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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

PRESSÃO TOTAL

PIB fraco e iene em alta: o nó econômico que a primeira mulher no comando do Japão tenta desatar

Em busca de juros baixos, Sanae Takaichi teve um encontro com o chefe do BoJ nesta segunda-feira (16), mesmo dia em que os dados oficiais mostraram um PIB fraco

Carolina Gama
16 de fevereiro de 2026
18:15
Bandeira do Japão com uma rachadura no centro
Imagem: Dall E

Japão vive dias de intensa movimentação, tanto nas planilhas de dados quanto nos corredores do poder. Após o iene registrar uma alta de quase 3% na semana passada — o maior avanço desde o final de 2024, saindo da marca de 160 para o patamar de 152,66 por dólar —, o mercado voltou as atenções para o encontro entre a primeira-ministra, Sanae Takaichi, e o presidente do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda. 

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A reunião, ocorrida nesta segunda-feira (16), marcou o primeiro contato formal entre ambos desde a vitória eleitoral histórica de Takaichi. Em pauta, a discussão sobre os rumos da política monetária e o aumento do custo de vida.  

Embora haja especulações de que o BC japonês possa elevar os juros já em março ou abril, Ueda afirmou que a conversa foi uma "troca geral de opiniões" e que a premiê não fez pedidos específicos. 

A grande vitória do Partido Liberal Democrata (PLD) nas eleições legislativas do último dia 8 aumentou as apostas de que Takaichi possa renovar os pedidos por juros baixos, especialmente em um momento em que ela se prepara para turbinar os gastos públicos para reanimar a economia. 

PIB do Japão liga sinal de alerta 

Os números oficiais do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados mais cedo reforçaram a pressão sobre o novo governo. A quarta maior economia do mundo cresceu apenas 0,1% no quarto trimestre, frustrando a expectativa do mercado, que projetava uma expansão de 0,4%. 

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Embora o consumo privado e os investimentos corporativos tenham contribuído positivamente, o resultado anualizado de 0,2% ficou drasticamente abaixo do crescimento de 1,6% estimado por economistas.  

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No acumulado de 2025, o Japão cresceu 1,1%, recuperando-se da contração de 0,2% vista em 2024. 

O desempenho morno do PIB ocorre enquanto Takaichi tenta equilibrar um pacote de estímulo de 21,3 trilhões de ienes focado em inteligência artificial (IA), semicondutores e defesa, ao mesmo tempo em que lida com uma dívida pública que já supera o dobro do tamanho da economia japonesa. 

Surpreendente ou caótico? O primeiro ano do governo Trump sem filtros

Combustível para o governo 

Para Marcel Thieliant, analista da Capital Economics, os dados recentes podem servir de combustível para as ambições fiscais do governo.  

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"A pequena recuperação da atividade no último trimestre pode encorajar a primeira-ministraTakaichi a avançar com ainda mais afrouxamento fiscal." 

Segundo Thieliant, o crescimento fraco "implica que o grande orçamento suplementar aprovado no final de novembro ainda não impulsionou os gastos públicos no último trimestre".  

O analista acrescenta que a lentidão econômica abre espaço para medidas mais agressivas no Japão.  

"Na verdade, a atividade econômica lenta aumenta as chances de Takaichi não apenas avançar com a suspensão do imposto sobre vendas sobre alimentos, mas também aprovar um orçamento suplementar durante o primeiro semestre do ano fiscal, que já começa em abril, em vez de esperar até o final deste ano." 

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