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A primeira alta na Europa em três anos reforça o alerta contra a inflação global e reduz o espaço para uma queda na taxa básica de juros no Brasil na próxima semana

O mundo dá voltas — e a última pernada nos trouxe de volta para um lugar incômodo: juros altos no mundo. Nesta quinta-feira (11), o Banco Central Europeu (BCE) elevou sua taxa de juros pela primeira vez em quase três anos. A decisão de subir a taxa de referência para 2,25% mexe com a política monetária de outros países — como Brasil e Estados Unidos.
A próxima quarta-feira (17) será um dia de Super-Quarta, em que os comitês de política monetária de ambos os países se reúnem para decidir o patamar dos juros. E os motivos que levaram o BCE a tomar sua decisão também servem para o Fomc (dos EUA) e o Copom (do Brasil).
O principal motor para a decisão europeia é a guerra no Irã, que provocou uma disparada nos custos de energia e do petróleo. Na zona do euro, a inflação já ultrapassou os 3%, ficando bem acima da meta de 2% perseguida pela autoridade monetária local.
Como os países europeus dependem muito do gás para gerar energia elétrica, e o conflito no Oriente Médio limitou as entregas e encareceu o custo de vida em toda a região.
Na decisão desta quarta-feira, o BCE optou por esse "aumento preventivo" para evitar que a alta dos preços de energia se espalhe por toda a economia, afetando outros produtos e serviços.
Os mesmos problemas que levaram o BCE a agir estão presentes no cenário brasileiro.
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A guerra mantém o preço do barril de petróleo próximo de US$ 95, o que pressiona os custos de combustíveis, transportes e produção em todo o mundo.
Além disso, o Brasil sofre com a chamada "inflação importada". Quando os preços sobem globalmente e o frete internacional encarece, esses custos são repassados aos produtos que o país compra do exterior, fazendo com que a população sinta o aumento na hora das compras.
Por aqui, a inflação também mostra sinais de aceleração. A prévia do índice oficial (IPCA-15) subiu para 4,64% em maio, e os economistas já projetam que o indicador fechará o ano acima de 5% — muito acima da meta de 3%.
O relatório Focus do Banco Central, que reúne semanalmente as projeções do mercado, já registra 13 semanas seguidas de piora nas expectativas de preços para o futuro. Atualmente está em 5,11% ao final do ano.
Há poucas semanas, a maior parte dos agentes financeiros esperava que o Banco Central brasileiro cortasse os juros nesta reunião de junho. No entanto, essa expectativa virou.
As projeções de inflação mais alta, o dólar voltando a ganhar força frente ao real (o que também piora a inflação) e a indefinição a respeito da guerra criaram um cenário bastante negativo para a economia do país — principalmente diante de uma disputa eleitoral para a Presidência acirrada no segundo semestre.
Essa mudança de percepção é visível nos dados dos contratos de opção do Copom na B3. Esses contratos registram as apostas no mercado na probabilidade de corte, alta ou manutenção dos juros.
Até 3 de junho, a probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual era predominante. Entretanto, no dia 5, a manutenção ganhou força ao ponto de chegar em 70% de probabilidade no dia 9.
Isso significa que, agora, os agentes financeiros esperam que o Copom mantenha a taxa Selic em 14,5% ao ano.
Para a reunião seguinte, em agosto, o pessimismo é ainda maior: os contratos de mercado já apontam 79% de chance de que os juros continuem no nível atual, sem novas reduções à vista.
Diferentemente do cenário europeu, em que o BCE não aumentava os juros há quase três anos, o Banco Central do Brasil executou um ciclo de alta da taxa Selic até o segundo semestre de 2025.
Por isso os agentes financeiros falam em manutenção da taxa, não de aumento.
O nível dos juros do Brasil ainda está entre os maiores do mundo. A taxa Selic começou o ano em 15% e a expectativa em janeiro era de um corte de 3 pontos percentuais ao longo dos 12 meses.
Com a guerra, essa expectativa se reverteu rapidamente. Agora, se o Copom optar por encerrar o ciclo de cortes em junho, a redução na Selic terá sido de apenas 0,5 ponto percentual.
Para além dos negócios com os contratos de opções do Copom, os agentes financeiros já estão precificando esses juros elevados nos títulos soberanos também.
O Tesouro Prefixado, mais sensível às expectativas de juros, está oferecendo uma taxa de 14,8% no papel com vencimento em 2029. Em fevereiro, a taxa era de 12,8%, refletindo a expectativa dos cortes.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) também deve manter os juros estacionados. Entretanto, o mercado espera elevação das taxas após as eleições de meio de mandato, em novembro, caso a inflação não ceda até lá.
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