Fleury (FLRY3): Lucro cresce 42,9% no 3T26 e bate expectativa; CEO detalha planos para sustentar o crescimento
Lucro do terceiro trimestre do Fleury superou as projeções do mercado; em entrevista ao Seu Dinheiro, a CEO, Jeane Tsutsui, conta estratégia que norteia a companhia

O Fleury (FLRY3) entregou um resultado acima das expectativas do mercado no terceiro trimestre de 2026 (3T26). A companhia registrou lucro líquido de R$ 264,3 milhões, alta de 42,9% na comparação anual, superando os R$ 242 milhões projetados pelo consenso da Bloomberg.
O avanço também apareceu na receita e no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Mas, por trás dos números, há um movimento que merece atenção: a integração da Femme, aquisição que começou a aparecer de forma mais efetiva nos resultados operacionais e contribuiu para uma pressão temporária sobre a rentabilidade.
O Ebitda somou R$ 672,2 milhões entre julho e setembro, crescimento de 12,2% em um ano e acima dos R$ 660 milhões esperados pelo consenso. A margem Ebitda recuou 0,3 ponto percentual, para 27,1%.
Em entrevista ao Seu Dinheiro, o CFO José Filippo explicou que a integração da Femme está entre os fatores por trás desse recuo. O terceiro trimestre foi o primeiro em que a aquisição contribuiu efetivamente para os resultados operacionais do grupo.
“A entrada da Femme é um dos fatores. Existe uma série de efeitos e mudanças de mix, mas esse é o primeiro trimestre em que ela entra no resultado. Ela contribuiu na receita, mas também está no início da busca por sinergias. Embora normalmente tenhamos um prazo curto para alcançar o equilíbrio dessa implementação, existe uma fase típica de qualquer início de operação”, disse.
A expectativa da administração é que a rentabilidade da operação avance à medida que as sinergias sejam capturadas.
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Fleury mantém disciplina mesmo com aquisições no radar
Se há uma palavra que resume a mensagem da administração do Fleury, é consistência. A companhia busca combinar crescimento, geração de caixa e disciplina na alocação de capital, mesmo em um cenário de juros elevados.
“Mais um trimestre com consistência e disciplina. Continuamos gerando caixa e continuamos muito disciplinados na alocação de capital”, afirmou a CEO Jeane Tsutsui ao Seu Dinheiro.
Segundo a executiva, essa combinação ajuda a explicar a manutenção da alavancagem em 1 vez ao final do trimestre, apesar dos investimentos e aquisições.
Outro indicador acompanhado de perto pela companhia também avançou: o retorno sobre o capital investido (ROIC) subiu 4,7 pontos percentuais desde a combinação de negócios com o Pardini, alcançando 18,7% no 3T26.
A estratégia, segundo Tsutsui, não se limita à entrega de resultados trimestrais. Com uma trajetória de 100 anos, o grupo procura equilibrar crescimento orgânico das marcas existentes, aquisições seletivas e eficiência operacional.
“A saúde é algo de que as pessoas precisam. O Brasil passa por uma mudança demográfica que nos leva à conclusão de que a demanda por saúde vai continuar existindo. Cabe a cada empresa fazer a sua parte para manter a eficiência, ter um olhar atento para como consegue estar próxima do cliente no dia a dia e atender às suas necessidades”, disse.
Oncologia de precisão e expansão nacional estão no radar
O Fleury continua avaliando oportunidades de aquisição, desde que atendam aos critérios financeiros e façam sentido para a alocação de capital.
A expansão nacional também permanece no horizonte, tanto no atendimento direto ao consumidor (B2C) quanto no modelo Lab-to-Lab, em que a companhia processa exames para outros laboratórios.
Outra frente destacada pela CEO é a oncologia de precisão. Jeane citou a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil e apontou o desenvolvimento de soluções de diagnóstico como uma oportunidade para atender à demanda crescente.
Nesse campo, o grupo mantém parceria com o Einstein, por meio da Genesis, para desenvolver soluções e trazer novos testes ao mercado, inclusive em colaboração com parceiros internacionais. Entre os exemplos está o Galleri, teste voltado à detecção precoce de mais de 50 tipos de câncer.
Na avaliação da executiva, o diagnóstico precoce pode contribuir para a sustentabilidade do sistema de saúde, ao permitir o início mais rápido do tratamento e potencialmente reduzir custos.
Tsutsui também vê um cenário mais favorável para o setor do que há cerca de dois anos, quando a sinistralidade dos planos de saúde havia pressionado os resultados das empresas no período pós-pandemia.
Ainda assim, o setor enfrenta desafios estruturais, como o envelhecimento da população, o avanço das doenças crônicas e a incorporação de novas tecnologias. Para o Fleury, a resposta passa por manter a disciplina financeira, ampliar a eficiência e seguir atento às oportunidades de crescimento no longo prazo.
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