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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

BARRIL DE PÓLVORA

Alerta global: guerra entre EUA e Irã acende o pavio do petróleo e da inflação no mundo. Por que o seu bolso e a Selic estão na linha de fogo?

O investidor está de frente com um mundo mais perigoso; entenda quem ganha e quem perde e o que pode acontecer a partir de agora

Carolina Gama
28 de fevereiro de 2026
20:14 - atualizado às 20:24
Montagem com um gráfico de ações, a bandeira do Brasil e um taque de guerra ao centro
Imagem: Adobe Stock/Montagem Giovanna Figueredo

"Se você olhar por muito tempo para um abismo, o abismo olhará de volta para você". A frase do filósofo alemão Friedrich Nietzsche representa bem o que pode acontecer com os mercados a partir da noite deste domingo (1), quando o petróleo volta a ser negociado no exterior e as bolsas na Ásia iniciam a semana.  

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O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã — quarto maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) — não é apenas mais um episódio de tensão geopolítica: é o gatilho para uma potencial interrupção no fornecimento global de energia, que pode não só jogar uma pá de cal no otimismo dos mercados, como ser a janela para uma espiral inflacionária.  

Após os ataques deste sábado (28), o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, foi morto, segundo autoridades autoridades israelenses e o próprio presidente norte-americano, Donald Trump.  

Em resposta, Teerã fechou o Estreito de Ormuz, por onde escoa mais de 20 % do petróleo do mundo. Essa não é a primeira vez que a passagem vital para o escoamento da commodity é fechado e, como em junho do ano passado, os analistas se sentaram para fazer as contas. 

Os cálculos iniciais indicam que o barril de petróleo Brent — usado como referência no mercado internacional e pela Petrobras (PETR4) — deve iniciar as negociações deste domingo com uma alta entre US$ 5 e US$ 7 o barril. 

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Mas o consenso indica que se o estreito seguir fechado por mais tempo, o barril do Brent, que encerrou a sexta-feira (27) cotado a US$ 72,80 poderá passar dos US$ 100.  

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Em nota aos clientes, o Barclays diz que é altamente provável que o preço do petróleo suba a US$ 100 o barril ou mais caso ocorram grandes interrupções por conta do fechamento de Ormuz ou impactos a campos petrolíferos sauditas. 

Para o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, as implicações podem ir além do mercado de petróleo e chegar à inflação global.  

"Qualquer ameaça a esse fluxo tem potencial de encarecer o barril rapidamente, o que se traduz em aumento nos preços dos combustíveis, elevação do custo do frete internacional e pressão indireta sobre cadeias produtivas inteiras", afirma ele em relatório.  

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Segundo Cruz, se a situação escalar, a inflação tende a ganhar força na Europa, nos EUA e em diversas outras economias, o que pode adiar ou até inviabilizar cortes de juros que estavam no radar. 

Estimativas da Capital Economics apontam que o conflito pode adicionar de 0,6 a 0,7 ponto percentual (pp) à inflação mundial. 

O Brasil não escapa da guerra entre EUA e Irã

Embora os efeitos imediatos devam ser sentidos na Europa e nos EUA, o Brasil não deve passar ileso.  

A dependência brasileira do transporte rodoviário implica que a alta do petróleo encarece os combustíveis, especialmente o diesel, e se transforme rapidamente em preços mais elevados de frente, encarecendo o preço dos alimentos nos supermercados. 

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O resultado desse efeito em cascata poderá ser sentido na política monetária. Justo quando o mercado aguardava o início do corte da Selic, a pressão inflacionária vinda do petróleo pode forçar o Banco Central a manter os juros altos por mais tempo, encurtando o ciclo de afrouxamento que deveria começar neste mês. 

O refúgio no ouro e as ações da Petrobras 

Com o risco de insolvência e caos logístico — onde até seguradoras podem parar de cobrir o tráfego de navios-tanque — o capital deve fugir para a segurança.  

O ouro, que já acumulou alta de 60% em 2025, é o destino natural. Bancos já projetam o metal alcançando patamares entre US$ 6.000 e US$ 7.200 a onça. 

Na sexta-feira (17), o ouro já havia fechado em alta, em sinal da aversão ao risco diante das tensões entre EUA e Irã.  

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Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril encerrou em alta de 1,03%, a US$ 5.247,90 por onça-troy. Já a prata para março teve alta de 6,53%, a US$ 92,68 por onça-troy.  

Na semana, houve avanço de 2,4% e 10,4%, respectivamente. No mês, o ouro ganhou 10,6% e a prata, 18%. 

Mas não é só o ouro que tende a subir diante dos recentes acontecimentos no Oriente Médio. As ações das petroleiras, entre elas, as da Petrobras (PETR4) têm grandes chances de disparar quando começarem a ser negociadas na segunda-feira (2). 

E não é muito difícil de imaginar que preços mais altos do petróleo são positivos para a estatal, já que implica no aumento das receitas.  

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Mais que isso: o petróleo mais caro ajuda na geração de caixa e na distribuição de dividendos não só da estatal como de outras petroleiras como a Prio (PRIO3).   

Para as bolsas, a narrativa da escalada das tensões entre Israel, Irã e EUA é outra: a tendência é de que os investidores fujam dos ativos de risco e busquem abrigo em ativos considerados porto seguro — além do ouro, o dólar. E o Ibovespa pode não escapar desse movimento. 

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