Ação da C&A (CEAB3) dispara até 10% após trimestre melhor do que o temido pelo mercado; veja os destaques
As ações da C&A operam entre as maiores altas do Ibovespa após um balanço melhor do que o esperado no terceiro trimestre de 2026 (3T26)

As ações da C&A (CEAB3) disparavam nesta quinta (5) após a varejista divulgar os resultados do terceiro trimestre de 2026 (3T26). Embora o desempenho operacional tenha sido considerado fraco por parte dos analistas, indicadores como margem bruta e geração de caixa vieram melhores do que o esperado, impulsionando os papéis.
Por volta das 13h, as ações lideravam as altas do Ibovespa, com avanço de 8,22%, a R$ 7,36. Na máxima do dia, CEAB3 subiu mais de 10%.
Para o Bradesco BBI, a C&A entregou um balanço sólido, superando as projeções em indicadores importantes.
O principal destaque ficou com a margem bruta de vestuário, que alcançou 56%, beneficiada pela estratégia "Full Power" e por efeitos cambiais favoráveis. As vendas nas mesmas lojas (SSS) também vieram acima do esperado, com crescimento de 1%, indicando recuperação no fluxo de clientes.
Outro ponto que chamou atenção foi a geração de caixa livre, de R$ 152 milhões no trimestre, mesmo diante do aumento dos investimentos em reformas e expansão de lojas e de uma maior pressão sobre o capital de giro.
"O saldo do trimestre é positivo, com a empresa entregando resiliência em métricas operacionais importantes e forte geração de caixa. Embora o valuation atual embuta muito pessimismo e o cenário para 2027 seja desafiador para o setor, a capacidade da C&A de superar seus pares pode sustentar seus múltiplos e reduzir a percepção de risco", afirmam os analistas do BBI.
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Melhor do que o mercado temia
Na avaliação da XP Investimentos, o trimestre ainda foi fraco, mas superou as expectativas principalmente devido ao desempenho da margem bruta de vestuário e às receitas mais fortes do C&A Pay.
Segundo a corretora, esses fatores compensaram o aumento das despesas com vendas e levaram o Ebitda ajustado a ficar 11% acima das estimativas, mesmo registrando queda de 8% na comparação anual por conta de investimentos não recorrentes em marketing.
Para a XP, a atenção dos investidores deve continuar voltada para os níveis de estoque e para a esperada recuperação operacional no quarto trimestre.
"A empresa destacou uma inflexão no tráfego em meados de setembro, enquanto a reabertura de lojas reformadas e uma base de comparação mais fácil, com celulares saindo da base e um 4T25 fraco, devem atuar como ventos favoráveis", afirma a corretora, que manteve recomendação de compra para a ação.
O BTG Pactual também segue otimista com a tese de investimento. Apesar do ambiente macroeconômico desafiador e dos juros elevados pressionando o consumo, o banco vê avanços consistentes na execução da companhia, especialmente no programa de renovação de lojas e no foco em rentabilidade.
Na visão dos analistas, a remuneração aos acionistas também adiciona uma camada extra de atratividade ao papel. O BTG manteve recomendação de compra para CEAB3, com preço-alvo de R$ 19.
Os números da C&A
A C&A registrou lucro líquido de R$ 170,3 milhões no terceiro trimestre, alta de 145,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
O desempenho foi impulsionado, principalmente, pelo reconhecimento de créditos fiscais de PIS e Cofins relacionados a avaliações jurídicas sobre insumos essenciais.
Sem esse efeito extraordinário, o lucro líquido ajustado pós-IFRS 16 caiu 23,3% na comparação anual, para R$ 56,5 milhões.
Já a receita líquida consolidada cresceu 2,3%, para R$ 1,88 bilhão, impulsionada pelo avanço de 2,6% da divisão de vestuário, que faturou R$ 1,69 bilhão.
A companhia também registrou a 21ª expansão trimestral consecutiva da margem bruta de vestuário, que atingiu 56%, beneficiada por uma política mais eficiente de precificação e pelos primeiros ganhos da nova estratégia logística.
No digital, as vendas via site e aplicativo avançaram 27,6% e passaram a representar 8% das vendas de mercadorias, apoiadas por melhorias na jornada de compra e iniciativas de social commerce.
Por outro lado, o Ebitda ajustado pós-IFRS 16 recuou para R$ 317,6 milhões, refletindo investimentos extraordinários em marketing relacionados às celebrações dos 50 anos da marca no Brasil e à participação no Rock in Rio.
*Com Estadão Conteúdo.
RESULTADO
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