Vale (VALE3) sob pressão: Citi diz o que está no caminho da mineradora; saiba o que fazer com a ação agora
Entenda como os preços do minério de ferro e do níquel devem mexer com o desempenho da companhia no terceiro trimestre — e o papel do cobre nessa equação

Os preços mais baixos do minério de ferro e do níquel devem tirar força do balanço da Vale (VALE3) no terceiro trimestre de 2026. Na prévia dos resultados, o Citi projeta um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de US$ 3,39 bilhões, queda de 17% sobre o trimestre anterior e de 23% na comparação anual.
Além da pressão sobre a rentabilidade, o banco chama atenção para a produção. Segundo os analistas, a mineradora caminha para encerrar 2026 perto do piso da faixa de projeção, de 335 milhões a 345 milhões de toneladas de minério de ferro. E, mesmo para alcançar a parte inferior dessa meta, a companhia precisará recuperar o ritmo no quarto trimestre.
Para o período de julho a setembro, o Citi estima uma produção de 89 milhões de toneladas, alta de 5% sobre o trimestre anterior, mas queda de 6% na comparação anual. Já as vendas devem atingir 86 milhões de toneladas, avanço de 8% no trimestre e estabilidade em relação ao mesmo período de 2025.
A mineradora divulga os resultados do trimestre no dia 29 de outubro. A mineradora também apresenta os dados de produção no mesmo dia.
A queda nos resultados da Vale
O banco estima um preço realizado de US$ 88 por tonelada de finos de minério de ferro, ante US$ 95 no segundo trimestre e US$ 94 um ano antes. Esse indicador representa o preço que a Vale efetivamente obtém nas vendas, que pode diferir da cotação de referência da commodity.
Com essa pressão, o Ebitda do segmento de minério de ferro e ferrosos deve recuar para US$ 2,62 bilhões, queda de 14% no trimestre e de 34% na comparação anual.
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Na produção, o Citi aponta dificuldades em Carajás, em um cenário ainda sem atualização sobre a legislação de cavernas. A estimativa para o sistema é de 45 milhões de toneladas, recuperação de 14% sobre o segundo trimestre, mas recuo de 9% em relação a um ano antes.
Além disso, as retomadas de operações no sistema Sul avançam mais lentamente do que o esperado, segundo os analistas.
Os custos também merecem atenção. O banco prevê que ficará mais caro entregar o minério de ferro na China em relação ao trimestre anterior, muito em razão do avanço do preço do petróleo. Isso deve acontecer mesmo com a queda do custo C1 — indicador de quanto a Vale gasta para produzir cada tonelada de minério, sem incluir o frete marítimo até o cliente.
Segundo o Citi, o transporte mais caro deve compensar essa economia na produção. Embora a maior parte da despesa com frete conte com proteção contra oscilações de preços, uma parcela ainda está sujeita às cotações do mercado à vista.
Esse já foi um ponto de atenção no balanço do segundo trimestre da Vale e o próprio CEO da mineradora, Gustavo Pimenta, deixou claro que o preço do petróleo é um dos elementos centrais para o desempenho da companhia nos próximos meses. Você pode entender mais detalhes nesta reportagem do Seu Dinheiro.
Cobre ajuda, níquel perde fôlego
O contraponto deve vir do cobre, que já vem mostrando um desempenho forte nos últimos trimestres e é justamente uma das maiores apostas da Vale para crescer nos próximos anos. A projeção é de US$ 988 milhões de Ebitda, avanço de 61% na comparação anual, embora com queda de 4% sobre o segundo trimestre.
O Citi trabalha com um preço de US$ 14.200 por tonelada, ante US$ 13.317 no trimestre anterior e US$ 9.450 um ano antes. Os valores mais altos devem compensar o impacto das manutenções programadas, que contribuem para a previsão de queda de 10% na produção trimestral, para 88 mil toneladas.
Já no níquel, o aumento dos volumes não deve impedir uma perda de rentabilidade em relação ao segundo trimestre. O banco estima vendas de 50 mil toneladas, alta de 11% no trimestre, mas um preço de US$ 16.600 por tonelada, abaixo dos US$ 18.080 do período anterior.
Com isso, o Ebitda do segmento deve ficar próximo de zero, em US$ 86 milhões — queda de 71% sobre o segundo trimestre, mas alta de 17% na comparação anual.
As projeções do Citi para a Vale
A receita líquida deve ficar praticamente estável, em US$ 10,47 bilhões. Mas a margem Ebitda ajustada deve recuar para 32%, ante 39% no segundo trimestre e 42% um ano antes, indicando que uma parcela menor das vendas se converterá em resultado operacional.
O banco também projeta lucro líquido de US$ 1,49 bilhão, alta de 9% sobre o trimestre anterior, mas queda de 44% na comparação anual.
A geração de caixa também deve perder força. O fluxo de caixa livre ajustado, que considera os recursos gerados após os investimentos, é estimado em US$ 1,09 bilhão, queda de 32% tanto na comparação trimestral quanto na anual.
Apesar da expectativa de um trimestre mais fraco, o Citi mantém a recomendação de compra para a Vale.
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