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Para o maior banco de investimentos do país, o problema não está na distribuição — mas no uso excessivo do FGC como motor de crescimento
Após semanas de críticas cruzadas e “alfinetadas” públicas entre executivos do sistema financeiro, o BTG Pactual (BPAC11) resolveu sair do modo silencioso e entrar de vez no debate. O recado do CEO, Roberto Sallouti, é que o problema exposto pela crise do Banco Master não está na vitrine — está no caixa.
Na leitura do maior banco de investimentos do país, o episódio não revela uma falha do modelo de distribuição de produtos financeiros nem do uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em si.
O que veio à tona, segundo os executivos do BTG, foi uma distorção no uso do instrumento: a dependência excessiva — e abusiva — do seguro como motor de crescimento.
“O instrumento do FGC não pode ser demonizado por conta do erro de uma instituição”, afirmou o CEO do BTG, ao comentar o caso durante a teleconferência de resultados do banco.
“Os eventos recentes do Banco Master mostram, na verdade, uma oportunidade de melhorar a regulamentação e a supervisão”, acrescentou.
A crise no Banco Master acendeu um debate no sistema financeiro brasileiro: até onde bancos médios e pequenos podem — e devem — se apoiar no FGC para crescer?
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E, principalmente, em que momento esse apoio deixa de funcionar como proteção ao investidor e passa a incentivar uma tomada de risco excessiva?
Há poucos dias, o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, teceu duras críticas a bancos e plataformas que distribuíram títulos do Banco Master e de outras empresas que mais tarde enfrentaram dificuldades financeiras, como a Ambipar (AMBP3).
Sem citar nomes diretamente, o executivo afirmou que “interesses próprios vieram à frente dos interesses do sistema” e deixou como herança uma conta de cerca de R$ 55 bilhões para o sistema financeiro.
Embora o BTG tenha sido apontado como uma das instituições que mais distribuíram CDBs do Banco Master antes da crise, a administração afirma que os alertas internos surgiram bem antes do desfecho do caso.
Segundo o diretor financeiro (CFO), Renato Hermann Cohn, já no início de 2024 o banco começou a identificar dificuldades na análise do balanço da instituição de Daniel Vorcaro.
“Houve um exagero”, afirmou. “Diante disso, iniciamos um processo de educação e aconselhamento com os nossos clientes, para que permanecessem dentro dos limites do FGC e de uma alocação saudável de portfólio. Depois, passamos a impedir novas posições.”
A resposta, de acordo com Cohn, foi gradual. Primeiro, o BTG reduziu a oferta dos papéis. Em seguida, passou a restringir novas posições. Por fim, em outubro de 2024, decidiu interromper completamente a distribuição dos CDBs do Banco Master.
Na avaliação do BTG, é importante separar as coisas. Para a administração do banco, as plataformas de investimento — que ganharam escala ao permitir que investidores pessoas físicas tivessem acesso a produtos de bancos médios e pequenos — não são a raiz do problema.
“O erro não está na distribuição”, reforçou Cohn. “Está no que o banco fez com o dinheiro captado.”
Para os executivos do BTG, o caso Master escancarou uma fragilidade do sistema: o uso do FGC como principal alavanca de captação, sem a contrapartida de uma gestão de risco, de capital e de liquidez à altura.
Esse abuso, segundo eles, “precisa ser coibido” — mas isso não significa enfraquecer o instrumento nem desmontar o modelo que democratizou o acesso aos investimentos no Brasil.
Pelo contrário. A visão do banco é de que o desafio agora é calibrar melhor as regras — preservando o que funcionou e corrigindo os excessos.
“O FGC tem um objetivo dual”, explicou o CEO, Roberto Sallouti. “Proteger o investidor e fomentar a concorrência, inclusive de instituições que não têm acesso a grandes volumes de investimento institucional.”
Hoje, essa proteção é limitada a R$ 250 mil por CPF e por conglomerado — um teto que, segundo o BTG, precisa ser respeitado tanto pelos bancos quanto pelos investidores.
Parte da preocupação do BTG é que a reação ao caso Master acabe gerando um efeito colateral indesejado: um retorno ao passado, quando o investidor tinha poucas opções além do balcão do próprio banco.
“Antes das plataformas, o cliente precisava ir até sua agência para comprar um CDI”, diz Sallouti. “As plataformas ampliaram o acesso, trouxeram ofertas mais competitivas e estimularam a concorrência. Precisamos tomar cuidado para que novas regras não tornem o modelo inviável.”
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