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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

MENOS COPOS CHEIOS, MAIS CORTES

A ressaca chegou: Heineken vai demitir até 6 mil funcionários com mundo bebendo menos cerveja

Volumes caem, lucro cresce menos e cervejeira holandesa promete crescer com menos espuma daqui para frente

Camille Lima
Camille Lima
11 de fevereiro de 2026
12:26 - atualizado às 11:56
Copo de cerveja da Heineken.
Copo de cerveja da Heineken. - Imagem: iStock

Depois de tantos anos em que o mundo parecia sempre pronto para brindar, a indústria de cerveja enfim começou a sentir uma ressaca mais persistente. A espuma do crescimento baixou — e a Heineken decidiu agir antes que o copo esvazie de vez. 

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A cervejeira holandesa anunciou nesta quarta-feira (11) um corte de até 6 mil postos de trabalho ao longo dos próximos dois anos, o equivalente a quase 7% da sua força global, hoje estimada em 87 mil funcionários.  

A medida faz parte de um plano para tornar a operação mais enxuta em um momento em que o consumo dá sinais claros de desaceleração. 

Segundo a Heineken, o movimento faz parte de uma iniciativa para “acelerar a produtividade em larga escala e desbloquear economias significativas”.  

“Estamos fazendo isso para fortalecer nossas operações e poder investir no crescimento”, disse o diretor financeiro Harold van den Broek, durante teleconferência de resultados.  

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Heineken quer crescer mais com menos espuma 

Parte dos cortes deve se concentrar na Europa e em mercados considerados não prioritários, com menor potencial de expansão, segundo o CFO.

Leia Também

Outra fatia virá de programas já anunciados para enxugar a rede de fornecimento, a estrutura da sede e unidades regionais. 

O ajuste acontece em um momento de pressão para a Heineken. No papel, o lucro operacional ajustado avançou 4,4% em 2025, para 4,385 bilhões de euros.  

Mas o dado que realmente dita o rumo da indústria é o volume — e esse esfriou. No quarto trimestre, os volumes consolidados de cerveja recuaram 1,7%. No acumulado do ano, a queda foi de 1,2%.  

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O discurso para 2026 também veio mais comedido. A empresa projeta agora crescimento de lucro entre 2% e 6%, abaixo da faixa de 4% a 8% prevista anteriormente no guidance para 2025. 

A dona de marcas como Heineken, Amstel e Tiger tem sido cobrada por investidores por maior produtividade, diante da percepção de que ficou atrás de alguns concorrentes em eficiência operacional.  

O novo plano responde diretamente a essa pressão: se o consumidor desacelera, a companhia precisa apertar a própria torneira de custos para sustentar a rentabilidade. 

A redução de custos também acontece em meio a uma transição relevante na liderança. A companhia está à procura de um novo presidente-executivo após a renúncia surpresa do CEO Dolf van den Brink, anunciada em janeiro. 

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Menos copos cheios — e o setor sente o baque 

A Heineken não está sozinha. O setor de bebidas alcoólicas como um todo enfrenta vendas mais fracas, pressionadas por consumidores mais sensíveis a preços, orçamentos apertados e até condições climáticas adversas em mercados importantes. 

A rival Carlsberg também anunciou demissões recentemente, enquanto outras fabricantes vêm cortando custos, vendendo ativos e ajustando a produção após anos de crescimento mais morno. 

 *Com informações da Reuters e do Estadão Conteúdo. 

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