Cosan (CSAN3) está barata demais? UBS-BB vê oportunidade após tombo de 40% e aponta o que pode destravar valor
Entenda por que a Cosan busca vender ativos para reduzir dívidas, quais negócios podem mudar de mãos e como Compass e Rumo podem impulsionar o valor do grupo.

A forte desvalorização das ações da Cosan (CSAN3) nas últimas semanas abriu uma oportunidade de entrada para os investidores, na avaliação do UBS-BB. O banco elevou a recomendação dos papéis de neutra para compra, após a queda de aproximadamente 40% em um mês, e considera que o mercado exagerou na penalização da holding.
O principal argumento está no desconto de 35% a 45% com que a Cosan negocia em relação ao valor de seus ativos. O UBS-BB estabeleceu preço-alvo de R$ 4,70 para as ações.
O relatório é assinado por Matheus Enfeldt, Tasso Vasconcellos e Alberto Valerio. Além da avaliação sobre a própria holding, os analistas enxergam oportunidades nas empresas do portfólio, especialmente Compass e Rumo.
A tese, porém, vai além de uma possível recuperação das ações após a correção recente. Para o banco, a venda de participações nos negócios do grupo e uma eventual reorganização societária podem destravar valor para os acionistas. O avanço desses movimentos é justamente um dos principais catalisadores que o mercado ainda não estaria precificando.
O que justifica o desconto da Cosan?
O UBS-BB trabalha com dois níveis de desconto considerados adequados para a Cosan.
O primeiro, entre 10% e 20%, seria aplicável caso a companhia avance na direção de dissolver a holding nos próximos três a cinco anos, conforme já sinalizado pela administração. Nesse cenário, os acionistas da Cosan passariam a deter participações diretamente nas empresas investidas, eliminando parte do desconto estrutural da holding.
Leia Também
O segundo cenário considera a manutenção da estrutura atual. Nesse caso, o banco avalia que um desconto entre 20% e 30% seria mais apropriado, em linha com o patamar em que outras holdings brasileiras costumam negociar.
Atualmente, porém, o desconto estimado é de 35% a 45%. Para os analistas, isso significa que o mercado praticamente não considera a possibilidade de desinvestimentos ou de uma reorganização societária.
A diferença entre os cenários representa uma oportunidade de valorização. Mesmo que a dissolução não aconteça no horizonte esperado pela administração, a simples aproximação do desconto aos níveis observados em outras holdings brasileiras poderia beneficiar as ações.
O UBS-BB ressalta, contudo, que não considera a dissolução da holding como cenário-base no curto prazo. A incerteza está principalmente no cronograma e na capacidade de avançar com as vendas de ativos.
Cosan quer reduzir alavancagem com venda de ativos
A estratégia de reorganização do portfólio ganhou destaque na teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026.
Na ocasião, a administração deu três indicações importantes sobre o futuro da companhia: a principal iniciativa para desalavancar a holding não seria depender dos dividendos das subsidiárias, mas vender participações nos ativos do grupo; um horizonte de três a cinco anos seria razoável para a Cosan deixar de existir como holding; e o objetivo seria permitir que os atuais acionistas se tornassem investidores diretos das empresas do portfólio.
Na prática, a companhia pretende monetizar seus ativos e utilizar os recursos para reduzir o endividamento da holding, caminhando gradualmente para uma estrutura mais enxuta.
O problema é que os juros elevados aumentaram a pressão sobre a geração de caixa e tornaram mais difícil avançar com algumas negociações.
Considerando uma taxa de juros de 15% em 2027, o UBS-BB projeta que o índice de cobertura de juros (ICR) da Cosan caia para 0,6 vez, ante 1,2 vez estimada para 2026. O indicador também ficaria abaixo da faixa de 0,8 a 1,2 vez indicada pela companhia para este ano.
Além disso, o banco estima uma queima de caixa de aproximadamente R$ 600 milhões em 2027. A projeção inclui R$ 300 milhões em recebimentos da Moove, que podem não se concretizar.
A Cosan já mencionou anteriormente que considera adequado um índice de cobertura de juros entre 1,5 e 2 vezes. Na avaliação do UBS-BB, porém, esse patamar só seria alcançado em 2029 ou 2030 caso os juros permaneçam próximos de 15%.
Nesse cenário, os analistas calculam que a companhia precisaria levantar aproximadamente R$ 4 bilhões com desinvestimentos para reduzir em cerca de R$ 600 milhões suas despesas financeiras e alcançar fluxo de caixa livre neutro em 2027. O valor poderia ser ainda maior caso a venda de participações implique a perda de dividendos recebidos atualmente.
O banco também revisou suas estimativas de lucro por ação (LPA) da Cosan. Para 2027, a projeção foi reduzida em 33%, para R$ 0,19 por ação. Para 2028, o corte foi de 27%, para R$ 0,27, refletindo a premissa mais conservadora de juros estáveis em 15%.
