Grupo Mateus (GMAT3), Vulcabras (VULC3) e outras: por que a economia nem precisa melhorar tanto para estas ações decolarem logo
BTG destaca papéis com posições vendidas elevadas que podem ter a alta reforçada por recompras; resultado eleitoral abre espaço para reavaliação do varejo

Nem toda ação do varejo precisa esperar uma transformação da economia brasileira para ganhar fôlego na bolsa . Para alguns papéis, basta que o ânimo nos mercados em relação à eleição continue. Para o BTG Pactual, esse pode ser o caso de Grupo Mateus (GMAT3), por exemplo.
Isso porque o pessimismo sobre os rumos da economia do país é um dos motivos que explicam o grande volume de investidores apostando na queda dos papéis da rede de supermercados.
Se a euforia observada nos mercados logo após o primeiro turno continuar, o banco avalia que investidores que apostavam na queda dessas ações podem precisar recomprá-las para limitar perdas e devolver os papéis que tomaram emprestados. Essas compras podem acelerar a alta das cotações, em um movimento conhecido como short squeeze.
Isso também pode beneficiar ações como Smart Fit (SMFT3), Vulcabras (VULC3), Track&Field (TFCO4) e Vivara (VIVA3), que se destacam pelo tamanho dessas apostas em relação ao volume negociado.
Mesmo assim, quando o horizonte vai além da reação às eleições e das expectativas de juros menores, a seleção do banco muda. Para atravessar a incerteza macroeconômica, o BTG prefere Raia Drogasil (RADL3), Smart Fit (SMFT3) e Panvel (PNVL3), apoiadas em crescimento estrutural e oportunidades de ganhar participação de mercado.
Grupo Mateus e outras: quem pode ganhar no curto prazo
Segundo o BTG, o resultado do primeiro turno abriu espaço para os investidores reavaliarem os cenários para as contas públicas, os juros e o crescimento. Com pouca exposição ao varejo e expectativas baixas, uma redução na percepção de risco pode provocar uma reação expressiva nas ações.
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Esse movimento pode ganhar força nos papéis com posições vendidas elevadas. Quem aposta na queda vende ações tomadas emprestadas, com a intenção de recomprá-las mais baratas depois. Se a cotação sobe, porém, o investidor pode precisar comprar os papéis para limitar perdas — acrescentando demanda e reforçando a valorização.
O Grupo Mateus lidera os destaques do relatório pelo indicador days to cover, que relaciona o volume de posições vendidas à negociação média diária:
| Empresa | Dias para cobertura das posições vendidas |
|---|---|
| Grupo Mateus (GMAT3) | 13,0 |
| Smart Fit (SMFT3) | 9,1 |
| Vulcabras (VULC3) | 7,9 |
| Track&Field (TFCO4) | 6,3 |
| Vivara (VIVA3) | 6,2 |
Fonte: BTG Pactual, relatório de 5 de outubro de 2026.
O número estima quantos dias seriam necessários para recomprar todas essas posições caso todo o volume médio diário fosse destinado a isso. Não é um prazo obrigatório nem uma garantia de short squeeze, mas ajuda a dimensionar as apostas na queda em relação à liquidez dos papéis.
Na leitura do banco, quando avaliações deprimidas, sensibilidade à economia doméstica e posições vendidas elevadas se encontram, uma melhora das expectativas pode gerar dois impulsos: investidores dispostos a pagar mais pelas ações e a compra de quem estava apostando contra elas.
Assaí, Magazine Luiza, C&A e Renner: a aposta na virada dos juros
Além da possibilidade disso, o BTG identifica uma oportunidade nas empresas mais sensíveis às condições da economia brasileira. Nesse grupo, os principais nomes são Assaí (ASAI3), Magazine Luiza (MGLU3), C&A (CEAB3) e Lojas Renner (LREN3).
Os lucros, os balanços e os múltiplos dessas companhias respondem especialmente aos juros, à disponibilidade de crédito e às expectativas dos consumidores. Uma redução dos prêmios de risco e uma curva de juros mais favorável podem, portanto, impulsionar as cotações antes de a melhora aparecer nos resultados.
Os descontos ajudam a sustentar essa tese. Segundo os analistas, a C&A é negociada a 5,1 vezes o lucro estimado para 2027, enquanto a Renner está em 6,7 vezes. A mediana das ações cobertas pelo banco era de aproximadamente 8 vezes.
A oportunidade, aqui, está em antecipar uma eventual recuperação: o mercado pode rever quanto aceita pagar pelas empresas mesmo enquanto o ambiente operacional permanece difícil.
Para o longo prazo, o BTG prefere crescimento estrutural
A estratégia preferida do banco para enfrentar a persistente incerteza macroeconômica, porém, está em empresas com motores próprios de expansão. Raia Drogasil, Smart Fit e Panvel são os exemplos mais claros apontados pelos analistas.
A escolha se apoia na combinação de crescimento estrutural, oportunidades de conquistar participação de mercado e capacidade de expandir lucros e criar valor ao longo do tempo. Esses fatores reduzem a dependência de uma virada favorável dos juros ou do ciclo eleitoral para sustentar a tese de investimento.
A Smart Fit aparece nas duas frentes: chama a atenção pelo indicador de posições vendidas e, ao mesmo tempo, integra o grupo preferido pelo BTG por suas perspectivas estruturais.
Para o investidor, a decisão envolve escolher entre pagar mais por crescimento e resiliência ou aproveitar ações descontadas e mais sensíveis a uma melhora do Brasil. O banco prefere a primeira abordagem para proteger as carteiras da incerteza, embora reconheça um potencial de reação mais acentuada na segunda.
A expectativa pode levantar as ações; os fundamentos precisam sustentar a alta
O resultado eleitoral não elimina os obstáculos do varejo. O BTG ressalta que os juros permanecem elevados, as famílias estão endividadas, a inflação acumulada corroeu o poder de compra e a concessão de crédito segue cautelosa. A concorrência também está mais intensa em vários segmentos.
Por isso, uma mudança de percepção pode ser suficiente para dar a largada nas cotações — e a cobertura de posições vendidas pode acelerar o movimento. Para a valorização se sustentar, porém, o banco considera necessário que o alívio no risco político se traduza em juros menores, melhores condições de crédito e consumidores mais confiantes.
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