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Em vídeo nas redes sociais, bilionário apresentou um plano para construir centros de processamento de dados em órbita, usando energia captada diretamente do Sol para atender à crescente demanda da IA

Elon Musk acredita que o futuro da inteligência artificial (IA) pode estar fora da Terra. Diante da crescente demanda por data centers e pelo enorme volume de energia necessário para alimentar e resfriar essas estruturas, o empresário apresentou um plano ambicioso: construir centros de processamento de dados no espaço sideral, abastecidos por energia solar captada diretamente em órbita.
A proposta foi detalhada pelo dono da rede social X (antigo Twitter) e da SpaceX em um vídeo de 31 minutos divulgado na segunda (8).
Ao lado de executivos da fabricante de foguetes, Elon Musk afirmou que não é necessário recorrer a soluções “mágicas” para executar o plano, argumentando que os componentes fundamentais para isso já existem ou estão em desenvolvimento dentro da SpaceX.
O projeto surge em um momento em que o avanço acelerado da IA tem ampliado as preocupações com a capacidade energética necessária para sustentar a próxima geração de sistemas computacionais.
A ideia de Musk combina a experiência da SpaceX com foguetes reutilizáveis, satélites e produção de hardware para construir data centers em órbita terrestre.
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Essas estruturas seriam alimentadas por energia solar captada diretamente no espaço e utilizariam o vácuo para dissipar o calor gerado pelos processadores, um dos principais desafios enfrentados pelos centros de dados atuais.
Segundo o empresário, a iniciativa faz parte de uma visão mais ampla de expansão da capacidade energética da humanidade e de avanço na chamada escala Kardashev, criada pelo astrofísico soviético Nikolai Kardashev para medir o desenvolvimento de uma civilização com base na quantidade de energia que consegue utilizar.
“Para aproveitar qualquer porcentagem significativa da energia do Sol, você precisa ir para o espaço”, afirmou Elon Musk.
De acordo com o empresário, o projeto depende de três elementos fundamentais: capacidade de transportar grandes volumes de carga para a órbita terrestre, geração de energia solar e chips de inteligência artificial.
O principal pilar dessa estratégia é o Starship, foguete de nova geração da SpaceX. Elon Musk voltou a defender que a reutilização rápida e completa do veículo será decisiva para reduzir drasticamente os custos de acesso ao espaço.
Segundo ele, a futura versão Starship V3 terá mais que o dobro do empuxo do Saturno V, utilizado nas missões Apollo, enquanto versões posteriores poderão ampliar ainda mais essa capacidade.
O objetivo é aumentar a quantidade de carga enviada à órbita de cerca de 2.500 toneladas por ano para milhões de toneladas anuais.
A infraestrutura espacial imaginada pela empresa inclui satélites especializados em computação.
Durante a apresentação, Ian Doll, integrante da equipe Starlink, afirmou que o principal desafio é fornecer energia elétrica suficiente para os processadores e dissipar o calor gerado por eles.
A solução proposta utiliza painéis solares semelhantes aos empregados atualmente nos satélites Starlink, além de radiadores capazes de liberar calor diretamente no vácuo do espaço.
Segundo Musk, o primeiro protótipo, chamado AI1, terá potência suficiente para alimentar dezenas de chips avançados de inteligência artificial da Nvidia, as chamadas GPUs.
Na prática, ele funcionaria como um pequeno data center em órbita, capaz de realizar tarefas de processamento semelhantes às executadas hoje por servidores usados no desenvolvimento e treinamento de sistemas de IA.
Os módulos seriam conectados por enlaces ópticos a laser e integrados à constelação Starlink para transmitir dados à Terra com baixa latência.
Para apoiar o crescimento dessa infraestrutura, Musk também revelou planos para construir uma fábrica de chips chamada Terafab, no Texas.
A instalação teria cerca de 9,3 milhões de metros quadrados, aproximadamente dez vezes o tamanho da Gigafactory da Tesla no estado.
Para se ter uma ideia da ambição do projeto, a meta inicial é alcançar uma capacidade de computação alimentada por 1 gigawatt de energia até o fim do próximo ano.
Depois, a empresa pretende multiplicar essa escala sucessivamente até chegar a 1 terawatt, ou 1.000 gigawatts — um volume de energia muito superior ao consumido pelos atuais centros de processamento de dados.
No vídeo, o empresário afirmou ainda que, em uma etapa futura, a expansão dessa infraestrutura poderá migrar para a Lua.
A ideia é fabricar localmente painéis solares e radiadores e utilizar aceleradores eletromagnéticos para lançar satélites ao espaço profundo sem o uso de foguetes convencionais.
Segundo o empresário, essa seria a única forma de ampliar em milhares de vezes a capacidade de aproveitamento da energia solar e aproximar a humanidade de uma civilização Kardashev tipo 2, capaz de utilizar uma parcela significativa da energia produzida pelo Sol.
*Com informações do Money Times
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