BR Partners (BRBI11) perde selo de compra no Itaú BBA: o que fez o banco ficar mais cauteloso com as ações
Após um 3T26 mais fraco, analistas mudaram a recomendação de BRBI11 para market perform e reduziram o preço-alvo para R$ 14 até o fim de 2027

Depois de um terceiro trimestre mais fraco do que o esperado, o Itaú BBA decidiu tirar as ações do BR Partners (BRBI11) da carteira de recomendações de compra.
Os analistas rebaixaram a indicação de outperform para market perform — equivalente a neutro — e cortou o preço-alvo dos papéis de R$ 20 para R$ 14 até o fim de 2027. Apesar do corte, a nova cifra ainda implica uma valroização potencial de 40% em relação ao último fechamento.
Segundo o banco, a mudança reflete uma combinação que pode dificultar a recuperação dos resultados no curto prazo.
De um lado, a atividade nos mercados de capitais segue incerta, com menos operações de emissão de dívida e negócios de fusões e aquisições (M&A) demorando mais para sair do papel.
De outro, a estrutura de despesas construída ao longo de 2026 continua pressionando a rentabilidade, enquanto provisões maiores para risco de crédito pesaram sobre o balanço mais recente.
O que esperar do BR Partners (BRBI11)?
O Itaú BBA ainda vê valor na tese de longo prazo do banco de investimentos, mas considera que faltam sinais mais claros de retomada das receitas para justificar uma recomendação mais positiva neste momento.
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Os analistas também dizem sentir falta de catalisadores relevantes no curto prazo que possam destravar uma valorização das ações.
A cautela aparece mesmo com os múltiplos considerados modestos pelos analistas: o BR Partners negocia a cerca de 5,8 vezes o lucro estimado para 2027 e 1,2 vez o valor patrimonial.
Na avaliação do Itaú BBA, porém, esses descontos não são suficientes para compensar uma relação entre risco e retorno menos atraente diante das perspectivas para os próximos trimestres.
Receitas de mercado de capitais ficam pelo caminho no 3T26
O balanço do terceiro trimestre de 2026 (3T26) ajuda a entender a mudança de tom.
O BR Partners registrou lucro líquido de R$ 23,5 milhões, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 11,5%. O resultado representa uma queda de 33% em relação ao trimestre anterior e de 44% na comparação anual, refletindo receitas mais fracas e provisões maiores.
A receita total somou R$ 123,3 milhões, recuo de 5% na comparação trimestral e de 8% em um ano. O principal ponto de pressão veio das receitas de clientes, que caíram 19% ante o segundo trimestre, para R$ 84,2 milhões.
Dentro dessa linha, a divisão de Investment Banking (IB) e Mercado de Capitais foi a que mais sentiu a desaceleração. As receitas do segmento ficaram em R$ 53,4 milhões, queda de 34% em relação ao 2T26 e de 21% na comparação anual.
O desempenho acompanha um ambiente mais difícil para as operações de emissão de dívida. Os volumes distribuídos pelo BR Partners recuaram 46% no trimestre, para R$ 1 bilhão, dividido em oito operações — ante 15 transações realizadas no segundo trimestre.
O ritmo mais fraco também aparece no acumulado do ano. Nos nove primeiros meses de 2026, os volumes de emissão do banco ficaram 21% abaixo dos registrados no mesmo período de 2025.
A queda foi mais intensa do que a observada no mercado de renda fixa e de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), que recuou 11,5% no intervalo, segundo dados da Anbima.
Em M&As, o cenário é um pouco diferente. O número de transações anunciadas continua em nível saudável: foram 19 operações nos nove primeiros meses de 2026, contra sete no mesmo período do ano passado.
O problema, segundo a avaliação do Itaú BBA, está menos na quantidade de negócios em negociação e mais no tempo necessário para transformá-los em receitas.
No trimestre, as operações de Investment Banking adicionaram apenas cerca de R$ 500 milhões em volume.
