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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

INJEÇÃO BILIONÁRIA

Cheque bilionário à vista: Simpar (SIMH3), Movida (MOVI3) e Vamos (VAMO3) podem levantar mais de R$ 3 bilhões

Pacote envolve três companhias do grupo e conta com apoio da controladora e da BNDESPar; veja os detalhes

Camille Lima
Camille Lima
6 de março de 2026
9:32 - atualizado às 10:22
Simpar
Simpar - Imagem: Montagem Seu Dinheiro com imagem de divulgação e xadartstudio via Canvas Pro

Simpar (SIMH3) está preparando uma injeção de capital bilionária para fortalecer seu grupo de empresas. 

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holding anunciou na noite de quinta-feira (5) um pacote de aumentos de capital que pode movimentar entre R$ 2,2 bilhões e R$ 3,1 bilhões nas três principais empresas do grupo: a própria Simpar, a locadora de veículos Movida (MOVI3) e a companhia de locação de caminhões e equipamentos Vamos (VAMO3)

A operação conta com o apoio de alguns dos principais investidores do grupo, incluindo a BNDESPar, divisão de participações do BNDES, além da JSP Holding, holding da família Simões e controladora da companhia, e outros coinvestidores institucionais.  

Segundo a companhia, o objetivo da operação é fortalecer a estrutura de capital do grupo e apoiar o plano de crescimento de longo prazo. 

“A operação atesta o nosso compromisso com governança e geração de valor, além da confiança dos investidores no nosso modelo de gestão e no potencial de extração de valor do ecossistema que construímos nos setores de logística, mobilidade e infraestrutura”, afirmou Fernando Simões, CEO da Simpar, em nota. 

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Na visão da empresa, a capitalização também deve trazer efeitos positivos como: 

Leia Também

  • Fortalecimento da estrutura financeira;  
  • Redução do custo de capital; 
  • Maior eficiência na precificação das ações; e  
  • Aumento da liquidez dos papéis na bolsa 

O grupo afirma ainda que o movimento está alinhado ao planejamento estratégico das empresas e à execução de iniciativas de longo prazo voltadas ao desenvolvimento das cadeias de logística, mobilidade e infraestrutura no país. 

As capitalizações no grupo Simpar (SIMH3) 

A maior parte dos recursos será destinada à própria holding. Segundo o comunicado enviado ao mercado, a Simpar pretende levantar entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2 bilhões, por meio da emissão de novas ações ao preço de R$ 11,24 por papel. 

A capitalização será ancorada pela controladora JSP Holding, pela BNDESPar e por investidores institucionais que participarão da operação. 

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Nas subsidiárias, os valores são menores, mas ainda relevantes para o reforço financeiro das companhias. 

A Movida, focada no aluguel de automóveis, poderá captar entre R$ 500 milhões e R$ 750 milhões, com preço de emissão definido em R$ 11,72 por ação. 

Já a Vamos, que atua na locação de caminhões, máquinas e equipamentos pesados, planeja levantar entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões, com papéis emitidos a R$ 3,85. 

Nas duas subsidiárias, os aportes serão feitos principalmente pela Simpar e pela BNDESPar. 

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O Bradesco BBI e o Santander Brasil atuarão como assessores financeiros das empresas nas operações. 

O papel da BNDESPar no reforço de capital 

A participação da BNDESPar é uma das peças centrais da operação. De acordo com os termos divulgados ao mercado, o braço de participações do BNDES poderá investir até R$ 1,35 bilhão no conjunto das três empresas: 

  • Até R$ 680 milhões na Simpar;  
  • Até R$ 375 milhões na Movida; e  
  • Até R$ 300 milhões na Vamos. 

Apesar do tamanho do cheque, foram estabelecidos limites de participação. A BNDESPar poderá comprar no máximo 50% do total de ações emitidas em cada aumento de capital, respeitando ainda um teto de até 10% de participação acionária em cada companhia. 

Além disso, a operação abre uma porta para um investimento adicional dentro do grupo. Segundo o comunicado, a BNDESPar poderá adquirir até 5% do capital da JSL, empresa de serviços logísticos da Simpar, em uma transação que pode chegar a R$ 112,2 milhões

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Essa opção de compra poderá ser exercida em até 30 dias após a conclusão do aumento de capital. Caso seja efetivada, os recursos recebidos pela Simpar serão utilizados para fortalecer ainda mais sua estrutura financeira e sustentar o plano de expansão do grupo. 

A contribuição da controladora 

A controladora JSP Holding também participará do reforço de capital.  

De acordo com a estrutura da operação, a holding e coinvestidores institucionais poderão aportar até R$ 800 milhões na Simpar, sendo até R$ 300 milhões da JSP e até R$ 500 milhões de outros investidores. 

Parte desses recursos poderá ser redirecionada para as subsidiárias: a Simpar poderá investir até R$ 203 milhões nas operações de aumento de capital das controladas, sendo R$ 113 milhões na Movida e R$ 90 milhões na Vamos. 

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Direito de preferência e próximos passos 

Os aumentos de capital serão realizados com direito de preferência aos atuais acionistas, que poderão subscrever as novas ações proporcionalmente às suas participações. 

Segundo fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os compromissos já firmados com BNDESPar, JSP Holding e investidores institucionais garantem a viabilidade da operação. 

Após a conclusão da capitalização, a BNDESPar ainda terá um direito adicional: por um período de três anos, o banco poderá participar de futuros aumentos de capital da Movida, Vamos e JSL até atingir uma participação de até 10% no capital social de cada companhia. 

Em eventuais ofertas públicas de ações dessas empresas, a divisão de participações do BNDES também terá direito de adquirir até 15% das ações ofertadas. 

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Também foram divulgadas informações sobre um novo acordo de acionistas. Pelo acordo:

  • A BNDESPar terá o direito de indicar um membro para o conselho de administração, um membro para o comitê de auditoria estatutário e um membro para o comitê de finanças de cada empresa;
  • No caso da Simpar, o acordo prevê uma trava (lock-up) de 6 meses após a aprovação do aumento de capital, durante o qual JSP, Fernando Simões e BNDESPAR não poderão vender ações; e
  • A BNDESPar terá direito de veto sobre certos temas específicos relacionados à proteção de seu investimento.

Vale destacar que o acordo não confere controle, nem controle conjunto à BNDESPar, mantendo o caráter minoritário e transitório da participação do banco de fomento nas empresas.

O que dizem os analistas?

Na avaliação do BTG Pactual, a operação ocorre em um momento crucial para o grupo, ajudando a acelerar o processo de desalavancagem nos diferentes negócios.

"Apesar da diluição e dos descontos, os anúncios representam um passo essencial para resolver a estrutura de capital altamente alavancada do grupo", diz o BTG, que manteve recomendação de compra para a Simpar e para todas as subsidiárias listadas do grupo.

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Segundo os analistas, a entrada do BNDES adiciona uma "nova camada de governança ao grupo e provavelmente confere um selo institucional positivo às empresas".

"Para a Simpar, o aporte relevante e a entrada de um novo parceiro forte são notícias positivas, ajudando a dissipar preocupações recentes sobre alavancagem", diz o banco.

Para o BTG, este aumento de capital representa um passo significativo na redução da alavancagem do grupo — um tipo de dívida que pesava nos resultados financeiros e também criava uma estrutura tributária ineficiente.

Além disso, os aumentos de capital nas subsidiárias, especialmente Vamos e Movida, devem acelerar ainda mais a criação de valor, complementando melhorias operacionais em curso, especialmente em um cenário de queda de juros, segundo os analistas.

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