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DOM PEDRO ESTARIA EM CHOQUE?

Depois de quase 150 anos conectando a história do Brasil, antiga sede dos Correios no Rio vai a leilão

A antiga sede dos Correios no Rio de Janeiro, com quase 150 anos de história, acaba de ser levada a leilão; área possui valor histórico e arquitetônico no Centro da cidade.

Antiga sede dos Correios
Antiga sede dos Correios, no Rio de Janeiro. - Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil.

Na Rua Primeiro de Março, em meio a construções concebidas no período imperial e que remetem às memórias da época, a antiga sede dos Correios segue como um ícone do Centro do Rio de Janeiro.

Cercado por marcos como o Paço Imperial, a Igreja da Candelária e o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), o edifício integra o conjunto arquitetônico da Praça XV, região que por séculos concentrou as atividades administrativas, comerciais e financeiras da antiga capital brasileira.

É nesse cenário que a antiga sede dos Correios foi levada a leilão como parte de um processo de reestruturação financeira e revisão da carteira imobiliária da estatal.

Com cerca de 9 mil m² de área construída em um terreno de 1,5 mil m², o prédio teve lance inicial de R$ 53,6 milhões.

Apesar de fazer parte de um conjunto tombado e de seu reconhecido valor histórico, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) não interfere na transferência da propriedade ou da posse de bens protegidos, e que a responsabilidade pelo imóvel permanece com o proprietário.

150 anos de história

A antiga sede dos Correios do Rio de Janeiro foi inaugurada em 1878, durante o reinado de Dom Pedro II, como o primeiro grande edifício brasileiro concebido para especificamente concentrar os serviços postais.

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O projeto é atribuído ao engenheiro e arquiteto Antonio de Paula Freitas, um dos nomes mais relevantes da engenharia imperial. A construção buscava conferir aos Correios uma presença institucional compatível com a modernização do Estado brasileiro e com a expansão das comunicações no país.

O início de suas operações veio logo após a adesão do Brasil à União Postal Universal (UPU) em 1877, marco que conectou o sistema postal brasileiro a uma rede internacional de circulação de correspondências e fortaleceu as relações do Império com o restante do mundo.

Ocupando integralmente o quarteirão delimitado pelas ruas Primeiro de Março, do Rosário e Visconde de Itaboraí, além da Travessa Tocantins, o edifício nasceu com três pavimentos e um mezanino. Ao longo das décadas, passou por ampliações que o levaram à configuração atual, com cinco andares.

A sede dos Correios atravessou a queda da Monarquia, a República Velha, o Estado Novo, as reformas administrativas do século XX e a criação da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (atual Correios). Com quase 150 anos de história para contar, o edifício que simbolizou a comunicação do país inicia uma nova etapa com a sua venda.

O imóvel pode ser alterado?

O leilão da antiga sede dos Correios levantou dúvidas acerca do futuro do edifício e de sua inserção no conjunto histórico e cultural do centro do Rio. A presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), Isabel Rocha, esclareceu essas questões em uma entrevista à Agência Brasil.

Segundo ela, o tombamento protege as características do edifício, mas não impede a transferência de propriedade. No entanto, aquele que eventualmente comprá-lo não pode demolir ou descaracterizar o bem e deve obter autorização dos órgãos responsáveis pela preservação antes de qualquer intervenção.

Por isso, para a arquiteta, quem adquirir o prédio deverá considerar não apenas as restrições impostas pelo tombamento, mas também o valor histórico atribuído ao imóvel em uma das áreas mais icônicas da historiografia do Brasil.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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