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CULTURA SOB PRESSÃO

Do silêncio de Jennifer Lawrence ao boicote no Kennedy Center: artistas entram em rota de colisão com Trump

Enquanto Jennifer Lawrence defende o silêncio diante da polarização, artistas cancelam apresentações, protestam contra o ICE e entram em choque com a gestão cultural de Donald Trump

Donals Trump
Donald Trump - Imagem: Reprodução YouTube

Em uma entrevista recente ao New York Times, a atriz Jeniffer Lawrence deu uma opinião viral sobre a relação entre os artistas e a política. Crítica ferrenha de Donald Trump em seu primeiro mandato, ela disse que hoje prefere o silêncio, uma vez que “se posicionar publicamente não faz diferença” e só serviria para dividir as pessoas.

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Sua opinião, afirma, se expressa por meio do trabalho. A vencedora do Oscar avalia que, em um ambiente altamente polarizado, manifestações frequentes tendem apenas a afastar parte do público, o que esvaziaria a mensagem em vez de ampliá-la.

A fala chamou atenção e chegou a viralizar nas redes sociais, trazendo à tona discussões sobre o papel do artista diante de um governo que é visto como autoritário.

O novo mandato de Trump e sua radical política anti-imigração — que já foi responsável pela morte de dois cidadãos norte-americanos de nascença nos últimos dias — tem colocado fogo no país e mobilizado a classe artística, que em maioria tenta marcar posição contra o governo do republicano.

Um dos palcos de confronto entre Trump e artistas

Um dos movimentos mais recentes de artistas contra a gestão Trump tem como palco o Kennedy Center. O local é um renomado memorial vivo ao presidente John F. Kennedy e o principal centro cultural dos EUA.

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Inaugurado na década de 1970, o Kennedy Center abriga a Orquestra Sinfônica Nacional e já foi a sede da Ópera Nacional de Washington, duas das mais importantes do país.

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Essa última, no entanto, deixou o espaço após o avanço da influência do governo sobre a gestão do centro cultural — e é justamente essa a temática que tem causado revolta na classe artística e causado cancelamentos de apresentações marcadas.

Há cerca de um ano, o chefe da Casa Branca foi nomeado presidente do conselho da entidade. Com isso, ele reformulou todo o conselho curador, que passou a ser presidido pelo próprio Trump.

Entre os integrantes que entraram no conselho, aparecem nomes como Usha Vance, esposa do vice-presidente do país, JD Vence, e a chefe de Gabinete da Casa Branca, Suzie Wiles.

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Com isso, até mesmo o nome da instituição acabou alterado na placa de entrada, para: Trump-Kennedy Center, embora a troca ainda não seja oficial, pois foi questionada na justiça.

Por isso, uma série de artistas começaram a cancelar as apresentações que estavam marcadas para acontecer lá, muitas com os ingressos já esgotados, diga-se de passagem.

O caso mais simbólico envolve o compositor Philip Glass. Há seis anos, a Orquestra Sinfônica Nacional encomendou ao músico uma sinfonia em homenagem a Abraham Lincoln, como parte das celebrações pelos 50 anos do John F. Kennedy Center for the Performing Arts, comemorados em 2022.

A obra não ficou pronta dentro do prazo, mas a Sinfonia nº 15 de Glass tinha estreia mundial prevista com a própria orquestra em junho deste ano.

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Na última terça-feira (27), Glass avisou ao Kennedy Center que não queria que a sinfonia, baseada no Discurso do Liceu de Abraham Lincoln, fosse apresentada no local. Em carta, o compositor afirmou que a Sinfonia nº 15 entra em conflito com os valores hoje representados pela instituição e pediu que a obra não fosse executada.

Junta-se ao rechaço ao Trump a postura adotada pela direção da Orquestra Sinfônica Nacional diante do avanço do republicano. Parte dos artistas defendia que a orquestra seguisse o exemplo da Ópera Nacional de Washington e deixasse o Kennedy Center, mas a escolha da gestão foi permanecer no local, o que é lido como endosso à gestão Trump.

Ao lado de Glass estão outros nomes de peso, como a soprano Renée Fleming, vencedora do Grammy, que decidiu não se apresentar em um concerto com James Gaffigan e a Orquestra Sinfônica Nacional, previsto para maio deste ano.

Além dela, integram esse coro de recusas o Quarteto Brentano com Hsin-Yun Huang, o Vocal Arts DC, a Companhia de Dança Martha Graham, a compositora Sonia De Los Santos, o banjista Béla Fleck, entre outros artistas.

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Protestos de artistas contra Trump

Além disso, a classe artística também tem sido vocal no posicionamento contra o presidente dos EUA. No Festival de Cinema de Sundance, vários artistas usaram broches com a inscrição “ICE out” (“fora ICE”, em português).

Ice é a sigla para Immigration and Customs Enforcement, a agência federal responsável pela aplicação das leis de imigração e deportação nos Estados Unidos.

Nomes como: Edward Norton, Natalie Portman, Olivia Wilde e Billie Eilish estão nessa lista. Esta última, cantora pop vencedora de Grammys e um Oscar, fez um discurso poderoso durante o evento:

“Estamos vendo nossos vizinhos sendo sequestrados, manifestantes pacíficos sendo agredidos e mortos, nossos direitos civis sendo retirados, recursos para combater a crise climática sendo cortados em favor dos combustíveis fósseis e da agropecuária animal que está destruindo o nosso planeta, e o acesso das pessoas à alimentação e à saúde se tornando um privilégio para os ricos, em vez de um novo direito humano básico para todos os americanos”, disse Eilish.

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As manifestações ocorrem diante da escalada de tensões entre a população norte-americana e o ICE, após operações de imigração federais em Minnesota que resultaram na morte de cidadãos americanos em confrontos com agentes, e que desencadearam protestos massivos no estado, em especial em Minneapolis.

Foram mortos: Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos, e Renne Good, poetisa de 31 anos que tentava se desvencilhar dos agentes e acabou sendo baleada dentro de seu carro. Ela estava desarmada.

No ano passado, a classe artística também se reuniu para promover eventos no movimento “Queda da liberdade”, que consistiu em eventos e apresentações ao redor do país para conscientizar a população sobre o que eles consideram ser medidas autoritárias do governo Trump. Foram cerca de 600 eventos ao redor do país em 2025.

Ontem foi a vez de Bruce Springsteen aderir ao coro. O lendário cantor e compositor norte-americano lançou em suas redes a canção “Streets of Minneapolis”, um protesto contra as ações do ICE com referência a um de seus clássicos, “Streets of Philadelphia”. Confira a seguir o clipe da música.

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Bruce Springsteen - Streets Of Minneapolis (Official Audio)

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