A alta de mais de 2% da Vale (VALE3) após a produção forte do 1T26 é o suficiente para comprar a ação antes do balanço?
Produção de minério cresce entre janeiro e março, cobre e níquel surpreendem e bancos elevam projeções de lucro e geração de caixa; saiba o que fazer com os papéis agora

As ações da Vale (VALE3) operam em alta nesta sexta-feira (17), embaladas pela recepção positiva do relatório de produção e vendas do primeiro trimestre de 2026 (1T26). O documento reforçou a leitura de um trimestre operacionalmente robusto, com destaque para o desempenho dos metais básicos e revisões para cima nas estimativas de resultado.
A mineradora registrou produção de 69,6 milhões de toneladas de minério de ferro entre janeiro e março, alta de 3% na comparação com o mesmo período de 2025.
Por volta de 13h (de Brasília), os papéis subiam 1,94%, a R$ 89,13, enquanto os ADRs negociados em Nova York avançavam 2,41%, cotados a US$ 17,84.
O relatório operacional é considerado uma espécie de prévia dos números financeiros, que serão divulgados no dia 28 de abril, após o fechamento do mercado.
Produção sólida da Vale agrada o mercado
A XP Investimentos classificou o desempenho como sólido e ligeiramente acima das expectativas.
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A corretora elevou a projeção de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado para cerca de US$ 4,2 bilhões, um aumento de aproximadamente 5% em relação à estimativa anterior.
Em linha semelhante, o Itaú BBA revisou a projeção para US$ 4,06 bilhões, destacando que o trimestre foi marcado por vendas resilientes e melhor realização de preços — sobretudo na divisão de metais básicos, a Vale Base Metals (VBM).
A Genial Investimentos também ajustou as estimativas, projetando Ebitda de US$ 4,1 bilhões. Apesar de uma queda de 15,8% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o número indica uma alta relevante de 26,8% em relação ao mesmo período de 2025.
A casa ainda estima lucro líquido de US$ 2,87 bilhões, mais que o dobro do registrado um ano antes.
O que impulsionou a mineradora no trimestre
Do ponto de vista operacional, o trimestre da Vale foi sustentado por avanços relevantes em ativos estratégicos.
O Morgan Stanley destaca que o aumento da produção decorreu principalmente de três pontos:
- continuidade da expansão do projeto Capanema, que deve atingir capacidade total no segundo trimestre;
- melhor desempenho da mina de Brucutu, com maior volume para um primeiro trimestre desde 2018;
- redução do tempo de inatividade para manutenção no Complexo de Itabira.
Esses fatores, segundo o banco, compensaram com folga a menor disponibilidade de minério bruto em Serra Norte.
Mesmo diante de desafios pontuais, como chuvas mais intensas e restrições temporárias em algumas operações, a leitura predominante é de consistência.
Para o Bradesco BBI, a Vale entregou mais um conjunto robusto de resultados, reforçando a execução previsível da companhia.
Metais básicos têm forte desempenho
Se o minério de ferro continua sendo o carro-chefe, o trimestre mostrou que os metais básicos ganharam espaço relevante nos resultados da Vale.
A produção de cobre alcançou 102,3 mil toneladas, alta de 12,5% na comparação anual, enquanto as vendas somaram 91,2 mil toneladas, avanço de 11,4%.
Segundo a Vale, trata-se do melhor desempenho para um primeiro trimestre desde 2017. No caso do níquel, o volume também surpreendeu, atingindo o maior nível para o período desde 2020.
Na avaliação do BTG Pactual, o desempenho do segmento foi impulsionado tanto por melhorias operacionais quanto por preços mais elevados, o que ajudou a compensar impactos climáticos e logísticos pontuais.
Já o Banco Safra pondera que, apesar do bom desempenho de cobre e pelotas, houve queda nos embarques de minério de ferro e preços realizados abaixo do esperado em algumas linhas, o que limitou parcialmente o resultado consolidado.
Geração de caixa e recomendações seguem no radar
A capacidade de geração de caixa segue como um dos principais pilares da tese.
O Bradesco BBI projeta que a Vale pode gerar o equivalente a cerca de 11% de seu valor de mercado em caixa ao longo de 2026, considerando os níveis atuais de preços das commodities.
- Leia também: Dividendos extraordinários da Vale (VALE3) baterão à porta do investidor em breve, segundo o BTG
As recomendações do mercado para a Vale seguem majoritariamente positivas.
O Morgan Stanley reiterou compra para os ADRs, com preço-alvo de US$ 19,50. O BTG Pactual mantém compra para VALE3, com preço-alvo de R$ 85, enquanto o Itaú BBA projeta R$ 101 para as ações no Brasil e US$ 19,50 para os ADRs.
A Genial adota postura mais cautelosa, com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 90.
Preço do minério reforça pano de fundo positivo
No ambiente externo, os preços do minério de ferro também contribuem para o desempenho das ações da Vale.
Os contratos futuros da commodity avançaram na China nesta sexta-feira (17), em meio a preocupações com possíveis interrupções na oferta da Austrália e uma demanda ainda moderada na China, pressionada por restrições ambientais em regiões produtoras de aço.
O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China subiu 0,39%, a 778,5 iuanes (US$ 114,06) a tonelada.
Segundo o Shanghai Metals Market, as preocupações com a contração da oferta de curto prazo no mercado de minério de ferro foram agravadas pelos preços persistentemente altos de energia e pela escassez de combustível ligada à guerra do Irã.
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