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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

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Gerdau (GGBR4) já entregou tudo o que tinha para dar? Itaú BBA tira selo de compra — mas revela trunfo fora das contas

Após alta de quase 30% em seis meses, banco avalia que o valuation ficou mais justo — mas um catalisador pode mexer com a ação

Camille Lima
Camille Lima
28 de fevereiro de 2026
16:18 - atualizado às 12:18
gerdau goau4 dividendos rendimento bolsa de valores ação
Imagem: Shutterstock/Montagem: Julia Shikota

Depois de uma corrida de quase 30% na bolsa brasileira em seis meses, o mercado começou a questionar até onde vai o fôlego das ações da Gerdau (GGBR4).

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O Itaú BBA decidiu tirar o “selo de compra” da siderúrgica e rebaixou a recomendação para market perform (equivalente à neutra), mantendo o preço-alvo de R$ 24 para o fim de 2026.

Segundo os analistas, o principal gatilho para a revisão foi valuation. Depois da forte valorização recente, o espaço para novas altas ficou mais equilibrado diante dos riscos de execução e das incertezas macroeconômicas.

Além disso, o fluxo de caixa livre (FCF) projetado para os próximos anos é considerado “decente”, mas não suficiente para sustentar uma recomendação mais construtiva neste momento.

O banco estima um yield de FCF ao redor de 6% em 2026 — o melhor entre as siderúrgicas da América Latina —, mas avalia que essa vantagem já está refletida nos preços.

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O ponto de preocupação com a Gerdau (GGBR4)

Para o Itaú BBA, o Brasil segue como principal ponto de preocupação para a Gerdau (GGBR4).

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A rentabilidade continua pressionada por concorrência acirrada de produtos importados e aumento de capacidade por dois concorrentes locais, avaliou o banco.

Os resultados do quarto trimestre de 2025 e o guidance (projeção) para o primeiro trimestre de 2026 reforçaram a fraqueza do ambiente, com compressão de margens diante de volumes e mix mais fracos e custos mais elevados, disse o banco.

Mesmo com eventuais reajustes pontuais de preços, o Itaú BBA avalia que o cenário no curto prazo é mais de desgaste do que de recuperação.

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O suporte para os resultados

O Itaú BBA estima que a economia de cerca de R$ 400 milhões com o avanço do projeto Miguel Burnier, a partir do segundo semestre de 2026, deve sustentar a margem Ebitda da divisão brasileira próxima de 10% no ano.

Segundo o banco, a América do Norte continua sendo o principal suporte dos resultados. A combinação de sazonalidade favorável e preços mais altos do aço deve elevar os spreads no primeiro trimestre de 2026, com margens Ebitda acima de 23% na região.

O melhor desempenho nos Estados Unidos compensou a revisão para baixo no Brasil e manteve estável a projeção de Ebitda consolidado.

O Itaú BBA aponta, porém, que há incertezas na revisão do USMCA, que podem pressionar preços do aço nos EUA, e uma parada de 40 a 50 dias na unidade de Midlothian no segundo semestre de 2026 para concluir a primeira fase da expansão.

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Um catalisador para as ações GGBR4

O Itaú BBA avalia que uma eventual listagem das operações da Gerdau nos Estados Unidos seria o catalisador mais claro para destravar valor.

Pelos cálculos do banco, o múltiplo implícito de valor de firma sobre Ebitda (EV/Ebitda) das operações norte-americanas da companhia está entre 4,0 vezes e 4,5 vezes, cerca de 50% a 55% abaixo da média de empresas americanas como Nucor e Steel Dynamics.

Segundo os analistas, a listagem poderia ampliar a base de investidores e reduzir esse desconto.

Outra possível fonte de geração de valor seria a venda de ativos florestais não essenciais, disse o BBA.

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A companhia possui cerca de 220 mil hectares de terras, principalmente em Minas Gerais. Na estimativa do banco, a venda de 50 mil hectares produtivos poderia levantar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão — montante que ainda não está nas contas dos analistas.

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