A5X, nova bolsa brasileira de derivativos, capta R$ 360 milhões com gigantes do mercado — e já tem data para estrear as negociações
Empresa trouxe Morgan Stanley e Goldman Sachs para o quadro de acionistas e já acumula mais de R$ 730 milhões captados

A disputa pela infraestrutura do mercado financeiro brasileiro ganhou novos pesos-pesados. A A5X, que se prepara para lançar uma bolsa de derivativos para concorrer com a B3 (B3SA3), acaba de levantar R$ 360 milhões em uma nova rodada de investimentos — e trouxe grandes bancos estrangeiros para o grupo de acionistas.
A rodada Série D, anunciada nesta segunda-feira (14), foi liderada por Morgan Stanley, Goldman Sachs e Kaszek, que entraram como novos investidores. Também participaram acionistas estratégicos que já estavam na companhia, como IMC, Jump Trading, Optiver, XTX Markets e ABN AMRO Clearing.
A XP também decidiu exercer uma opção de compra que detinha e, com isso, passou a integrar a base de investidores da A5X.
Com a nova rodada, a companhia passa a ser avaliada em cerca de R$ 2,7 bilhões e acumula mais de R$ 730 milhões captados em quatro rodadas de investimento.
O dinheiro chega em um momento decisivo para a A5X. A companhia pretende colocar de pé nos próximos meses uma nova infraestrutura para negociação e liquidação de derivativos no Brasil, um mercado hoje concentrado na B3.
A5X tem data para estrear como nova bolsa de derivativos do Brasil
A A5X foi criada por Carlos Ferreira Filho e Karel Luketic, ex-sócios da XP; Nilson Monteiro, fundador da corretora Ideal, cujo controle foi adquirido pelo Itaú em 2022; e Julian Chediak, sócio do escritório Chediak Advogados.
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Com mais de 200 colaboradores, a empresa pretende criar uma nova bolsa de derivativos e uma contraparte central (CCP) — estrutura que fica no meio das operações para ajudar a garantir que compradores e vendedores cumpram suas obrigações.
Segundo a própria A5X, o objetivo é trazer mais competição para o mercado brasileiro. “O Brasil ainda concentra a sua negociação e pós-negociação de derivativos em um único participante de bolsa e CCP, apesar de ser um dos maiores mercados do mundo”, afirma.
Segundo a companhia, os R$ 360 milhões levantados agora dão o fôlego necessário para colocar a nova bolsa em operação, atingir o break-even e bancar o capital regulatório exigido, além da expansão da estrutura.
“Com essa rodada, fortalecemos significativamente a capacidade de lançarmos a A5X com sucesso e ajudar a transformar o mercado de capitais brasileiro. Nossa missão é levar mais inovação, transparência e eficiência a um setor que acreditamos precisar de grandes evoluções”, afirma Carlos Ferreira Filho, CEO e cofundador da A5X, em nota.
A previsão é que as negociações comecem no segundo trimestre de 2027.
B3 já tem outros concorrentes no radar
A chegada da A5X ocorre em meio a um movimento mais amplo de tentativa de abrir espaço para novos participantes na infraestrutura do mercado financeiro brasileiro.
No fim de agosto de 2025, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) abriu um processo administrativo para investigar possíveis “ações anticoncorrenciais” da B3 para dificultar a instalação da CSD BR.
A CSD já possui licenças para atuar como registradora, depositária e liquidante e pode operar com ações em transações bilaterais. Para entrar de fato nas negociações públicas, porém, ainda precisa de autorização para atuar como contraparte central.
Na avaliação dos técnicos do Cade, determinadas condutas da B3 poderiam “elevar artificialmente as barreiras à entrada e à expansão de concorrentes”, dificultando a atuação de novos agentes em segmentos relevantes da infraestrutura financeira.
Cerca de 15 dias depois, a B3 anunciou um acordo para fornecer e licenciar market data à A5X, que também estava em processo de autorização para operar como bolsa, clearing e contraparte central especializada em derivativos.
O acordo é necessário porque, para negociar contratos ligados a ações como Vale e Petrobras, por exemplo, a A5X precisará dos preços de referência do mercado à vista desses papéis — dados que hoje são fornecidos pela B3.
No comunicado, a B3 afirmou que o acordo com a A5X busca fortalecer o mercado brasileiro ao criar um ambiente “mais aberto, dinâmico e competitivo”, com mais oportunidades de negociação e diversificação de produtos para os investidores.
Vale destacar que a CSD BR e a A5X não são as únicas de olho no mercado brasileiro. Base e BEE4 também tentam abrir espaço em diferentes frentes, que vão de derivativos a ações e empresas de menor porte, embora estejam em estágios diferentes de licenciamento.
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