Compass, Moove e Radar: quais ativos podem ser vendidos?
As alternativas de desinvestimento continuam em aberto. Notícias recentes apontam que a Cosan negocia a venda de uma participação de 20% na Compass, por meio de uma colocação privada, além de uma possível monetização da Moove.
A Radar também permanece no radar da administração, com a possibilidade de venda de propriedades rurais e distribuição dos recursos obtidos aos acionistas.
Para o UBS-BB, entretanto, cada ativo apresenta características distintas, tanto em termos de facilidade de venda quanto de contribuição para a geração de caixa da holding.
A Radar e a Rumo proporcionam dividend yields estimados em aproximadamente 2% para a Cosan. Já a Compass apresenta retorno próximo de 9%, desconsiderando o impacto da Cosan Dez, ou de 3% quando esse efeito é incluído.
Apesar de ser relativamente mais simples vender uma participação adicional na Compass, o banco considera essa a alternativa menos favorável para a Cosan, justamente porque se trata de um dos ativos que mais contribuem para a geração de caixa da holding.
A monetização da Radar, por sua vez, enfrenta obstáculos. O primeiro é o baixo retorno das terras, estimado entre 3% e 4%, o que reduz a atratividade para potenciais compradores. O segundo são as restrições à propriedade e ao controle de terras por estrangeiros no Brasil.
No caso da Moove, embora o UBS-BB espere um desempenho muito forte em 2026, ainda existem dúvidas sobre a recorrência dos resultados, o que dificulta uma eventual venda no curto prazo.
Por isso, embora a venda de ativos possa ajudar a reduzir a alavancagem, os analistas avaliam que a alienação de uma participação na Compass poderia comprometer uma fonte importante de dividendos. A possibilidade de negociação envolvendo a empresa também sugere que outras alternativas talvez não avancem tão cedo, adiando a eventual dissolução da holding.
O UBS-BB não inclui desinvestimentos em seu cenário-base. Qualquer operação nesse sentido, portanto, seria um potencial catalisador adicional para as ações.
Caixa da Cosan é suficiente para afastar risco de liquidez imediato
Apesar da pressão financeira, o banco não vê risco de liquidez para a Cosan no curto prazo.
A holding não possui pagamentos de principal previstos até 2028 e encerrou o segundo trimestre de 2026 com aproximadamente R$ 7 bilhões em caixa.
Na avaliação dos analistas, esse montante deve ser suficiente para cobrir despesas financeiras e custos administrativos até o fim de 2028, mesmo em um ambiente de juros elevados.
A preocupação com a liquidez ficaria mais concentrada em 2029 e 2030. Até lá, porém, o UBS-BB espera que a estrutura da companhia seja bastante diferente, diante do avanço esperado na reorganização do portfólio.
Compass e Rumo também estão descontadas, diz UBS-BB
Além da visão positiva para a holding, o UBS-BB mantém uma avaliação favorável para dois de seus principais ativos: Compass e Rumo.
No caso da Compass, a principal oportunidade está na expansão do mercado livre de gás natural no Brasil, que pode impulsionar os resultados da Edge, unidade responsável pela comercialização de gás natural e GNL.
Segundo dados da Abegás citados pelo banco, existem atualmente 12,8 milhões de metros cúbicos por dia de demanda potencial para migrar ao mercado livre. A capacidade do terminal de regaseificação da Compass (TRSP) está próxima desse volume.
Com isso, o UBS-BB projeta crescimento anual composto (CAGR) de 35% para o EBITDA da Edge até 2030. Os analistas avaliam que esse potencial de expansão ainda não está devidamente incorporado aos preços das ações.
Para a Rumo, a tese de longo prazo permanece sustentada pelo papel estratégico da companhia na infraestrutura de exportação do agronegócio brasileiro.
A primeira fase da Ferrovia de Mato Grosso (FMT) começou a operar em junho de 2026 e atingiu aproximadamente 30% da capacidade em julho, com potencial para movimentar mais de 800 mil toneladas por mês.
A segunda fase já conta com licenciamento ambiental e projetos executivos prontos. Entretanto, a administração ainda não assumiu compromisso com sua implementação, indicando que os investimentos em 2027 serão menores do que em 2026.
A equipe de Transportes do UBS para a América Latina projeta EBITDA de R$ 8,9 bilhões para a Rumo em 2027 e de R$ 9,8 bilhões em 2028, apoiado pela revisão das estimativas de volume e pela maturação da primeira fase da FMT.
Ao retirar a segunda fase da ferrovia do cenário-base, o banco estima Capex de R$ 4,6 bilhões em 2027 e R$ 4,7 bilhões em 2028. Com isso, o rendimento do fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE Yield), excluindo movimentações de dívida, seria de -2,4% em 2027 e +4,4% em 2028.
Para o UBS-BB, a recente disciplina de capital da Rumo ainda é subestimada pelo mercado, o que reforça a atratividade das ações.
