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Larissa Bernardes

Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui experiência na cobertura do mercado financeiro em tempo real, economia, política e cenário internacional. Passou por Agência Estado, Safras News, DCM e Record TV.

REESTRUTURAÇÃO

Azul (AZUL3) estreia novo ticker na bolsa após grupamento — e ação cai no primeiro pregão

Até então, os papéis eram negociados em lotes de 1 milhão, sob o ticker AZUL53; para se adequar às regras da B3, a aérea precisou recorrer ao grupamento

Larissa Bernardes
Larissa Bernardes
20 de abril de 2026
16:40
Montagem com o avião da companhia aérea Azul (AZUL53) e um gráfico de ações no fundo
Azul - Imagem: Divulgação/iStock/Jian Fan

A Azul (AZUL3) iniciou a semana com uma reestruturação relevante na sua base acionária — e já enfrenta pressão do mercado.

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Nesta segunda-feira (20), os papéis da companhia aérea voltaram a ser negociados sob o ticker AZUL3, substituindo o AZUL53, após a aprovação do grupamento de ações pelos acionistas no mês passado.

As ações da Azul, no entanto, operam em queda. Por volta das 16h30 (de Brasília), AZUL3 tinha queda de 5,36% no Ibovespa, a R$ 30,52. Na mínima do dia, o papel chegou a ser cotado a R$ 27,50.

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O que está por trás da mudança

A mudança é consequência direta da reestruturação financeira da companhia. Durante o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11), a Azul emitiu um volume massivo de novas ações — tanto para levantar recursos quanto para converter dívida em capital.

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O resultado foi uma diluição expressiva dos acionistas e uma queda acentuada no preço dos papéis, que chegaram a valer menos de um centavo.

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Com isso, as ações passaram a ser negociadas em lotes de 1 milhão na B3, sob o ticker AZUL53 — uma configuração incomum e pouco prática para o investidor.

A bolsa brasileira, no entanto, impõe restrições para ações negociadas a centavos, as chamadas penny stocks, justamente por conta da volatilidade elevada. Para se enquadrar às regras e voltar a um patamar mais “negociável”, a Azul precisou elevar o preço unitário de suas ações.

A solução foi o grupamento. Após um primeiro ajuste em fevereiro, a companhia realizou um novo movimento mais agressivo, na proporção de 150 mil ações para 1.

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A operação foi aprovada em assembleia em março, implementada após o fechamento da última sexta-feira (17) e passou a valer nesta segunda-feira (20).

De AZUL4 a AZUL3: a trajetória do ticker

A mudança marca mais um capítulo na sequência de alterações do código de negociação da companhia.

Antes da recuperação judicial, a Azul tinha ações preferenciais negociadas sob o ticker AZUL4. Com a reestruturação e a entrada no universo das ações de centavos, o código passou a AZUL54.

Posteriormente, foi ajustado para AZUL53, após a conversão das preferenciais em ordinárias.

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Agora, com o grupamento e a redução do número de ações em circulação, a companhia passa a operar como AZUL3, alinhada ao padrão mais comum da B3.

O que muda para o investidor

Para quem já era acionista, o impacto é apenas na forma — não no valor. O investimento total permanece o mesmo, mas a quantidade de ações diminui.

Na prática, quem tinha 150 mil papéis passa a ter 1 ação.

A mudança também simplifica a negociação. O lote padrão foi reduzido de 1 milhão de ações para 100 ações, o que tende a melhorar a liquidez e facilitar a entrada de investidores pessoa física.

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Pós- Chapter 11: menos dívida e foco em caixa

O grupamento ocorre na esteira da saída da Azul do Chapter 11, concluída em 20 de fevereiro. Com a reestruturação, a companhia reduziu em cerca de US$ 1,1 bilhão sua dívida com empréstimos e financiamentos.

Além disso, a Azul cortou aproximadamente 40% do endividamento relacionado a arrendamentos de aeronaves e diminuiu em mais de 50% os pagamentos anuais de juros.

A empresa também projeta uma redução de cerca de um terço nos custos recorrentes com leasing. O plano foi viabilizado por uma captação de aproximadamente US$ 1,375 bilhão em Senior Notes e US$ 950 milhões em novos aportes de capital.

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