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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

RESULTADO

Bradesco (BBDC4) vai sair do modo defensivo? ROE supera o custo de capital pela primeira vez na retomada — mas mercado cobra mais

Lucro cresce pelo oitavo trimestre seguido e ROE supera o custo de capital, mas ADRs caem em Wall Street; veja os destaques do balanço

Camille Lima
Camille Lima
5 de fevereiro de 2026
18:47 - atualizado às 19:48
Fachada do Bradesco (BBDC4).
Fachada do Bradesco (BBDC4). - Imagem: Egberto Nogueira

Depois de dois anos de ajustes e freios, o Bradesco (BBDC4) chega ao balanço de 2025 sob a de pressão de mostrar que a reconstrução como pode ganhar velocidade. O banco encerrou o quarto trimestre de 2025 (4T25) com um lucro líquido recorrente de R$ 6,51 bilhões, consolidando uma sequência de resultados que começa a dar corpo à narrativa de recuperação.

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O montante representa uma alta de 20,6% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 5% frente ao trimestre imediatamente anterior. É o oitavo trimestre consecutivo de crescimento do lucro.

O desempenho veio levemente acima do consenso de mercado, que apontava para um lucro médio de R$ 6,39 bilhões, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg.

No acumulado do ano, o Bradesco registrou um lucro de R$ 24,65 bilhões, avanço de 26,1% em relação a 2024 — um sinal claro de que a estratégia de reconstrução começa a ganhar tração de forma mais consistente.

Apesar do resultado majoritariamente em linha com o esperado, a reação dos investidores é bastante negativa em um primeiro momento. Os ADRs (depósitos de ações) do Bradesco tombam 3,5% na primeira hora da divulgação do balanço, em meio ao after market em Wall Street.

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Rentabilidade: o marco do turnaround do Bradesco

Mais do que o lucro em si, o foco dos investidores segue concentrado na rentabilidade — o verdadeiro teste de maturidade do plano de transformação.

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No quarto trimestre, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) do Bradesco atingiu 15,2%, exatamente em linha com as expectativas do mercado.

O indicador avançou 0,5 ponto percentual na comparação trimestral e 2,5 pontos percentuais frente ao mesmo período de 2024. No acumulado do ano, o ROE ficou em 14,8%.

Com esse desempenho, o Bradesco alcançou um marco simbólico: a rentabilidade voltou a superar o custo de capital próprio do banco — algo que não acontecia há tempos.

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“Nosso ROE superou o custo de capital. É um marco importante que foi superado. E a nossa expectativa é que o lucro continue a aumentar, em cada um dos próximos trimestres, de forma gradual e segura, step by step”, afirmou o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, em nota.

Apesar do avanço, o banco ainda opera abaixo de alguns pares privados. O Santander Brasil (SANB11), por exemplo, encerrou o trimestre com ROE de 17,6%. Ainda assim, o movimento recente sugere que a distância começa a diminuir.

Como anda a carteira de crédito do Bradesco? 

Nos últimos trimestres, o Bradesco deixou claro que preferia errar pelo excesso de cautela a repetir erros do passado. O banco passou a priorizar operações com garantias e clientes de maior renda — uma decisão que protegeu a qualidade dos ativos, ainda que tenha limitado o crescimento em determinados momentos.

No quarto trimestre, a carteira de crédito expandida cresceu 11% na comparação anual e 5,3% frente ao trimestre anterior, encerrando o período em R$ 1,09 trilhão. A expansão foi puxada pelos segmentos de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e pessoas físicas, além de operações pontuais com grandes empresas no fim do ano.

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Do lado da inadimplência, os indicadores permaneceram sob controle. O índice de atrasos acima de 90 dias recuou 0,3 ponto percentual na comparação anual e ficou estável frente ao trimestre anterior, em 4,1%.

Já as provisões para devedores duvidosos (PDD) — o colchão que os bancos mantêm para cobrir eventuais calotes — escalaram 20,5% na comparação anual e 7,4% frente ao trimestre anterior, totalizando R$ 10,06 bilhões em perdas esperadas no crédito no trimestre. 

O banco atribui o aumento ao crescimento da carteira, à maior eficiência nos processos de cobrança — que elevou as recuperações — e a menores despesas com PDD no segmento de atacado.

O custo de crédito, por sua vez, recuou levemente, de 3,3% no 3T25 para 3,2% no 4T25, reflexo, segundo o banco, da qualidade na concessão e do perfil mais equilibrado da carteira.