Recomendações e preços-alvo do UBS-BB
Além de elevar a recomendação da Cosan para compra, o banco mantém uma visão positiva para Compass e Rumo. Já para a Raízen, a recomendação continua sendo de venda.
Os preços-alvo e recomendações são:
- Cosan (CSAN3): compra, com preço-alvo de R$ 4,70.
- Rumo (RAIL3): compra, com preço-alvo de R$ 22.
- Compass (PASS3): compra, com preço-alvo de R$ 38.
- Raízen (RAIZ4): venda, com preço-alvo de R$ 0,16.
Para chegar ao preço-alvo da Cosan, o UBS-BB utiliza o método de soma das partes (SOTP), considerando os preços-alvo de Rumo, Compass e Raízen.
A avaliação também incorpora múltiplo de 7,5 vezes EV/EBITDA estimado para 2027 para a Moove, desconto de 20% sobre o valor contábil da Radar e desconto de holding de 30%.
O preço-alvo foi elevado em 3%, refletindo a contribuição maior da Moove após um 2026 forte e a redução das despesas gerais e administrativas da holding, que conseguiu acelerar os cortes de custos.
PECHINCHA ENTRE OS BANCÕES
Nem na crise de 2016 o Bradesco (BBDC4) ficou tão barato: o que o Morgan Stanley está vendo após o tombo de quase 40% desde as eleições
4 de novembro de 2026 - 8:56RESULTADO
Itaú (ITUB4) lucra R$ 12,6 bilhões no 3T26, em linha com o esperado; veja o que pesou no balanço
3 de novembro de 2026 - 18:37CAIU DEMAIS?
Nubank (NU): XP vê duas cartas na manga para roxinho; saiba o potencial da ação
3 de novembro de 2026 - 17:47PRÉVIA DO BALANÇO
Após decepção dos rivais no 3T26, é a vez de o Itaú (ITUB4) mostrar por que joga em outra liga; veja o que esperar do balanço
3 de novembro de 2026 - 6:02ALÔ, É UM SER HUMANO?
Fim da secretária eletrônica? Empresas terão de oferecer atendimento humano obrigatório no SAC; veja o que muda
2 de novembro de 2026 - 14:00O TEMPO FECHOU
Chilli Beans vê o sol se esconder: rede de óculos escuros pede recuperação extrajudicial; entenda os próximos passos da empresa
1 de novembro de 2026 - 10:35TIRANDO O CAVALINHO DA CHUVA
Nada de dividendos extras: Vale (VALE3) descarta possibilidade, mas CFO revela alternativa que pode agradar acionista
31 de outubro de 2026 - 16:11REESTRUTURAÇÃO
Raízen (RAIZ4) será dividida em duas empresas listadas em bolsa e aprova aumento de capital de R$ 39,8 bilhões
30 de outubro de 2026 - 19:00PROTEÇÃO ATIVADA
Apesar da pressão nos custos, Vale (VALE3) conta como economizou até US$ 3 bilhões no 3T26; ação sobe mesmo com balanço fraco
30 de outubro de 2026 - 15:18REDUÇÃO DE DÍVIDA NO RADAR
Vai sair do papel? CSN (CSNA3) dá passo decisivo para venda de negócio de cimentos por R$ 12,7 bilhões
30 de outubro de 2026 - 10:26BALANÇO 3T26
Com minério de ferro e petróleo jogando contra, Vale (VALE3) vê lucro cair 53%, para US$ 1,255 bilhão
29 de outubro de 2026 - 20:27O FUTURO DA PETROLEIRA
Petrobras (PETR4) confirma terceira descoberta de petróleo na Margem Equatorial
29 de outubro de 2026 - 18:50HORA DE COMPRAR?
Gerdau (GGBR4) no radar: Itaú BBA recomenda compra e UBS BB vê ação a R$ 35; o que está por trás do otimismo?
29 de outubro de 2026 - 16:50AQUECIMENTO PARA O BALANÇO
Dividendos de até US$ 4,2 bilhões: com operacional tinindo, Petrobras (PETR4) deve ‘blindar’ os proventos da queda do petróleo
29 de outubro de 2026 - 14:49RESULTADOS DO 3T26
Microsoft (MSFT) mostra que é possível crescer com IA gastando menos e com balanço sólido; veja números
29 de outubro de 2026 - 11:53CILADA NA BOLSA?
E agora, Nubank? Itaú BBA corta preço-alvo e alerta: o pior ainda pode estar por vir
29 de outubro de 2026 - 11:22NA MIRA DO BC
Mais uma liquidação: Banco Central tira do ar empresa que operava nos bastidores do Pix após encontrar “graves violações”
29 de outubro de 2026 - 9:34AQUECIMENTO PARA O BALANÇO
Vale (VALE3): lucro deve cair quase 50% no 3T26 com inimigo persistente roubando a cena. O que esperar do balanço de hoje?
29 de outubro de 2026 - 6:30RENEGOCIAÇÃO