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PROTEÇÃO ATIVADA

Apesar da pressão nos custos, Vale (VALE3) conta como economizou até US$ 3 bilhões no 3T26; ação sobe mesmo com balanço fraco

Em teleconferência, mineradora detalhou estratégias para controlar custos, proteger margens e enfrentar a volatilidade de insumos, enquanto analistas avaliam os resultados do terceiro trimestre e as perspectivas para os próximos meses

vale vale3 minério de ferro prévia operacional 3t24
Vale (VALE3) na bolsa - Imagem: Canva/Montagem

A Vale (VALE3) espera que a pressão sobre os custos operacionais perca força no quarto trimestre de 2026 (4T26), após os impactos registrados entre julho e setembro deste ano. A companhia avalia que os indicadores devem permanecer estáveis no período, mesmo diante das oscilações nos preços de insumos e combustíveis.

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Durante teleconferência com o mercado realizada nesta sexta-feira (30), a administração da mineradora explicou como vem utilizando ferramentas financeiras e ajustes operacionais para reduzir os efeitos da inflação e preservar a competitividade do negócio.

Um dos destaques foi a estratégia de proteção contra a volatilidade do mercado. Segundo a companhia, as iniciativas relacionadas ao transporte marítimo permitiram evitar aproximadamente US$ 3 bilhões em custos ao longo de 2026.

O CEO Gustavo Pimenta ressaltou que a estratégia da empresa não está concentrada exclusivamente no aumento da produção, mas na eficiência e na rentabilidade das operações. “Nosso foco não é simplesmente produzir mais toneladas, mas entregar os volumes certos, com o custo e a qualidade certos, para maximizar a criação de valor”, afirmou.

Apesar do balanço considerado fraco pelo mercado, a ação da Vale lidera os ganhos do Ibovespa nesta sexta-feira (30):

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Petróleo pressiona custos da Vale

A alta do petróleo foi um dos principais fatores por trás da pressão sobre os custos da mineradora no terceiro trimestre. O avanço da commodity afeta diretamente as despesas com bunker, combustível utilizado pelas embarcações responsáveis pelo transporte marítimo de minério.

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Na comparação anual, o barril do Brent apresentou valorização de aproximadamente 34% no período, alcançando preço médio de US$ 91,29. Já em relação ao segundo trimestre, houve uma queda de 5,6%.

Além da pressão sobre os combustíveis, a Vale também enfrenta um cenário menos favorável para os preços do minério de ferro. A combinação desses fatores exige atenção à estrutura de custos da companhia. Você pode entender esse contexto mais a fundo nesta reportagem do Seu Dinheiro.

Apesar disso, a expectativa da administração é manter as despesas da divisão de minério de ferro dentro dos intervalos estabelecidos para o ano.

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No segundo trimestre de 2026, a empresa havia elevado o guidance de custos. Para o custo caixa C1, que considera os gastos desde a extração do minério até sua chegada ao porto, a estimativa passou para uma faixa entre US$ 22,50 e US$ 23,50 por tonelada.

Já o custo all-in — que incorpora despesas adicionais, incluindo o frete marítimo — foi projetado entre US$ 58 e US$ 62 por tonelada.

Apesar disso, como a Vale conseguiu poupar no 3T26

Para reduzir a exposição às oscilações do mercado, a Vale combina contratos de transporte de longo prazo, operações de hedge e iniciativas voltadas à produtividade. Atualmente, aproximadamente 75% da demanda de transporte marítimo da companhia está protegida por contratos de longo prazo. Para 2027, esse percentual já ultrapassa 80%.

A mineradora também utiliza acordos futuros de frete, conhecidos como FFAs, além de operações de proteção contra variações do petróleo.

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Os resultados dessas iniciativas puderam ser observados nos números do terceiro trimestre. O frete marítimo realizado pela companhia ficou em US$ 22,80 por tonelada. Quando são considerados os efeitos de caixa das operações de hedge de petróleo e dos FFAs, o valor cai para US$ 21,40 por tonelada.

Movimento semelhante aparece no custo all-in do minério de ferro. O indicador foi de US$ 60,40 por tonelada no período, mas recuou para US$ 59 por tonelada após a inclusão dos efeitos das proteções.

A companhia estima que sua estratégia de longo prazo para o transporte marítimo tenha proporcionado uma economia de aproximadamente US$ 3 bilhões em 2026.

Vale amplia proteção contra petróleo e câmbio

A política de hedge também contempla outras variáveis que afetam os resultados da mineradora, como petróleo e câmbio.

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Para o quarto trimestre de 2026, a Vale informou que aproximadamente 70% de sua exposição prevista ao petróleo já estava protegida, a um preço médio próximo de US$ 79 por barril.

Para 2027, a cobertura alcançava cerca de 67% da exposição, com preço médio de aproximadamente US$ 78 por barril. Os valores consideram contratos a termo vinculados ao Brent e ao combustível marítimo.

No mercado de câmbio, a companhia também mantém posições protegidas contra oscilações do real. Para o quarto trimestre, eram aproximadamente US$ 700 milhões em exposição coberta, com taxa média próxima de R$ 5,80 por dólar. Em relação a 2027, a proteção abrangia cerca de US$ 5 bilhões, a uma taxa média de R$ 5,70 por dólar.