A administração do BR Partners atribuiu a demora na conclusão de negócios aos juros elevados e à volatilidade provocada pelo cenário eleitoral, fatores que aumentam a incerteza e podem levar empresas e investidores a adiar decisões.
Para o Itaú BBA, essa dificuldade não deve desaparecer rapidamente. A expectativa é que o ambiente mais desafiador para os mercados de capitais continue ao longo de 2027, mantendo pressão sobre as receitas de IB e M&A.
Nem todas as áreas tiveram desempenho negativo, porém
A divisão de Sales & Trading, que reúne operações de negociação e intermediação nos mercados financeiros, apresentou recuperação sequencial, com receita de R$ 25,9 milhões, alta de 40% em relação ao trimestre anterior. Na comparação anual, porém, ainda houve queda de 10%.
A área de Wealth, voltada à gestão e ao atendimento de clientes de maior patrimônio, permaneceu praticamente estável, com receitas de R$ 4,9 milhões, crescimento de 21% em um ano.
Já Capital & Others avançou 53% na comparação trimestral, para R$ 39,1 milhões, ajudando a amortecer parte da fraqueza das receitas de clientes.
Esses desempenhos, no entanto, não foram suficientes para compensar a retração de Investment Banking e Mercado de Capitais.
Para os analistas, a dependência de uma retomada mais consistente das operações de emissão e M&A deixa os resultados expostos a um cenário de juros altos e maior volatilidade.
Custos recuam no trimestre, mas estrutura ainda pesa
As despesas trouxeram um sinal positivo no trimestre na comparação com os três meses anteriores. As despesas com pessoal e administrativas caíram 16% no 3T26, para R$ 65,7 milhões.
Os gastos com pessoal recuaram na mesma proporção, para R$ 41,8 milhões, enquanto as despesas administrativas diminuíram 15%, para R$ 23,9 milhões.
O quadro de funcionários, porém, praticamente não mudou: eram 204 colaboradores em setembro, ante 205 em junho.
Isso indica que a redução das despesas não veio de um corte relevante na equipe, mas provavelmente de ganhos de eficiência e de uma remuneração variável menor em um trimestre de receitas mais fracas.
O índice de remuneração — que mede a parcela das receitas destinada a pagar os funcionários — caiu para 33,9%, ante 38,4% no segundo trimestre. Ainda assim, no acumulado de 2026, o indicador permanece em 34,1%, acima do teto de 30% para o ano cheio reiterado pela administração.
Além disso, a melhora sequencial não elimina a pressão acumulada. As despesas com pessoal e administrativas ainda registram alta de 14% na comparação anual e de 29% nos nove primeiros meses de 2026. Considerados isoladamente, os gastos com pessoal avançaram 59% em um ano.
É esse descompasso que preocupa o Itaú BBA. O BR Partners montou uma estrutura maior de funcionários e despesas ao longo de 2026, mas ainda depende de uma recuperação das receitas para diluir esses custos.
Se as operações de mercado de capitais e M&A continuarem demorando a se concretizar, a estrutura mais pesada poderá limitar a expansão das margens, avaliam os analistas.
Provisões maiores também entram na conta
Outro fator que pesou sobre o resultado foi o aumento das provisões relacionadas ao risco de crédito. As outras despesas somaram R$ 16,7 milhões no trimestre, ante R$ 900 mil no segundo trimestre. Segundo a companhia, o avanço reflete uma avaliação mais rigorosa da qualidade da carteira.
Ao mesmo tempo, o BR Partners reduziu sua exposição ao crédito. A carteira caiu 23% no trimestre, para R$ 2,6 bilhões, recuo de 29% em relação ao mesmo período do ano passado. A alavancagem também diminuiu, passando de 3,3 vezes em junho para 2,4 vezes em setembro.
A combinação sugere uma postura mais conservadora na concessão e na gestão do crédito, mas teve impacto negativo sobre o resultado do período.
Para o Itaú BBA, o aumento das provisões reforça a cautela em relação à capacidade de recuperação dos lucros enquanto as receitas de mercado de capitais seguem pressionadas.
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