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PROJEÇÕES ECONÔMICAS

BTG Pactual vê inflação mais alta e diz que BC já deveria pausar cortes da Selic; veja o que mudou no cenário para o Brasil

Banco ainda espera redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, mas avalia que os fundamentos já justificariam uma pausa no ciclo de cortes

Bandeira do Brasil sobreposta por um gráfico de ações e a logo do BTG Pactual ao centro representando as estimativas do banco para a economia brasileira
BTG Pactual revisa projeções para a economia brasileira - Imagem: Montagem/Canva Pro

A pressão inflacionária voltou a ganhar força, o petróleo elevou os riscos para os preços e o Banco Central pode estar chegando ao limite do espaço para cortar juros. Esse é o diagnóstico do BTG Pactual, que revisou suas projeções para a economia brasileira e passou a defender que a taxa Selic deveria entrar em pausa já neste mês.

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Apesar disso, o banco ainda espera um último corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 16 e 17 de junho, antes de um longo período de estabilidade nos juros.

No relatório mensal de cenário macro, divulgado nesta terça-feira (9), o BTG Pactual elevou suas estimativas para a inflação de 2026 e 2027, piorou as projeções para a dívida pública e alertou que o acúmulo de estímulos fiscais tem reduzido a margem de manobra da política monetária.

Ao mesmo tempo, o banco reconheceu que a economia do país continua mostrando resiliência, sustentada pelo mercado de trabalho aquecido, pelo consumo e por medidas governamentais de estímulo à demanda.

BTG Pactual eleva projeções para a inflação

O banco revisou sua estimativa para o índice nacional de preços ao consumidor amplo (IPCA) de 2026 de 4,9% para 5,3%. Para 2027, a projeção passou de 4,2% para 4,5%.

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Segundo a instituição, o principal fator por trás da revisão é o choque provocado pela alta do petróleo após o agravamento do conflito no Oriente Médio.

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O impacto aparece em diferentes frentes da economia, avaliam os analistas do banco.

A alta do diesel tem pressionado os preços dos alimentos, enquanto os custos mais elevados de energia e os problemas nas cadeias globais de suprimentos vêm encarecendo os bens industriais.

Já os serviços seguem pressionados pela força do mercado de trabalho e pela piora das expectativas inflacionárias.

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O BTG Pactual também passou a incorporar um cenário de El Niño forte em suas projeções, acrescentando riscos para os preços dos alimentos nos próximos meses.

Mesmo após as revisões, o banco afirma que o balanço de riscos continua assimétrico para cima.

Copom ainda deve cortar juros, mas pausa seria mais adequada

Embora o cenário-base continue prevendo uma redução da Selic na próxima reunião do Copom, o BTG argumenta que os fundamentos econômicos já recomendariam uma pausa imediata.

Na avaliação do banco, a combinação entre inflação corrente mais alta, atividade econômica forte, mercado de trabalho apertado e expectativas de inflação deterioradas reduz o espaço para novos cortes.

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Os analistas destacam ainda que o ambiente ficou mais complexo devido à persistência dos preços elevados do petróleo, aos gargalos nas cadeias globais de produção, aos riscos climáticos associados ao El Niño e às incertezas relacionadas ao possível fim da escala 6x1.

Para a instituição, continuar reduzindo juros neste momento pode ampliar a desancoragem das expectativas e diminuir o espaço para flexibilização monetária em 2027.

Ainda assim, como a comunicação recente do Copom continua indicando a continuidade do processo de ajuste, o cenário-base do BTG Pactual prevê um último corte de 0,25 ponto percentual em junho, levando a Selic para 14,25%, seguido de estabilidade até o fim de 2026.

O cenário para 2027 contempla uma taxa terminal de 12,5%, mas o banco ressalta que essa trajetória “pressupõe estabilização das expectativas de 2028 e preservação da credibilidade da política monetária”.

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Estímulos fortalecem atividade, mas pressionam contas públicas

Grande parte da preocupação dos analistas do BTG Pactual está ligada ao avanço das medidas de estímulo à economia.

Segundo o relatório, os programas parafiscais anunciados desde meados de 2025 já somam cerca de R$ 275 bilhões e devem injetar outros R$ 142 bilhões na atividade econômica em 2026.

Na visão da instituição, essas iniciativas têm ajudado a sustentar o crescimento e compensado parte dos efeitos da política monetária restritiva.

“Os estímulos fiscais — especialmente o pagamento de precatórios em março, a isenção do Imposto de Renda e programas de crédito — aliados ao aquecimento do mercado de trabalho, seguem trazendo resiliência para a atividade econômica neste primeiro semestre” dizem os analistas.

