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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

COM A PALAVRA, O CEO

“Queremos evitar que a sociedade sofra”, diz CEO do Itaú (ITUB4) sobre crise do Banco Master e rombo no FGC

Em coletiva com jornalistas sobre o balanço do quarto trimestre, Milton Maluhy Filho afirma que o sistema terá de pagar a conta — e critica plataformas que empurraram risco ao investidor

Camille Lima
Camille Lima
5 de fevereiro de 2026
11:20 - atualizado às 11:09
CEO do Itaú Unibanco (ITUB4), Milton Maluhy Filho.
CEO do Itaú Unibanco (ITUB4), Milton Maluhy Filho. - Imagem: Divulgação

A crise no Banco Master continua no centro das discussões entre os maiores bancos do país e invadiu, mais uma vez, as teleconferências de resultados.

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O motivo não é apenas a queda do conglomerado, mas o tamanho da conta deixada para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo o CEO do Itaú Unibanco (ITUB4)Milton Maluhy Filho, o fundo será recomposto. O desafio é fazer isso sem transferir o custo para a sociedade. 

A fala vem em meio à ruína do conglomerado Master e à liquidação de instituições ligadas ao banco de Daniel Vorcaro — um episódio que drenou quase metade do patrimônio do FGC para indenizar investidores dos CDBs.  

CEO do Itaú fala sobre impacto da crise do Banco Master 

Com o uso intensivo do FGC, os grandes bancos serão obrigados a recapitalizar o fundo. No entanto, o custo e o modo da contribuição ainda estão em definição. A expectativa é que a conta para instituições como o Itaú chegue em torno de R$ 7 bilhões. 

“Quase metade das reservas do fundo foi consumida. Nossa visão, como sistema financeiro, é que o FGC precisa ser recapitalizado — e ele será capitalizado para estar preparado diante de um novo evento de crédito”, afirmou Maluhy, em entrevista coletiva com jornalistas nesta quinta-feira (5). 

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A questão é que a forma de recompor esse colchão ainda está em aberto. Segundo o executivo, os detalhes da capitalização seguem em discussão dentro do próprio FGC e também no Banco Central. 

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“Há um processo de debate intenso nas últimas semanas, envolvendo bancos e associações. Nosso principal objetivo é atenuar ao máximo o custo desse aporte, para que ele não gere impacto no custo de captação dos bancos, nos juros dos empréstimos ou no preço dos investimentos para o consumidor final”, disse. 

Nas palavras de Maluhy, a conta existe, não desaparece — mas o esforço agora é encontrar mecanismos mais inteligentes para pagá-la, sem transferir o peso diretamente para quem toma crédito ou investe. 

Os riscos de um novo Master no Brasil  

A crise do Master também reacendeu um debate mais profundo: como impedir que um novo caso semelhante volte a ganhar escala no mercado brasileiro.

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“Não podemos permitir que um evento dessa magnitude aconteça novamente da forma como ocorreu. Há aprendizados para todos os agentes envolvidos”, afirmou.  

Segundo ele, o FGC — criado nos anos 1990 para proteger investidores em casos de liquidação bancária — acabou sendo desvirtuado ao longo do tempo, especialmente com a evolução das plataformas abertas de investimentos. 

Quem ajudou a despejar CDBs do Master no mercado?

Sem citar nomes diretamente, o CEO do Itaú fez críticas duras a bancos e plataformas que distribuíram títulos do Banco Master e de outras empresas que mais tarde enfrentaram dificuldades financeiras, como a Ambipar (AMBP3). 

“Algumas plataformas passaram a usar o FGC como um modelo de alavancagem de negócios, viabilizando estruturas que não se sustentam no longo prazo”, afirmou. “Interesses próprios vieram à frente dos interesses do sistema.” 

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Segundo Maluhy, esse modelo deixou como herança uma conta de cerca de R$ 55 bilhões para o sistema financeiro. “São esses abusos que nós evitamos cometer”, afirmou. “Problemas de crédito e de gestão existem em qualquer sistema. O que vimos aqui foram também falhas operacionais e modelos de negócio questionáveis.” 

Na avaliação do CEO do Itaú, o Banco Central tem capacidade técnica para rever regras e fechar brechas regulatórias, inclusive com base em experiências internacionais, a fim de mitigar o risco de episódios semelhantes no futuro, usando inclusive normas internacionais como referência. 

"Nunca distribuímos um CDB do Banco Master ou do Banco Máxima por convicção, nem COEs da Ambipar”, disse o CEO do Itaú.  

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