Após OPA da Helbor (HBOR3), HBR Realty (HBRE3) vende ativos a FII por quase R$ 1 bilhão; ações sobem 6%
Operação envolve participações em três shopping centers e um edifício corporativo; R$ 562,6 milhões serão pagos à vista e o restante, em quatro parcelas anuais

Depois de assumir o controle da Helbor (HBOR3) e encaminhar a saída da incorporadora voltada ao alto padrão da bolsa, a HBR Realty (HBRE3) colocou sobre a mesa mais uma movimentação de peso no mercado imobiliário.
A companhia assinou contratos para vender participações em quatro empreendimentos de seu portfólio por R$ 938 milhões a um fundo imobiliário gerido pela SPX Real Estate, o SPX Portfólio Alfa. Trata-se de um "fundo cetipado", isto é, não listado em bolsa, e sim negociado em mercado de balcão.
A operação abrange 20% do Mogi Shopping, 25% do Suzano Shopping e 50% do Patteo Olinda Shopping, todos centros de compras, além de 90,9% do Lead Corporate Faria Lima, um edifício corporativo.
Na bolsa, as ações da empresa reagiram positivamente à notícia. Por volta das 13h50 (de Brasília), os papéis HBRE3 operavam em alta de cerca de 6%, cotados a R$ 1,90.
A título de comparação, no mesmo horário, o Ibovespa (IBOV), principal índice da B3, recuava 0,31%, aos 167.044 pontos.
Quase R$ 1 bilhão na conta
O pagamento será realizado por etapas. Do preço total da negociação, R$ 562,6 milhões serão quitados à vista, na data de fechamento da transação, prevista para ocorrer até 11 de novembro de 2026.
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Já os R$ 375,1 milhões restantes serão pagos em quatro parcelas anuais e sucessivas de R$ 93,77 milhões cada, corrigidas pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O valor final, portanto, poderá se aproximar de R$ 1 bilhão.
De acordo com o comunicado da HBR, o fundo imobiliário comprador já captou os recursos necessários para cumprir as obrigações financeiras da operação.
Além disso, o saldo devido a prazo será depositado em uma conta vinculada (escrow account), tendo os vendedores como beneficiários.
A companhia afirmou que a venda faz parte de sua estratégia de gestão ativa do portfólio, com foco na reciclagem de imóveis e otimização da estrutura de capital.
Controle da Helbor
Há poucos dias, cabe lembrar, a HBR Realty comprou 83,16% do capital social da Helbor por meio de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA), que teve como objetivo assumir o controle da incorporadora voltada ao alto padrão e cancelar seu registro como empresa aberta, com a consequente saída do Novo Mercado da B3.
As duas companhias já eram controladas pela mesma família, a Borenstein, e, segundo a HBR, a reorganização buscou ampliar o acesso a terrenos, combinar fontes de receita e reduzir custos.
Anunciada em julho, porém, a proposta da irmã de tirar a Helbor da bolsa não agradou aos investidores: os papéis HBOR3 chegaram a cair cerca de 20% no pregão seguinte, enquanto as ações HBRE3 recuaram quase 18%.
Na época do anúncio, um dos principais atrativos da OPA, de acordo o CEO da HBR, Alexandre Nakano, era o banco de terrenos da Helbor, com R$ 12 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) potencial. Desse total, 83% estava na capital paulista, com foco em projetos de médio e alto padrão.
Já o CFO da companhia, Alexandre Dalpiero, projetava uma economia de R$ 10 milhões a R$ 20 milhões por ano com a eliminação de estruturas duplicadas.
A expectativa era ainda elevar o volume médio diário negociado das ações da HBR de R$ 1 milhão para R$ 3,5 milhões, o que poderia ampliar o interesse dos investidores pelos papéis.
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