PIB fraco e iene em alta: o nó econômico que a primeira mulher no comando do Japão tenta desatar
Em busca de juros baixos, Sanae Takaichi teve um encontro com o chefe do BoJ nesta segunda-feira (16), mesmo dia em que os dados oficiais mostraram um PIB fraco

O Japão vive dias de intensa movimentação, tanto nas planilhas de dados quanto nos corredores do poder. Após o iene registrar uma alta de quase 3% na semana passada — o maior avanço desde o final de 2024, saindo da marca de 160 para o patamar de 152,66 por dólar —, o mercado voltou as atenções para o encontro entre a primeira-ministra, Sanae Takaichi, e o presidente do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda.
A reunião, ocorrida nesta segunda-feira (16), marcou o primeiro contato formal entre ambos desde a vitória eleitoral histórica de Takaichi. Em pauta, a discussão sobre os rumos da política monetária e o aumento do custo de vida.
Embora haja especulações de que o BC japonês possa elevar os juros já em março ou abril, Ueda afirmou que a conversa foi uma "troca geral de opiniões" e que a premiê não fez pedidos específicos.
A grande vitória do Partido Liberal Democrata (PLD) nas eleições legislativas do último dia 8 aumentou as apostas de que Takaichi possa renovar os pedidos por juros baixos, especialmente em um momento em que ela se prepara para turbinar os gastos públicos para reanimar a economia.
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PIB do Japão liga sinal de alerta
Os números oficiais do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados mais cedo reforçaram a pressão sobre o novo governo. A quarta maior economia do mundo cresceu apenas 0,1% no quarto trimestre, frustrando a expectativa do mercado, que projetava uma expansão de 0,4%.
Embora o consumo privado e os investimentos corporativos tenham contribuído positivamente, o resultado anualizado de 0,2% ficou drasticamente abaixo do crescimento de 1,6% estimado por economistas.
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No acumulado de 2025, o Japão cresceu 1,1%, recuperando-se da contração de 0,2% vista em 2024.
O desempenho morno do PIB ocorre enquanto Takaichi tenta equilibrar um pacote de estímulo de 21,3 trilhões de ienes focado em inteligência artificial (IA), semicondutores e defesa, ao mesmo tempo em que lida com uma dívida pública que já supera o dobro do tamanho da economia japonesa.
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Combustível para o governo
Para Marcel Thieliant, analista da Capital Economics, os dados recentes podem servir de combustível para as ambições fiscais do governo.
"A pequena recuperação da atividade no último trimestre pode encorajar a primeira-ministraTakaichi a avançar com ainda mais afrouxamento fiscal."
Segundo Thieliant, o crescimento fraco "implica que o grande orçamento suplementar aprovado no final de novembro ainda não impulsionou os gastos públicos no último trimestre".
O analista acrescenta que a lentidão econômica abre espaço para medidas mais agressivas no Japão.
"Na verdade, a atividade econômica lenta aumenta as chances de Takaichi não apenas avançar com a suspensão do imposto sobre vendas sobre alimentos, mas também aprovar um orçamento suplementar durante o primeiro semestre do ano fiscal, que já começa em abril, em vez de esperar até o final deste ano."
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