Safra rebaixa BB (BBSA3) para venda; Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) também sofrem e só uma ação escapa da degola
Prevendo uma piora do cenário em 2027, o Safra passou a faca nas projeções de lucro e nos preços-alvo dos bancões; BB sofre o segundo corte em duas semanas

O Safra resolveu apertar o botão de cautela para os bancos brasileiros.
Temendo uma piora da economia em 2027, o banco promoveu uma ampla revisão de suas recomendações para o setor. O movimento atingiu pesos-pesados como Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4), que tiveram suas recomendações cortadas ou rebaixadas.
A avaliação dos analistas Daniel Vaz e Rafael Nobre é de que os bancos terão de atravessar um ambiente mais desafiador nos próximos anos, marcado por crédito mais fraco, custo de risco mais elevado e maior pressão sobre a qualidade dos ativos.
O Banco do Brasil foi o mais afetado. A recomendação passou de neutra para venda, com preço-alvo reduzido de R$ 26 para R$ 19.
Já o Bradesco caiu de compra para neutra, enquanto o preço-alvo recuou de R$ 22 para R$ 17.
Até mesmo o Itaú, considerado pelos analistas o banco mais defensivo do setor, teve a recomendação rebaixada de compra para neutra. O preço-alvo caiu de R$ 51 para R$ 47.
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Segundo o Safra, a deterioração do cenário macroeconômico pode pressionar os resultados do setor nos próximos anos. Além do enfraquecimento da atividade econômica, os vencimentos de empréstimos a pequenas e médias empresas com garantia governamental devem elevar a necessidade de provisões.
Os analistas também alertam para a possibilidade de recessão em 2027, cenário que tende a afetar diretamente o crescimento do crédito e aumentar a inadimplência.
Entre os bancos digitais, o Inter (INTR) teve recomendação neutra mantida, mas com redução do preço-alvo de US$ 7 para US$ 5.
O único sobrevivente da revisão foi o Nubank (NU). Apesar do corte do preço-alvo, de US$ 19 para US$ 15, a ação segue com recomendação de compra.
Recessão no radar
Na visão do Safra, o quadro econômico para 2027 inspira preocupação.
Os analistas destacam que as famílias já deixaram de ser o principal motor do crescimento do PIB em meio ao elevado endividamento e aos juros altos. Ao mesmo tempo, a atividade comercial segue enfraquecida e o espaço para expansão dos gastos públicos deve diminuir nos próximos anos.
O cenário é levado tão a sério que o Banco Central já considera exercícios de estresse que contemplam a possibilidade de recessão. Em um cenário mais extremo, haveria queda relevante do consumo das famílias e dos investimentos a partir do quarto trimestre de 2027.
Por que o Safra está pessimista com o Banco do Brasil?
No BB, a situação é de cautela. A estatal recebeu o segundo rebaixamento para venda em semanas, após uma mudança semelhante promovida pelo Citi.
Segundo o Safra, a principal preocupação é a capacidade de geração de capital do banco. Os analistas avaliam que as exigências de capital podem limitar o pagamento de dividendos em 2027.
A qualidade da carteira de crédito também preocupa. No agronegócio, a taxa de pagamentos em dia permaneceu em apenas 75% em julho, sem sinais relevantes de melhora.
Além disso, o banco teria registrado prejuízo de R$ 8,2 bilhões antes dos impostos no primeiro semestre de 2026, de acordo com cálculos do Safra. O movimento reduziu indicadores importantes de capitalização e elevou os riscos para o índice CET1, principal medida de solidez financeira dos bancos.
Bradesco tem risco concentrado em um ponto
Para o Safra, o principal risco do Bradesco está no balanço patrimonial.
Os analistas reconhecem que o banco vem executando bem sua estratégia, especialmente em operações com empresas e no mercado de capitais. A instituição também liderou recentemente o ranking de originação de dívida.
O problema é que parte dessa estratégia depende de programas voltados às pequenas e médias empresas, justamente um segmento que pode perder suporte caso o governo reduza incentivos e gastos nos próximos anos.
Por outro lado, o recente aumento de capital de R$ 10 bilhões foi visto como um importante colchão para enfrentar um ambiente mais difícil.
Nem o Itaú escapou
Apesar do rebaixamento, o Itaú continua sendo visto pelo Safra como o banco mais resiliente entre os grandes nomes do setor.
Os analistas projetam um impacto relativamente limitado sobre os lucros, com corte de cerca de 5% nas estimativas para os próximos dois anos.
O banco também conta com um patrimônio líquido tangível equivalente a aproximadamente 55% da carteira, o que oferece proteção adicional em um cenário mais adverso.
Ainda assim, o Safra ressalta que nenhum banco está totalmente protegido caso a economia entre em recessão.
O que salvou o Nubank?
O Nubank permaneceu como a única recomendação de compra da cobertura.
Para o Safra, a principal vantagem competitiva da fintech está na qualidade do relacionamento com os clientes e no comportamento mais resiliente de suas carteiras de crédito.
A análise do banco aponta crescimento mais forte em empréstimos ao consumidor e indicadores mais estáveis de inadimplência em cartões de crédito dentro do segmento prudencial S2.
Além disso, os analistas veem no México uma importante avenida de crescimento. Como opera com licença bancária no país, o Nubank pode ampliar sua atuação para além do crédito, explorando produtos ligados a depósitos, folhas de pagamento e serviços financeiros.
Já a aposta nos Estados Unidos continua sendo recebida com mais cautela. Na visão do Safra, os investimentos ainda pressionam as despesas operacionais no curto prazo, enquanto os retornos permanecem incertos.
Mesmo assim, o banco prefere dar um voto de confiança à administração antes do próximo Dia do Investidor, quando espera mais detalhes sobre a estratégia de alocação de capital e as metas de rentabilidade da companhia.
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