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Outros destaques do balanço do Bradesco (BBDC4) 

A fotografia das receitas também ajuda a explicar por que o Bradesco começa a ganhar confiança para acelerar o plano de transformação.

A margem financeira — que reflete a diferença entre as receitas com crédito e os custos de captação — somou R$ 19,2 bilhões no quarto trimestre, uma expansão de 13,2% em relação ao mesmo período de 2024 e de 2,9% frente ao trimestre anterior.

Já a margem financeira líquida, métrica preferida da administração por capturar melhor a qualidade da carteira, alcançou R$ 10,4 bilhões, com crescimento de 9,3% na base anual.

Dentro desse conjunto, a margem com clientes avançou 18,4% na comparação anual, totalizando R$ 19,1 bilhões. O dado reforça a estratégia do banco de priorizar segmentos com melhor perfil de risco e maior previsibilidade de retorno.

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O desempenho foi impulsionado pelo aumento do volume de crédito, melhora no mix de produtos, spreads mais favoráveis e evolução da margem com passivos.

O contraponto veio da margem com o mercado, ligada às operações de tesouraria, que encolheu 85% na comparação anual, embora tenha avançado 27,3% frente ao trimestre anterior, somando R$ 126 milhões.

Segundo o banco, as oscilações refletem, essencialmente, movimentos de ALM (gestão de ativos e passivos) em um ambiente de maior volatilidade e juros ainda elevados.

Tarifas crescem, despesas seguem no radar 

As receitas do Bradesco com tarifas e prestação de serviços somaram R$ 11,08 bilhões no quarto trimestre, crescimento de 8% na comparação anual e de 4,6% frente ao trimestre anterior. O desempenho foi impulsionado por mercado de capitais, rendas de cartão e operações de crédito.

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Do lado das despesas, o Bradesco registrou gastos operacionais de R$ 16,9 bilhões, uma alta de 3,3% em relação ao ano anterior e de 2,9% na comparação trimestral.

O banco atribui o avanço aos investimentos contínuos no plano de transformação e ao reforço do balanço com provisões para contingências.

Segundo a administração, o impacto nas despesas é temporário — e faz parte do custo de construir uma operação mais eficiente, competitiva e sustentável no médio e longo prazo.

“Terminamos 2025 um passo à frente do nosso cronograma de transformação. Em 2026, investiremos ainda mais na nossa transformação. Sabemos que esses investimentos pressionam temporariamente as nossas despesas, mas acreditamos que valem à pena por elevarem a nossa competitividade de médio e longo prazo”, afirmou Noronha.

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O brilho que segue vindo dos seguros 

Se há uma área que continua entregando previsibilidade e consistência, ela atende pelo nome de Bradesco Seguros.

No quarto trimestre, o lucro líquido da seguradora somou R$ 2,8 bilhões, alta de 10,6% frente ao mesmo período de 2024.

Já rentabilidade média do negócio atingiu 24,3%, uma leve retração de 0,8 ponto percentual na comparação anual, ainda em patamar elevado.

O que esperar de 2026? 

Junto com o balanço, o Bradesco divulgou seu guidance (projeções) para 2026, reforçando a mensagem de continuidade — sem atalhos.

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“Para 2026, esperamos que, com o risco de crédito controlado, nossa rentabilidade evolua por meio do aumento das receitas. O forte desempenho nos dá espaço para investir mais e manter a transformação em ritmo acelerado”, escreveu o banco, em nota no balanço.

Segundo o CEO, o apetite ao risco seguirá moderado diante de um cenário macroeconômico ainda desafiador, com juros elevados — hoje em 15% ao ano — e incertezas no horizonte político.

"Começamos 2026 em ritmo mais forte do que começamos 2025. Mantemos apetite ao risco moderado, porque o cenário macro ainda nos mostra desafios e incertezas, mas temos encontrado boas oportunidades e estamos otimistas com os nossos negócios”, disse Noronha.

Veja a seguir as projeções: 

Indicador2025 – Indicador Anual2025 – Realizado 12M25 vs 12M242026 – Indicador Anual
Carteira de Crédito Expandida4% a 8%11,0%8,5% a 10,5%
Margem Financeira Líquida (Margem Financeira Total – Despesa de PDD Expandida)R$ 37 bilhões a R$ 41 bilhõesR$ 40 bilhõesR$ 42 bilhões a R$ 48 bilhões
Receitas de Prestação de Serviços5% a 9%8,9%3% a 5%
Despesas Operacionais (Pessoal + Administrativas + Outras)5% a 9%8,5%6% a 8%
Resultado das Operações de Seguros, Previdência e Capitalização9% a 13%16,1%6% a 8%

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