Irã ganhou fôlego com petróleo e EUA deveriam retomar bloqueio, diz ex-economista-chefe do IIF
Robin Brooks estima que Teerã exportou até 80 milhões de barris desde a suspensão da medida e alerta para os riscos no Estreito de Ormuz

A suspensão das restrições às exportações de petróleo do Irã deu fôlego financeiro a Teerã justamente quando o país voltou a pressionar a navegação no Estreito de Ormuz, na avaliação do economista Robin Brooks.
Pesquisador sênior da Brookings Institution e ex-economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), Brooks defendeu que os Estados Unidos restabeleçam o bloqueio ao petróleo iraniano o quanto antes.
Em relatório publicado neste domingo, o economista afirmou que o cenário atual reproduz a situação observada antes da imposição das restrições. Enquanto o Irã dificulta a passagem de petroleiros ocidentais pelo Estreito de Ormuz, as embarcações do próprio país seguem exportando petróleo.
“Isso simplesmente não faz sentido”, afirmou Brooks.
Segundo ele, a estratégia fortalece financeiramente o governo iraniano e reduz os incentivos para que Teerã participe “de boa-fé” das negociações por um acordo de paz.
Irã exportou até 80 milhões de barris
Brooks estima que o Irã tenha exportado entre 70 milhões e 80 milhões de barris de petróleo desde a suspensão do bloqueio.
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Os recursos obtidos com as vendas, segundo o economista, ajudaram o país a sustentar suas operações e ampliar a capacidade de pressionar a navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte global de petróleo.
Na avaliação de Brooks, as restrições produzem efeitos cumulativos sobre a infraestrutura petrolífera iraniana. Por isso, quanto mais tempo o bloqueio permanecer suspenso, maior será a capacidade do país de manter as exportações e financiar suas atividades.
- Leia também: Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz, mas EUA dizem que tráfego continua fluindo
Além da retomada da medida, o economista defendeu o endurecimento das restrições ao setor petrolífero do Irã. Entre as possibilidades citadas estão impedir que petroleiros sejam usados como armazenamento flutuante e ampliar a pressão sobre a infraestrutura de exportação do país.
Petróleo ainda não reflete risco geopolítico
Para Brooks, os preços internacionais do petróleo ainda não incorporam completamente o atual nível de tensão geopolítica.
O barril do Brent, negociado entre US$ 75 e US$ 76, permanece abaixo da faixa de US$ 80 a US$ 90 que, segundo o economista, seria compatível com os riscos envolvendo o Irã e a navegação no Estreito de Ormuz.
A retomada do bloqueio às exportações iranianas, portanto, poderia acrescentar uma nova camada de pressão sobre o mercado de petróleo, ao restringir a oferta do país em meio às incertezas sobre o fluxo de embarcações na região.
Fed e dólar
No cenário macroeconômico, Brooks também reiterou que os investidores superestimam a possibilidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed) ainda neste ano.
O economista afirmou esperar uma desaceleração da inflação ao consumidor dos Estados Unidos, medida pelo índice de preços ao consumidor, o CPI.
Sem novas elevações dos juros norte-americanos, Brooks manteve a avaliação de que o dólar tende a perder força nos próximos meses.
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