Banrisul (BRSR6) ainda não conquistou o UBS BB — mas apostar contra a ação ficou mais difícil; analistas elevam recomendação
Analistas deixaram a recomendação de venda para trás e veem espaço para melhora da rentabilidade do banco

O Banrisul (BRSR6) ainda não é uma compra aos olhos do UBS BB. Mas a ação chegou a um ponto em que, na avaliação dos analistas, já não faz tanto sentido apostar contra ela.
O banco elevou a recomendação de venda para neutra e subiu o preço-alvo de R$ 15,50 para R$ 18,10. A cifra implica uma alta potencial de até xx% em relação ao último fechamento.
A mudança não representa uma virada otimista. O UBS BB entende que a cotação já incorpora uma rentabilidade próxima daquela que considera sustentável para o Banrisul no longo prazo, limitando o espaço para uma nova deterioração relevante do papel.
A partir daqui, a história pode depender menos de quanto a ação ainda pode cair e mais de quanto o banco consegue melhorar sua operação.
A principal carta na manga está na margem financeira (NIM), que hoje está bem abaixo da média histórica e pode se recuperar gradualmente nos próximos anos.
BRSR6: o que já está no preço?
O Banrisul é negociado atualmente a cerca de 0,6 vez o valor patrimonial projetado para 2027 e 5,4 vezes o lucro estimado para o mesmo ano. Entre os bancos médios acompanhados pelo UBS BB, as médias são de 1,1 vez e 6,3 vezes, respectivamente.
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O desconto não é exatamente uma surpresa, segundo os analistas. Afinal, o Banrisul apresenta rentabilidade inferior à de parte dos pares, o que naturalmente limita o múltiplo que o mercado aceita pagar pela ação.
O ponto levantado pelo UBS BB é que esse desconto já parece razoavelmente incorporado à cotação. Por isso, embora os analistas não enxerguem uma grande expansão de múltiplo pela frente, também consideram mais limitado o espaço para uma nova compressão.
A próxima peça do quebra-cabeça do Banrisul
No segundo trimestre de 2026, a margem financeira líquida (NIM) do Banrisul ficou em 4,2%, bem abaixo da média de 6,2% dos últimos dez anos.
Parte dessa diferença vem de fatores que pressionaram o banco nos últimos anos, como o teto de juros do cheque especial e os spreads historicamente baixos do crédito consignado.
Mas o UBS BB vê espaço para uma recuperação gradual conforme o Banrisul use melhor seu balanço e mude a composição da carteira.
Um dos sinais está na relação entre crédito e depósitos, de 61%, bem abaixo dos cerca de 99% dos pares brasileiros. Na visão dos analistas, isso indica espaço para aumentar gradualmente a participação do crédito no balanço.
A carteira de pessoas físicas também está mudando. O consignado, que representava 80% do varejo em 2021, hoje responde por cerca de 65%. A expectativa é que produtos potencialmente mais rentáveis, como cartões e empréstimos pessoais, ganhem espaço.
Banrisul: recuperação, mas sem volta ao passado
A tese do UBS BB não depende de o Banrisul recuperar os níveis de rentabilidade de seus melhores anos. O cenário é mais modesto: uma normalização gradual das margens.
Os analistas projetam que o NIM avance de 4,3% em 2026 para 5% em 2029. Mesmo assim, a margem continuaria abaixo da média histórica de 6,2%.
Ainda assim, a diferença já seria suficiente para fazer alguma diferença no resultado. O UBS BB estima que o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) passe de 9,3% em 2026 para 11,8% em 2029.
A sensibilidade também chama atenção: segundo os analistas, cada 1 ponto percentual de aumento no NIM acrescentaria aproximadamente 1,3 ponto percentual ao ROAE.
E os dividendos?
Enquanto essa recuperação não se materializa, os dividendos ajudam a sustentar a tese neutra para a ação.
O Banrisul manteve um payout de 40% em 2026, em linha com a expectativa do UBS BB.
Para os analistas, um ROAE médio próximo de 12% ao longo dos próximos dez anos seria compatível com uma distribuição nessa faixa.
O banco também teria espaço para concentrar a distribuição em juros sobre capital próprio (JCP), diante do atual nível de rentabilidade, o que pode trazer vantagens tributárias.
Na avaliação do UBS BB, isso ajuda a manter um retorno com dividendos (dividend yield) atrativo e oferece algum suporte à ação enquanto a melhora operacional ainda precisa aparecer nos resultados.
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