Banco do Brasil (BBAS3) pisa no freio, Caixa e BNDES aceleram: o alerta da Moody’s para os bancos públicos
Agência de classificação de risco comparou a postura do BB, Caixa e BNDES em um ambiente de juros altos e famílias endividadas; veja onde estão os riscos agora

O Banco do Brasil (BBAS3) entrou em 2026 com uma estratégia oposta ao que se espera normalmente de um banco público em um momento de estímulo à economia: ele apertou o crédito.
Depois de ver as provisões saltarem com a piora da carteira rural e do crédito ao consumo sem garantia, o BB reduziu o ritmo das concessões e passou a selecionar com mais rigor os novos tomadores.
A prioridade deixou de ser crescer a carteira a qualquer custo e passou a ser evitar que a inadimplência pressione ainda mais os resultados.
A mudança diferencia o BB da Caixa Econômica Federal e do BNDES, que mantêm uma postura mais expansionista.
Mas também expõe o dilema enfrentado pelos bancos públicos em 2026: emprestar mais pode ajudar a atividade econômica, mas, com juros elevados e tomadores mais pressionados, também aumenta o risco de novas perdas.
É esse o alerta da Moody’s Ratings. A agência de classificação de risco avalia que uma aceleração mais forte do crédito pode elevar os riscos para todo o sistema bancário.
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No caso do BB, a resposta já está em curso: menos apetite nas linhas mais sensíveis e maior cautela depois de uma sequência de resultados entre os mais fracos desde 2020.
Banco do Brasil (BBAS3) aperta o crédito diante da piora da carteira
Para os analistas, a pressão sobre os resultados do Banco do Brasil aparece de forma clara nas métricas de provisionamento.
Segundo a Moody’s, a relação entre as provisões para perdas de crédito e o lucro antes dessas provisões saltou de 54% em março de 2025 para 83% em março de 2026 no Banco do Brasil.
Isso significa que uma parcela maior da geração operacional passou a ser consumida pela necessidade de cobrir eventuais perdas com crédito.
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A agência também chama atenção para a piora gradual da inadimplência no sistema bancário desde meados de 2025.
No Banco do Brasil, os empréstimos vencidos há mais de 90 dias alcançaram 8,8% na carteira de pequenas e médias empresas, 6,8% no crédito ao consumidor e 6,2% no agronegócio em março de 2026.
É justamente nesse contexto que o BB passou a ajustar a estratégia.
A redução do apetite em algumas linhas não significa abandonar segmentos considerados estratégicos, mas tentar preservar a qualidade da carteira enquanto produtores rurais, pequenas empresas e consumidores enfrentam um cenário financeiro mais apertado.
Caixa e BNDES seguem em outra marcha
Enquanto o Banco do Brasil decidiu priorizar a defesa do balanço, Caixa e BNDES mantêm uma postura mais alinhada ao papel anticíclico esperado das instituições públicas — servindo como o braço do governo para injetar liquidez.
O BNDES vem registrando crescimento dos empréstimos acima da média do sistema financeiro, um movimento que a Moody’s interpreta como potencial aumento de risco caso o cenário econômico permaneça adverso por mais tempo.
Por sua vez, a Caixa continua focada na atuação no crédito habitacional e em programas de fomento, embora também tenha reforçado as provisões para operações ligadas ao agronegócio e às pequenas empresas.
Segundo a Moody’s, a pressão sobre a Caixa também se tornou mais evidente nos indicadores de cobertura de perdas. A relação entre as provisões e o lucro antes de provisões da instituição subiu de 26% em março de 2025 para 82% em março deste ano.
Para a agência, as três instituições ainda contam com capitalização adequada e colchões de provisionamento que ajudam a absorver uma deterioração adicional da carteira.
"Os três bancos se beneficiam de capital forte e colchões de provisionamento; no entanto, essas defesas podem ser testadas se as condições de crédito permanecerem fracas por um longo período”, alerta a Moody’s.
Crédito maior pode ajudar a economia — e elevar os riscos
O relatório da Moody’s reconhece que o governo intensificou, ao longo de 2026, medidas de apoio social e programas voltados à expansão do crédito. Em um ambiente de crescimento mais moderado, o impulso pode ajudar a sustentar a atividade econômica.
Mas há um limite delicado nessa equação. A ampliação das concessões ocorre justamente quando os juros seguem altos, a inadimplência avança e o endividamento das famílias continua elevado.
"Uma aceleração no crescimento dos empréstimos pode levar a um aumento dos riscos para todos os bancos brasileiros em meio a um cenário de enfraquecimento das condições de crédito", alertam os analistas da Moody's.
O que esperar do Banco do Brasil e de outros bancos públicos até 2027?
A Moody’s projeta que os resultados do sistema bancário brasileiro devem continuar pressionados ao longo de 2026 e possivelmente também em 2027.
Além das perdas de crédito, os bancos enfrentam uma combinação de menor geração de receitas com tarifas e competição mais intensa pela captação de recursos entre as grandes instituições de varejo, segundo os analistas.
Nesse cenário, a aposta da Moody’s é que a divergência entre os bancos públicos tende a continuar.
Caixa e BNDES devem permanecer como canais relevantes de crédito e fomento, enquanto o Banco do Brasil busca equilibrar seu papel no financiamento da economia com uma gestão mais rigorosa de risco.
Para o BB, a aposta é que a seletividade agora possa reduzir a necessidade de provisões mais adiante.
TESOURA AFIADA
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