Hora de comprar JBS (JBSS32)? Dor de cabeça pode virar trunfo — e fazer ação saltar até 70%, diz XP
Analistas colocam a companhia no topo de suas preferências entre os frigoríficos e apostam em uma virada nos EUA

Uma das principais dores de cabeça da JBS (JBSS32) pode estar perto de virar parte da solução para a tese de investimentos da companhia. É no negócio de bovinos nos Estados Unidos, hoje pressionado pelo ciclo desfavorável do gado, que a XP Investimentos enxerga um dos principais gatilhos para a valorização da ação.
Dias depois de a JBS conquistar a preferência do Itaú BBA no setor de frigoríficos, a companhia também passou a ser a ação favorita da XP no segmento.
A corretora elevou o preço-alvo para os papéis negociados no exterior para US$ 20,30, o que implica um potencial de valorização de 69%.
Segundo os analistas, a tese não depende de uma melhora simultânea em todas as operações da JBS. O principal ingrediente é uma possível virada no US Beef.
A virada que pode mudar o jogo para a JBS (JBSS32)
Depois de um período de margens pressionadas, a operação norte-americana começa a encontrar uma combinação mais favorável entre oferta e demanda.
A redução da capacidade de abate nos Estados Unidos tende a melhorar os spreads dos frigoríficos, enquanto a reabertura gradual da fronteira com o México pode ajudar a recompor a oferta de gado.
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Se o cenário se confirmar, a mudança aparece diretamente no resultado. A estimativa da corretora é de que o Ebitda da operação passe de US$ 226 milhões negativos em 2026 para US$ 385 milhões positivos em 2027.
A XP espera que o US Beef registre sua primeira margem trimestral positiva no terceiro trimestre, embora a melhora deva vir principalmente dos spreads, e não de um salto nos volumes.
É uma virada relevante para uma divisão que hoje funciona como um dos principais freios aos resultados da JBS.
Mas a tese não depende só dos EUA
Enquanto espera a recuperação do bovino norte-americano, a JBS tem outras operações para sustentar os resultados, afirmam os analistas.
No Brasil, a XP elevou em 6% a estimativa de Ebitda para 2026 e em 19% para 2027, apoiada por exportações mais fortes e preços melhores no mercado doméstico. Entre os fatores considerados estão a maior demanda externa, incluindo a cota chinesa para 2027 e a cota de 300 mil toneladas para os Estados Unidos.
A Seara aparece como uma operação mais previsível. A XP considera que 2024 e 2025 marcaram o pico do ciclo e projeta, daqui para frente, margens na parte inferior da faixa de 13% a 16%.
Há, por outro lado, pontos de pressão. Na Austrália, os volumes seguem fortes, mas a valorização do dólar australiano reduz a rentabilidade das exportações precificadas em dólar.
No US Pork, a demanda veio abaixo do esperado. Como o consumo de carne suína nos EUA é mais concentrado entre consumidores de menor renda, o negócio fica mais exposto ao impacto da inflação sobre o orçamento das famílias. Com a produção estável, o valor da carcaça recuou para níveis historicamente baixos.
A PPC, operação de aves nos EUA, também deve continuar pressionando os resultados. A XP passou a trabalhar com margens menores por mais tempo, diante da desaceleração na colocação de aves e da ausência de cortes relevantes de capacidade pela indústria.
Afinal, o que a XP vê na ação da JBS para mandar comprar?
É justamente essa combinação que sustenta a preferência da XP: a corretora não aposta que todas as peças do negócio vão melhorar ao mesmo tempo, mas que uma eventual recuperação do US Beef pode ser suficiente para mudar a percepção do mercado sobre a companhia.
Enquanto esse gatilho não se materializa, a diversificação geográfica, a escala e a geração de caixa ajudam a sustentar a tese.
Segundo os cálculos da XP, a JBS negocia a 5,5 vezes o valor de firma sobre o Ebitda estimado para 2027, com um retorno com fluxo de caixa livre (FCFY) de 8% e um dividend yield de 8%, segundo os cálculos da XP.
Para os analistas, esses números funcionam como uma espécie de colchão para a tese.
O investidor não precisa depender exclusivamente da recuperação norte-americana para ter retorno. Contudo, ele pode se beneficiar de uma eventual melhora adicional caso o US Beef finalmente deixe de ser um peso e passe a contribuir para os resultados.
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