Endividada, Raízen (RAIZ4) perde grau de investimento da Fitch, com corte na nota de crédito
A Fitch estima que a companhia tenha cerca de R$ 10,5 bilhões em dívidas com vencimento nos próximos 18 meses, o que amplia o risco de refinanciamento

A Raízen (RAIZ4) está passando por maus bocados. A produtora de etanol busca assessores para encontrar alternativas ao seu alto endividamento, vê os investidores fugirem de suas debêntures e, agora, foi rebaixada pela Fitch Ratings.
A agência de classificação de risco cortou a classificação para os títulos de longo prazo da Raízen S.A. e da Raízen Energia S.A. de ‘BBB-’ para ‘B’, mantendo a observação negativa. A agência também cortou os ratings nacionais da Raízen (RAIZ4), que passaram de ‘AAA(bra)’ para ‘BBB-(bra)’, além de rebaixar as notas de dívidas seniores no mercado internacional.
A empresa também perdeu o grau de investimento pelas três principais agência de classificação de risco (S&P, Fitch e Moody’s).
Por que investir na Raízen ficou mais arriscado
A Fitch estima que a companhia tenha cerca de R$ 10,5 bilhões em dívidas com vencimento nos próximos 18 meses, o que amplia o risco de refinanciamento, especialmente em um cenário de juros elevados.
O rebaixamento também reflete a falha dos principais acionistas em realizar um aporte de capital relevante dentro do prazo previsto, após os ratings terem sido colocados em observação negativa em outubro de 2025. Suas controladoras são a Cosan (CSAN3) e a Shell.
A agência projeta que a alavancagem deve seguir elevada: a relação entre dívida bruta e Ebitda deve ser de 5,4 vezes nos próximos anos, e entre dívida líquida e Ebitda próxima de 5,0 vezes. Esse patamar é considerado alto para o setor e compatível com a categoria ‘B’.
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Investimentos elevados e despesas financeiras devem manter o fluxo de caixa livre negativo até 2027, sem expectativa de pagamento de dividendos no período.
A empresa também deve ter uma piora nos resultados, acredita a Fitch, citando preços mais baixos do açúcar, impacto cambial negativo e menor volume de moagem após a venda de ativos.
Além do rebaixamento, a Raízen manteve a observação negativa, por causa da incerteza quanto à sua capacidade de levantar recursos via venda de ativos ou eventual suporte dos acionistas, Cosan e Shell, no curto prazo.
Hoje (9), a companhia anunciou que está buscando assessores financeiros e legais para avaliar alternativas para solucionar o seu endividamento crescente e queima de caixa contínua.
Segundo a Fitch, uma eventual melhora do rating dependeria de uma redução consistente da alavancagem e do fortalecimento da estrutura de capital, cenário considerado improvável no curto prazo.
- Leia também: Raízen (RAIZ4) non grata: investidores vendem debêntures da empresa com prejuízo, diante de maior percepção de risco
Qual a situação da Raízen
A Raízen enfrenta um cenário de alto endividamento, com a dívida líquida atingindo R$ 53,4 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/26 — aumento de 48,8% em relação ao ano anterior.
Além disso, ela sofreu mudanças relevantes no seu conselho. Na fim de janeiro, a companhia comunicou que recebeu carta de renúncia apresentada por Brian Paul Eggleston, do cargo de membro do conselho de administração da companhia. A acionista Shell Brazil Holding BV (Shell) indicou Jorrit Jan Witte Van Der Togt como novo membro.
Menos de uma semana depois, a empresa informou o mercado sobre a renúncia de Sonat Burman-Olsson do cargo de conselheira. Em comunicado, a empresa acrescentou que ainda informará ao mercado sobre a nomeação.
Com Money Times
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