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POLÍTICA MONETÁRIA

Olha o corte da Selic! É mentira? O balanço do mercado entre os 14,25% e a manutenção dos juros

As últimas semanas foram de vaivém nas projeções dos agentes financeiros, a ponto de o consenso sobre o corte não ser tão firme assim

Mercado está dividido entre manutenção e corte na taxa Selic. Imagem: Montagem Seu Dinheiro

Olha a manutenção da Selic — é mentira! Olha o corte dos juros — já passou. O balancê nas projeções para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) segue, com as probabilidades entre corte e manutenção se cruzando pelo caminho.

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Em mais de uma conversa nos últimos dias, fontes ouvidas pela reportagem falaram que os diretores do Banco Central “deveriam manter” a taxa Selic estacionada em 14,5% ao ano neste encontro de junho. Porém, “na hora H”, a projeção oficial é de corte de 0,25 ponto percentual (p.p.), para 14,25% ao ano.

Em relatório divulgado na sexta-feira (12), o economista do Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos, escreveu que a chamada oficial do banco é de corte de 0,25 p.p. para a Selic, porém, “avaliamos uma probabilidade considerável de 40% de não haver corte, dado o cenário inflacionário desafiador”.

Esta é uma probabilidade maior do que o mercado de derivativos da B3 precifica para a manutenção dos juros: 32%, bastante abaixo dos 68% para corte de 0,25 p.p..

A manutenção perdeu força na quinta-feira (11) da última semana, depois de atingir um pico de 70% de probabilidade dias antes. Os economistas que defendem essa possibilidade argumentam a piora no cenário de inflação — tanto do aumento de preços correntes quanto das expectativas futuras.

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Vai cortar ou vai manter os juros?

A inflação piorou no Brasil e no mundo com a guerra entre Estados Unidos e Irã. Diante deste novo cenário, os agentes financeiros veem três riscos que o Copom terá que levar em consideração na reunião desta semana:

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  1. O risco de um choque de preços que era para ser passageiro se tornar permanente;
  2. A piora das expectativas de inflação futura; e
  3. A leitura de um Banco Central mais tolerante com a meta, o que desgastaria a credibilidade conquistada nos últimos ciclos.

Esse conjunto de fatores justifica uma cautela maior, a grande questão é o nível desta cautela.

Para a XP, como os membros do Copom praticamente não alteraram a comunicação oficial desde a última reunião de maio e as condições de mercado melhoraram ligeiramente nos últimos dias, a interrupção no ciclo de cortes de juros nesta semana é pouco provável.

Já a Inter Asset aposta na manutenção. Para Ian Lima, gestor de renda fixa, o nível de deterioração da inflação, corrente e futura, exigem essa postura mais cautelosa, dada a abertura dos indicadores em relação à meta de 3%.

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Na última sexta-feira, o índice oficial de inflação (IPCA) de maio registrou uma inflação acumulada em 12 meses acima do teto da meta (4,5%), em 4,72%. As expectativas futuras também passaram por deterioração, com as projeções subindo para o IPCA em 2027 e 2028.

Para David Beker, economista-chefe do Bank Of America para a América Latina, o aumento nas projeções futuras para o IPCA reforça a visão de que a convergência para a meta será mais lenta.

“Embora os riscos estejam inclinados para alta, não vemos o BC subir os juros, já que as taxas reais (que descontam a inflação da Selic) continuam restritivas em 9,5%”, escreve em relatório.

O futuro da taxa Selic

Se a decisão do Copom nesta semana abre divergências nos mercados, o que se dirá da Selic terminal no ano. As projeções variam de 12,75% a 14,5% para instituições que esperam a manutenção e mais nenhum corte neste ano.

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Para o BofA, o Copom fará mais um corte e fim — estaciona em 14,25% neste ano.

Beker espera que o comunicado do Copom retire a orientação sobre “calibração contínua”, barrando a ideia de cortes adicionais.

A maior parte dos economistas vincula essa “janela de cortes” nos juros à resolução da guerra no Oriente Médio. A maior parte da pressão inflacionária vem do conflito e da quebra na cadeia de fornecimento do petróleo e seus derivados.

No último final de semana, Estados Unidos e Irã anunciaram um possível acordo de paz, que ainda precisa ser firmado oficialmente. Nesta segunda-feira (15), bolsa de valores e curvas de juros ao redor do mundo tiveram um dia de alívio.

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Entretanto, é possível acompanhar para confirmar se as prerrogativas para o acordo serão cumpridas.

O Itaú descreve o momento como delicado para o Banco Central. “O cenário atual sugere um trade-off [relação de compromisso com uma escolha] bastante delicado entre avançar no processo de flexibilização [dos juros] e o risco de deterioração adicional do ambiente inflacionário”, diz o relatório.

O banco reviu recentemente sua projeção de Selic em 2026 de 13,25% para 13,75%.

Seja qual for a decisão do Copom nesta semana, o futuro seguirá em aberto — e resta aos mercados acompanhar o balancê do Banco Central.

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