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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

UNS CHORAM, OUTROS VENDEM LENÇOS

Ícone da moda de luxo, Saks pede falência nos EUA e abre espaço para a Macy’s na 5ª Avenida

A dona da Bloomingdale’s deve ser uma das poucas a se beneficiar com a entrada na rival no Chapter 11 — e os números mostram que ela está pronta para essa oportunidade

Carolina Gama
14 de janeiro de 2026
18:37 - atualizado às 18:03
Imagem criada por IA mostra, do lado esquerdo, o logo da Saks nas sombras, e, do lado direito, o logo da Macy's brilhando
Imagem criada por inteligência artificial - Imagem: ChatGPT

Um ícone da moda norte-americana morreu nesta quarta-feira (14). Calma! Não se trata de uma grande modelo ou de um fotógrafo famoso (ufa!), mas de um dos maiores centros de compra de luxo do mundo, cujo principal endereço é a 5ª Avenida, em frente ao Rockefeller Center, no coração de Nova York

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Saks Global Enterprises, empresa que reúne a Saks Fifth Avenue, a Neiman Marcus e as operações da Bergdorf Goodman, entrou com pedido de recuperação judicial, o famoso Chapter 11, nos EUA.  

E isso não é pouca coisa. Com sede em Nova York, o grupo tem mais de 150 anos de história e cerca de 70 lojas, mas vem enfrentando dificuldades em um clima econômico adverso.  

Embora os consumidores norte-americanos não tenham parado de gastar, continuam atentos aos preços e não têm adquirido produtos na loja principal, a Saks Fifth Avenue, inaugurada em 1924, como costumavam fazer.  

Ainda dá para comprar na Saks 

Quem quiser conhecer e fazer compras na Saks ainda a chance de conhecer a loja icônica da 5ª Avenida.  

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O grupo também anunciou hoje que garantiu US$ 1,75 bilhão em financiamento, o que posicionaria a Saks “para um futuro forte e estável, enquanto continua a oferecer aos clientes experiências de compra de luxo multimarcas incomparáveis”.  

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Parte desse pacote forneceria liquidez para financiar as operações e iniciativas de recuperação da Saks Global. Outra parcela do financiamento estará disponível quando a empresa sair da falência. 

Vale lembrar que a Saks Global havia deixado de pagar US$ 100 milhões em juros relacionados à aquisição da Neiman Marcus por quase US$ 2,7 bilhões em 2024. 

Para garantir que os clientes continuem usufruindo dos itens de luxo ainda que sob o Chapter 11, a Saks Global anunciou a nominação do ex-chefe do Neiman Marcus Group, Geoffroy van Raemdonck, como novo CEO, com efeito imediato, substituindo Richard Baker, que sucedeu a Marc Metrick há menos de duas semanas. 

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“Este é um momento decisivo para a Saks Global, e o caminho à frente apresenta uma oportunidade significativa para fortalecer a base do nosso negócio e posicioná-lo para o futuro”, disse van Raemdonck. 

Devo não nego e vou pagar... quando puder 

Documentos judiciais mostram que a Saks Global estimou ter ativos e passivos entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões. O grupo disse que planeja “honrar todos os programas de clientes, fazer pagamentos antecipados aos fornecedores e continuar com a folha de pagamento e os benefícios dos funcionários”. 

 “Ao longo desse processo, a Saks Global continuará focada no que sempre definiu a empresa: marcas excepcionais, relacionamentos de confiança e um compromisso inabalável com seus clientes fiéis”, disse o grupo em comunicado. 

A Macy’s está de olho na oportunidade 

O ditado diz que enquanto uns choram, outros vendem lenços. E é mais ou menos isso que a Macy’s pretende fazer se a situação da Saks não evoluir para um desfecho positivo. 

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Embora o grupo tenha reforçado que manterá compromissos em dia, as implicações da falência devem ser sentidas em todo o setor varejista, inclusive pelos fornecedores da rede de lojas de departamento, que têm milhões de dólares a receber.  

Mas a Macy's, dona da Bloomingdale's, concorrente da Saks, deve ser uma das poucas a se beneficiar. Isso porque Tony Spring, um comerciante experiente que se tornou CEO da Macy's há dois anos, já começou a reerguer a icônica loja de departamentos.  

Agora, ele deve aproveitar o momento para expandir e elevar a Bloomingdale's que, om a Saks provavelmente reduzida a uma sombra do que já foi, poderá se tornar a principal loja de departamentos de luxo dos EUA. 

A verdade é que a Macy’s já vem se beneficiando há algum tempo dos problemas financeiros da Saks. A receita da Bloomingdale's cresceu de forma constante em 2025, com o terceiro trimestre fiscal registrando um aumento de 9% nas vendas em lojas comparáveis, o melhor resultado em 13 trimestres. 

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A Macy's possui um balanço patrimonial sólido. A dívida líquida, excluindo os aluguéis das lojas, é de cerca de US$ 2 bilhões, enquanto o valor imobiliário de suas lojas, mesmo sem inquilinos, pode chegar perto de US$ 6 bilhões, aproximadamente o mesmo que sua capitalização de mercado, de acordo com Mary Ross Gilbert, analista da Bloomberg Intelligence.  

Vale lembrar ainda que as ações da Macy's chegaram a US$ 24 em dezembro, próximo ao valor proposto por um consórcio de potenciais compradores em 2024 e seu maior patamar em três anos. 

Todo esse desempenho foi alcançado mesmo com a retração do mercado de luxo — e não foi à toa. Spring intensificou os esforços para melhor atender os clientes de alto padrão da Bloomingdale's.  

O CEO da Macy’s conseguiu atrair uma gama mais ampla de marcas de luxo, incluindo Toteme, Christian Louboutin e Roger Vivier.  

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As parcerias estratégicas também deram frutos. Para as festas de fim de ano, a Bloomingdale's se uniu à britânica Burberry, envolvendo a fachada de sua loja principal na 59th Street, em Manhattan, com um cachecol gigante iluminado. 

Mas nem tudo são flores no caminho da Macy’s. O possível fechamento de lojas da Saks pode significar grandes descontos, impactando o mercado de varejo de luxo como um todo.  

Também existe a chance de que um comprador de peso, como a Amazon ou Bernard Arnault, adquira alguns ativos valiosos — talvez a Bergdorf Goodman, o que completaria a consolidação da 5ªAvenida pelo fundador e CEO da LVMH, na altura da Rua 57. 

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