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“O impulso fiscal tem mais do que compensado o elevado aperto da política monetária neste ano”, acrescentam.

Por outro lado, também mantêm a demanda aquecida e dificultam o trabalho do Banco Central no combate à inflação.

“Embora não sejam contabilizadas como despesa primária e, portanto, não afetem diretamente o cumprimento das metas fiscais, os custos de sua expansão já aparecem na forma de despesas maiores com juros”, afirma o BTG Pactual.

Além disso, alerta a instituição, o acúmulo das medidas fiscais pode pressionar o déficit nominal e a dívida pública.

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O banco projeta déficit nominal de 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, o maior patamar desde a pandemia. Para 2027, a estimativa foi elevada para 8,4% do PIB.

A principal pressão vem das despesas com juros, que tendem a permanecer elevadas em um cenário de Selic mais alta por mais tempo.

Com isso, a projeção para a dívida bruta passou para 80,9% do PIB em 2026 e 85% do PIB em 2027.

Apesar da perspectiva de piora das contas públicas, o BTG Pactual destaca que a arrecadação federal continua robusta.

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Segundo os analistas, o movimento reflete “a combinação de atividade econômica resiliente, medidas aprovadas nos últimos anos e primeiros sinais do impacto do choque do petróleo sobre a receita”.

Economia surpreende e BTG melhora projeção para o PIB de 2026

A atividade econômica continua sendo uma das principais surpresas positivas do cenário brasileiro. O BTG Pactual elevou sua projeção para o crescimento do PIB em 2026 de 1,9% para 2%.

Segundo o relatório, o resultado do primeiro trimestre confirmou a retomada da economia, enquanto os indicadores preliminares do segundo trimestre seguem apontando resiliência, especialmente na indústria.

A instituição destaca que o crescimento está mais equilibrado do que no ano passado, quando a expansão era sustentada principalmente por setores menos sensíveis ao ciclo econômico. Agora, consumo e investimentos privados têm contribuído de forma mais relevante para a atividade.

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Os estímulos fiscais ajudam a explicar a força da economia neste primeiro semestre, mas o mercado de trabalho continua sendo outro importante vetor de sustentação.

De acordo com o BTG Pactual, a taxa de desemprego permanece próxima das mínimas históricas, enquanto os rendimentos reais seguem crescendo acima da produtividade.

Para 2027, a preocupação é o crédito

Apesar do desempenho mais forte neste ano, o banco vê um cenário mais desafiador para 2027. A projeção de crescimento do PIB para o próximo ano foi reduzida de 1,6% para 1,1%.

Segundo o BTG Pactual, a combinação de juros elevados por mais tempo e impulso fiscal próximo da neutralidade deve limitar o ritmo da atividade.

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O crédito aparece como uma das principais fontes de preocupação. O relatório aponta desaceleração das concessões, aumento da inadimplência e níveis elevados de endividamento e comprometimento de renda das famílias em um ambiente de custos financeiros ainda altos.

Brasil se beneficia do choque do petróleo

No setor externo, o BTG continua vendo o Brasil como um dos países mais bem posicionados entre os emergentes para enfrentar os efeitos econômicos do conflito no Oriente Médio.

A instituição manteve sua projeção de superávit comercial de US$ 90 bilhões tanto em 2026 quanto em 2027, sustentada principalmente pela alta do petróleo e pelo aumento do volume exportado da commodity.

O relatório destaca que o Brasil é o único entre os grandes emergentes analisados com saldo líquido positivo quando considerados conjuntamente os fluxos de energia e fertilizantes.

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Os números recentes reforçam essa avaliação. Em maio, a entrada líquida de dólares via comércio exterior alcançou quase US$ 9 bilhões, o maior valor para o período nos últimos 13 anos. No acumulado de 2026, o fluxo líquido total já soma US$ 14 bilhões, o maior patamar em nove anos.

Diante desse cenário, o banco manteve sua projeção para o dólar em R$ 4,90 ao final de 2026.

“A projeção reflete a melhora das contas externas, impulsionada pelo maior superávit comercial associado ao petróleo, a posição relativa mais favorável do Brasil entre emergentes no choque atual e o diferencial de juros ainda elevado”, diz o BTG Pactual.

Contudo, o banco alerta que o cenário “pressupõe um compromisso crível com a estabilização fiscal após as eleições e está sujeita a riscos de curto prazo decorrentes do ambiente internacional mais adverso”.

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