Nada de dividendos extras: Vale (VALE3) descarta possibilidade, mas CFO revela alternativa que pode agradar acionista
A pressão dos preços do minério de ferro, a alta do petróleo e as incertezas geopolíticas pesaram na decisão; CFO também sinalizou outra estratégia para agradar os investidores

Na teleconferência de resultados deste terceiro trimestre (3T26), a Vale (VALE3) já tirou da mesa qualquer possibilidade de pagamento de dividendos extraordinários aos acionistas neste ano. Durante a conversa, o CFO Marcelo Bacci afirmou que as condições macro impõe maior cautela na alocação de capital.
A companhia divulgou na última quinta-feira (29) o balanço do período entre julho e setembro, que sofreu com a pressão dos preços de minério de ferro mais baixos, enquanto o petróleo rondando a casa dos US$ 100.
“A questão de dividendos extraordinários, para este ano, não deve acontecer, não tanto pela performance do ano e geração de caixa que vem muito bem, mas por todas as incertezas geopolíticas para o ano que vem”, disse Bacci.
Apesar disso, Bacci avaliou que as ações da Vale estão descontadas e destacou os programas de recompra como uma alternativa atrativa para a alocação de capital. Segundo ele, a companhia poderá encontrar oportunidades para recomprar seus papéis nos próximos meses, embora ainda não seja possível antecipar o volume ou o momento das operações.
“A gente acha que vai ter oportunidades nos próximos meses de fazer recompras, mas a gente não pode antecipar nem volume, nem timing”, ponderou.
A recompra de ações pode ser positiva para os acionistas porque reduz a quantidade de papéis em circulação e, consequentemente, aumenta a participação proporcional dos investidores que permanecem na companhia. Além disso, quando a empresa recompra ações por um preço abaixo do valor que considera justo, a operação pode gerar valor para os acionistas no longo prazo.
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O que explica essa decisão da Vale?
O petróleo aparece como um dos grandes fatores que pesam contra a Vale. No trimestre, o barril do Brent, referência internacional, teve preço médio de US$ 91,29, recuo de 5,6% frente aos três meses imediatamente anteriores, mas avanço de 34% na comparação com o mesmo período de 2025.
A alta anual do petróleo impacta a Vale principalmente por meio do bunker, combustível utilizado pelos navios responsáveis pelo transporte marítimo do minério.
Com isso, o custo do frete tende a subir, pressionando as despesas da mineradora. Embora a companhia conte com mecanismos de proteção contra essas oscilações, não consegue eliminar completamente os efeitos da alta do combustível.
Esse efeito já havia sido observado no balanço do trimestre anterior. Na ocasião, a companhia alertou que a cotação do petróleo seria um fator relevante para os resultados seguintes, conforme esta reportagem do Seu Dinheiro.
A alta do petróleo é fruto da guerra persistente no Oriente Médio, entre Irã e Estados Unidos.
Além disso, a companhia sofre com preços fracos do minério de ferro. Neste trimestre, os preços praticados pela Vale caíram 10% em base anual e trimestral, para US$ 85,1 por tonelada.
A fraqueza do minério de ferro é explicada principalmente pela desaceleração da economia chinesa, especialmente nos setores imobiliário e de construção civil, que reduz a demanda por aço e, consequentemente, pela matéria-prima.
Ao mesmo tempo, as siderúrgicas enfrentam margens apertadas e evitam ampliar seus estoques, enquanto os portos chineses acumulam grandes volumes de minério. Do lado da oferta, a produção elevada das grandes mineradoras e a entrada de novos projetos aumentam a disponibilidade da commodity no mercado, pressionando ainda mais as cotações.
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