ar, qual seria o ar mais valioso do planeta?”, relembra o fundador em entrevista ao Seu Dinheiro. “A resposta era óbvia: a Amazônia.”

A escolha do local não aconteceu por acaso. Situada às margens do Rio Negro, Barcelos está entre os maiores municípios do Brasil em extensão territorial e abriga uma das regiões mais preservadas da Amazônia.

A região é também influenciada pelos chamados rios voadores, fenômeno climático responsável por transportar enormes volumes de vapor d’água produzidos pela floresta e que influencia no regime de chuvas em grande parte da América do Sul.

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Marca possui duas linhas de água premium: Onça Pintada (R$ 629) e Vitoria Regia (R$ 1.212)
A marca possui duas linhas de água premium: Onça Pintada (R$ 629) e Vitoria Regia (R$ 1.212)/ Foto: Ricardo Zugo

Como o ar vira água

O processo começa com a captação do ar ambiente. Depois, filtros retiram as partículas em suspensão. Em seguida, o ar passa por um sistema de resfriamento de alta eficiência. Nesse ponto, a tecnologia esfria o ar até transformar a umidade presente nele em gotículas de água, que se juntam e viram água líquida.

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Depois da condensação, a água passa por etapas de filtragem, monitoramento microbiológico e controle de qualidade. A operação também utiliza esterilização por luz ultravioleta antes do envase. “É um processo físico simples na teoria, mas altamente sensível na prática. A eficiência depende diretamente da umidade do ambiente”, explica Junior.

Segundo ele, a Amazônia oferece uma condição quase ideal para esse tipo de produção. “Temperatura alta e umidade constante tornam a produção mais estável e eficiente.” A tecnologia, embora pareça futurista, depende de um princípio básico: a presença de umidade no ar.

“Se existe ar, existe água. O que muda é a quantidade que conseguimos extrair e a eficiência energética do processo”, afirma.

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Uma estratégia baseada em exclusividade

Na contramão das grandes fabricantes de água mineral, a Ô Amazon não compete por volume de produção. A empresa desenvolveu equipamentos capazes de produzir até cinco mil litros por dia por meio da EPAUA (Estação de Produção de Água da Umidade do Ar).

A fábrica possui hoje cerca de 17 funcionários diretos e aproximadamente 30 indiretos em operações complementares. Segundo a companhia, os investimentos acumulados desde a fundação superam R$ 20 milhões, destinados ao desenvolvimento tecnológico, à operação na Amazônia e à expansão internacional.

“Nosso foco nunca foi escala industrial. É valor, origem e rastreabilidade”, diz o fundador. O posicionamento fica evidente no preço. A principal garrafa da marca, a Vitória Régia Edition de 1,5 litro, é comercializada por R$ 1.212. O produto, inclusive, tem lista de espera. Segundo a empresa, essa linha de águas é captada apenas durante noites de lua cheia na Amazônia, uma característica que a diferencia dos demais produtos da marca.

Ô Amazon Air Water
Garrafa de água Vitoria Regia, da Ô Amazon Air Water/ Imagem: Ricardo Zugo

A estratégia conecta a empresa ao segmento global de Fine Waters, mercado de águas premium voltado a hotéis de luxo, restaurantes estrelados, spas e experiências exclusivas.

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Nesse universo, a água ocupa um papel semelhante ao dos vinhos na gastronomia. Existem inclusive sommeliers especializados em águas, profissionais responsáveis por avaliar características sensoriais, origem, mineralidade e harmonizações com diferentes pratos.

Em países de maioria muçulmana, por exemplo, onde o consumo e a comercialização de álcool são proibidos, as águas premium ganham ainda mais protagonismo à mesa, assumindo um papel de destaque em experiências gastronômicas de alto padrão.

“Nossos canais principais são hotelaria de luxo ao redor do mundo, alta gastronomia, empórios e varejistas premium, além de presentes corporativos, duty free e canais digitais globais”, afirma Junior.

Como é o sabor da água da Amazônia?

Diferentemente de muitas águas produzidas por processos de dessalinização ou condensação atmosférica, a Ô Amazon afirma não realizar a remineralização do produto após a captação da umidade do ar. Na prática, isso significa que a água preserva uma composição mineral extremamente baixa em comparação com águas minerais tradicionais extraídas de aquíferos ou fontes subterrâneas.

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Segundo o sommelier de águas Gustavo Buske, o teor de minerais influencia diretamente características sensoriais como corpo, textura e persistência no paladar. “Águas mais mineralizadas costumam ter sabores mais marcantes, enquanto pessoas descrevem águas de baixa mineralização como mais leves e neutras”, diz.

Cal descreve o sabor da água amazônica como “levemente mais ácido, com um perfil mais neutro”. “Por ter baixa mineralidade, ela apresenta um paladar mais limpo e neutro. Isso explica a boa aceitação, especialmente entre pessoas que apreciam bons vinhos ou whisky e não querem que a água interfira na percepção dos sabores da bebida que estão consumindo”, afirma o fundador.

Sócio fundador da Ô Amazon Air Water, Cal Junior
Cal Junior, sócio fundador da Ô Amazon Air Water/ Imagem: Ricardo Zugo

Da Amazônia para o mundo

Hoje, a marca mantém presença em cidades como Paris, Londres, Nova York, Barcelona, Milão, Dubai e Macau. A expansão, segundo a empresa, ocorre de forma seletiva, por meio de distribuidores especializados, hotéis de luxo, restaurantes, lojas duty free e empórios especializados.

Em 2024, a companhia afirma que sua água foi escolhida como presente oficial do governo brasileiro durante agenda diplomática com o presidente chinês Xi Jinping.

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O próximo passo, segundo o fundador, é entrar no setor de beleza com o lançamento de uma bruma facial feita com a água amazônica. "Um movimento natural para uma empresa que entende a água não apenas como bebida, mas como ativo de valor, cuidado e experiência", diz Cal.

Agora, a meta para os próximos cinco anos é alcançar a distribuição de dois milhões de unidades por ano no mercado internacional.

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