De acordo com os dados apresentados pela companhia, o programa de hedge proporcionou US$ 249 milhões em benefícios de caixa no terceiro trimestre. Considerando os nove primeiros meses do ano, o resultado acumulado chegou a US$ 702 milhões.

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Desse total, US$ 456 milhões vieram das operações relacionadas ao petróleo, US$ 210 milhões das proteções cambiais e US$ 36 milhões de outras estratégias.

Além dos instrumentos financeiros, a Vale aposta na própria estrutura operacional para melhorar a eficiência logística.

A composição de sua frota marítima é um dos elementos dessa estratégia. Embarcações de maior porte e com melhor eficiência energética conseguem transportar volumes superiores de minério consumindo menos combustível por tonelada.

O que o mercado achou do balanço?

O balanço da Vale no terceiro trimestre de 2026 trouxe avaliações distintas entre os bancos, mas com um ponto de convergência: a geração de caixa permaneceu resiliente, apesar da deterioração dos resultados da divisão de minério de ferro.

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Itaú BBA, Safra e BTG Pactual consideraram o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) próximo das estimativas, enquanto o BB Investimentos destacou a pressão simultânea dos preços menores e dos custos mais elevados.

A principal preocupação dos analistas esteve concentrada no negócio de minério de ferro. A queda dos preços realizados, somada às restrições operacionais no Sistema Norte, comprometeu o desempenho da divisão.

O avanço das vendas no trimestre, apoiado pelo consumo de estoques, ajudou a amenizar o impacto, mas não eliminou as preocupações com a produção. Nesse contexto, a expectativa da companhia de encerrar o ano no limite inferior do guidance também reforçou a cautela dos bancos.

Do lado dos custos, a avaliação foi mais equilibrada. Embora o custo caixa tenha apresentado melhora em relação ao trimestre anterior, câmbio, diesel e frete marítimo continuaram pressionando as despesas.

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O BTG Pactual ressaltou que os instrumentos de proteção utilizados pela companhia ajudaram a reduzir parte desse impacto. Já o negócio de pelotas apresentou desempenho melhor do que o esperado, favorecido pelo aumento dos embarques.

A divisão de metais básicos foi apontada como um dos destaques positivos do balanço. O desempenho do cobre, beneficiado por preços mais elevados e créditos de subprodutos, contribuiu para compensar parte da fraqueza dos ferrosos.

No níquel, entretanto, os resultados foram menos favoráveis, com custos de manutenção e alimentação pressionando a rentabilidade. O Itaú BBA chamou atenção para a redução da contribuição do segmento no trimestre.

A geração de caixa foi outro ponto de destaque positivo entre as avaliações dos bancos. O fluxo de caixa livre recorrente permaneceu robusto, enquanto a dívida líquida expandida apresentou redução.

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Para o Itaú BBA, os números reforçam a capacidade da Vale de gerar recursos mesmo em um ambiente operacional mais desafiador. O BTG Pactual, por outro lado, ponderou que o nível de alavancagem ainda limita o espaço para distribuições extraordinárias aos acionistas.

Para os próximos trimestres, a perspectiva segue marcada por cautela em relação ao minério de ferro. O BTG Pactual vê fundamentos desafiadores para os preços da commodity e mantém atenção sobre as dificuldades operacionais no Sistema Norte.

O Safra também aponta a fraqueza das cotações como um fator negativo, embora reconheça possíveis compensações vindas do câmbio e de uma recuperação dos preços do cobre.

As recomendações refletem essa diferença de percepção sobre o potencial da ação. Enquanto o BTG Pactual manteve recomendação de compra para a Vale, com preço-alvo de US$ 18 para o ADR, Itaú BBA e Safra adotaram posição neutra.

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Em linhas gerais, os bancos reconhecem a força da geração de caixa e o potencial da divisão de metais para transição energética, mas avaliam que a recuperação dos ferrosos ainda depende de uma melhora nos preços, nos volumes e na execução operacional.

Por que a Vale está subindo mesmo assim?

Para Rodrigo Glatt, sócio-fundador da GTI Administração de Recursos, o desempenho positivo das ações da Vale nesta sexta-feira não deve ser interpretado como uma reação direta ao balanço do terceiro trimestre. Na avaliação do gestor, os resultados mais fracos da mineradora já estavam incorporados aos preços, e a valorização dos papéis reflete principalmente um movimento de reposicionamento dos investidores após as eleições.

“É difícil falar que o balanço está predominando. Estamos passando por uma série de ajustes nas carteiras com o resultado das eleições. A gente vê uma busca maior por proteção e por cases mais líquidos, como a Vale e a Petrobras”, afirmou ao Seu Dinheiro.

Segundo Glatt, a percepção de continuidade da deterioração fiscal aumenta a cautela dos investidores em relação às empresas mais sensíveis à trajetória dos juros. Nesse ambiente, companhias como a Vale passam a ser vistas como alternativas para proteger as carteiras, enquanto ações com maior exposição ao risco doméstico perdem espaço.

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“Com a visão de que o fiscal vai continuar deteriorado, o que tira valor das empresas sensíveis aos juros, o pessoal está tentando se defender nas exportadoras, se livrando das ações que têm risco maior. Estamos vendo mais esse cenário do que o resultado da Vale em si”, explicou Glatt.

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