De venda a compra: o que fez o BB-BI mudar de ideia sobre a Sabesp (SBSP3) e elevar o preço-alvo das ações em quase 50%
Banco mudou recomendação para Sabesp após balanço do 3T26; novo preço-alvo implica potencial de alta de 30% frente ao último fechamento

As ações da Sabesp (SBSP3) acabam de receber um duplo upgrade do BB Investimentos (BB-BI). O banco elevou o preço-alvo dos papéis de R$ 23,80 para R$ 35 até o fim de 2027 e, de quebra, mudou a recomendação de venda para compra para a companhia de saneamento.
O novo preço-alvo representa uma alta de quase 47% em relação à estimativa anterior e um potencial de valorização de 30% sobre a cotação do último fechamento na bolsa.
A revisão veio após a divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2026 (3T26), que mostrou recuperação da rentabilidade da companhia, com avanço da receita e dos resultados operacionais.
Confira aqui o balanço da Sabesp na íntegra.
O 3T26 da Sabesp (SBSP3)
A receita da Sabesp (SBSP3) cresceu 9,1% na comparação anual, enquanto os custos e despesas operacionais avançaram apenas 2,4% no terceiro trimestre.
Com isso, o Ebitda (indicador usado para medir a capacidade de geração de caixa operacional de um negócio) subiu 19,1% e a margem voltou a superar 60%, mesmo em um trimestre em que o lucro líquido foi pressionado pelo resultado financeiro.
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Mais do que o desempenho de um único trimestre, o BB-BI vê espaço para a Sabesp sustentar margens mais altas nos próximos anos e ampliar a receita com o reconhecimento dos investimentos na base de ativos regulatórios.
Essas perspectivas levaram os analistas a revisar para cima as estimativas operacionais — o suficiente para compensar, no modelo, o aumento do custo de capital da empresa.
"Assumimos também margens Ebitda mais altas, em linha com o reportado nos últimos trimestres (ligeiramente acima de 60%) para os próximos anos e um pouco acima de 65% a partir de 2028", afirmam os analistas.
Reajuste tarifário e controle de despesas impulsionam resultado operacional
A melhora da rentabilidade começa pela receita, que, excluídos os efeitos da receita de construção e da variação do ativo financeiro, somou R$ 6 bilhões no terceiro trimestre.
O principal impulso veio do reajuste tarifário de 9,9%, em vigor desde janeiro, combinado ao crescimento de 2,1% do volume, apoiado pela adição de novas economias — unidades consumidoras incorporadas à rede da companhia.
O desempenho foi parcialmente limitado por um mix menos favorável entre categorias de clientes e faixas de consumo, em um período de maior volume de chuvas.
Do lado das despesas, a companhia conseguiu manter os custos em uma trajetória mais moderada que a receita. Os custos e despesas operacionais, excluídas depreciação e construção, totalizaram R$ 2,3 bilhões no trimestre, alta de 2,4% em um ano.
A pressão veio principalmente das despesas maiores com energia elétrica e das perdas estimadas com créditos de liquidação duvidosa.
Em contrapartida, a redução dos gastos com pessoal ajudou a compensar parte desse aumento. Também pesaram o início da consolidação dos resultados da EMAE e as despesas adicionais relacionadas à melhoria do atendimento ao cliente.
A diferença entre o ritmo de crescimento da receita e o das despesas foi determinante para a expansão do resultado operacional.
A recuperação da margem é um dos pontos que sustentam a revisão do BB-BI: o banco passou a considerar que a Sabesp conseguirá manter níveis de rentabilidade mais elevados nos próximos exercícios.
De olho no lucro
Apesar da melhora operacional, o balanço não foi positivo em todas as linhas. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,2 bilhão no 3T26, ante saldo positivo de R$ 707 milhões no mesmo trimestre de 2025.
A comparação foi afetada por uma base excepcionalmente forte: no ano passado, a Sabesp havia registrado um ganho não recorrente de R$ 1,5 bilhão relacionado a precatórios. Além disso, as despesas com juros aumentaram em meio ao crescimento do saldo de dívida, utilizado para financiar a aceleração dos investimentos.
Com isso, o lucro líquido ficou em R$ 1,35 bilhão no trimestre. No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, a companhia registrou lucro de R$ 4,5 bilhões, queda de 21,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A empresa atribuiu a retração principalmente às maiores despesas com juros, em meio ao aumento do endividamento para financiar investimentos, e à base de comparação elevada: o resultado do terceiro trimestre de 2025 havia sido beneficiado por R$ 1,5 bilhão em precatórios.
Ainda assim, o BB-BI concentrou a revisão de suas estimativas na evolução operacional e no potencial de crescimento da receita tarifária.
A instituição considera que a expansão dos investimentos pode contribuir para ampliar a base de ativos regulatórios da Sabesp e sustentar tarifas maiores no futuro.
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