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Larissa Bernardes

Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui experiência na cobertura do mercado financeiro em tempo real, economia, política e cenário internacional. Passou por Agência Estado, Safras News, DCM e Record TV.

TER OU NÃO TER NA CARTEIRA

A alta de mais de 2% da Vale (VALE3) após a produção forte do 1T26 é o suficiente para comprar a ação antes do balanço?

Produção de minério cresce entre janeiro e março, cobre e níquel surpreendem e bancos elevam projeções de lucro e geração de caixa; saiba o que fazer com os papéis agora

Larissa Bernardes
Larissa Bernardes
17 de abril de 2026
13:12
vale vale3 minério de ferro prévia operacional 3t24
Vale (VALE3) na bolsa - Imagem: Canva/Montagem

As ações da Vale (VALE3) operam em alta nesta sexta-feira (17), embaladas pela recepção positiva do relatório de produção e vendas do primeiro trimestre de 2026 (1T26). O documento reforçou a leitura de um trimestre operacionalmente robusto, com destaque para o desempenho dos metais básicos e revisões para cima nas estimativas de resultado.

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A mineradora registrou produção de 69,6 milhões de toneladas de minério de ferro entre janeiro e março, alta de 3% na comparação com o mesmo período de 2025.

Por volta de 13h (de Brasília), os papéis subiam 1,94%, a R$ 89,13, enquanto os ADRs negociados em Nova York avançavam 2,41%, cotados a US$ 17,84.

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O relatório operacional é considerado uma espécie de prévia dos números financeiros, que serão divulgados no dia 28 de abril, após o fechamento do mercado.

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Produção sólida da Vale agrada o mercado

A XP Investimentos classificou o desempenho como sólido e ligeiramente acima das expectativas.

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A corretora elevou a projeção de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado para cerca de US$ 4,2 bilhões, um aumento de aproximadamente 5% em relação à estimativa anterior.

Em linha semelhante, o Itaú BBA revisou a projeção para US$ 4,06 bilhões, destacando que o trimestre foi marcado por vendas resilientes e melhor realização de preços — sobretudo na divisão de metais básicos, a Vale Base Metals (VBM).

A Genial Investimentos também ajustou as estimativas, projetando Ebitda de US$ 4,1 bilhões. Apesar de uma queda de 15,8% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o número indica uma alta relevante de 26,8% em relação ao mesmo período de 2025.

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A casa ainda estima lucro líquido de US$ 2,87 bilhões, mais que o dobro do registrado um ano antes.

O que impulsionou a mineradora no trimestre

Do ponto de vista operacional, o trimestre da Vale foi sustentado por avanços relevantes em ativos estratégicos.

O Morgan Stanley destaca que o aumento da produção decorreu principalmente de três pontos:

  • continuidade da expansão do projeto Capanema, que deve atingir capacidade total no segundo trimestre;
  • melhor desempenho da mina de Brucutu, com maior volume para um primeiro trimestre desde 2018;
  • redução do tempo de inatividade para manutenção no Complexo de Itabira.

Esses fatores, segundo o banco, compensaram com folga a menor disponibilidade de minério bruto em Serra Norte.

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Mesmo diante de desafios pontuais, como chuvas mais intensas e restrições temporárias em algumas operações, a leitura predominante é de consistência.

Para o Bradesco BBI, a Vale entregou mais um conjunto robusto de resultados, reforçando a execução previsível da companhia.

Metais básicos têm forte desempenho

Se o minério de ferro continua sendo o carro-chefe, o trimestre mostrou que os metais básicos ganharam espaço relevante nos resultados da Vale.

A produção de cobre alcançou 102,3 mil toneladas, alta de 12,5% na comparação anual, enquanto as vendas somaram 91,2 mil toneladas, avanço de 11,4%.

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Segundo a Vale, trata-se do melhor desempenho para um primeiro trimestre desde 2017. No caso do níquel, o volume também surpreendeu, atingindo o maior nível para o período desde 2020.

Na avaliação do BTG Pactual, o desempenho do segmento foi impulsionado tanto por melhorias operacionais quanto por preços mais elevados, o que ajudou a compensar impactos climáticos e logísticos pontuais.

Já o Banco Safra pondera que, apesar do bom desempenho de cobre e pelotas, houve queda nos embarques de minério de ferro e preços realizados abaixo do esperado em algumas linhas, o que limitou parcialmente o resultado consolidado.

Geração de caixa e recomendações seguem no radar

A capacidade de geração de caixa segue como um dos principais pilares da tese.

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O Bradesco BBI projeta que a Vale pode gerar o equivalente a cerca de 11% de seu valor de mercado em caixa ao longo de 2026, considerando os níveis atuais de preços das commodities.

As recomendações do mercado para a Vale seguem majoritariamente positivas.

O Morgan Stanley reiterou compra para os ADRs, com preço-alvo de US$ 19,50. O BTG Pactual mantém compra para VALE3, com preço-alvo de R$ 85, enquanto o Itaú BBA projeta R$ 101 para as ações no Brasil e US$ 19,50 para os ADRs.

A Genial adota postura mais cautelosa, com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 90.

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Preço do minério reforça pano de fundo positivo

No ambiente externo, os preços do minério de ferro também contribuem para o desempenho das ações da Vale.

Os contratos futuros da commodity avançaram na China nesta sexta-feira (17), em meio a preocupações com possíveis interrupções na oferta da Austrália e uma demanda ainda moderada na China, pressionada por restrições ambientais em regiões produtoras de aço.

O contrato de setembro ‌do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China subiu 0,39%, ‌a 778,5 iuanes (US$ 114,06) a tonelada.

Segundo o Shanghai Metals Market, as preocupações ‌com a contração da oferta de curto prazo no mercado de minério de ferro foram agravadas pelos ⁠preços persistentemente altos de energia e pela escassez de combustível ligada à guerra do Irã.

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