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EXPERT XP 2026

O Banco Central só ouve a “Faria Lima”? Galípolo responde às críticas

O painel do presidente do Banco Central na Expert XP contou com uma aula sobre os processos da autoridade monetária e pouca informação sobre o caminho da Selic

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, em apresentação na Expert XP 2026. Imagem: Expert XP/ Reginaldo Martins

Era para ser um painel sobre política monetária. Mas logo de cara o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já disse que ia "desviar" das perguntas sobre a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para 5 de agosto.

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Em sua participação na Expert XP, nesta sexta-feira (24), Galípolo aproveitou o momento para responder às críticas que a autoridade monetária vem recebendo sobre a política de juros do país.

Segundo ele, a premissa de que o BC só "ouve a Faria Lima" — em referência aos agentes do mercado financeiro — e por isso os juros estão no patamar que estão, em 14,25% ao ano, está errada.

Neste momento, Galípolo abriu um power point e começou a listar todas as pesquisas e consultas que o Banco Central faz aos diferentes setores da economia antes de decidir o próximo patamar da taxa Selic.

A pesquisa que ganhou mais destaque foi a Firmus, feita com o meio empresarial, reconhecido como o mais avesso ao atual nível dos juros.

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"A ideia de que a taxa de juros alta é boa para o mercado não se comprova na realidade", disse Galípolo.

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Usando um tom professoral, ele falou sobre como os ativos financeiros perdem valor diante de taxas maiores.

No final de sua apresentação, o presidente do Banco Central colocou um QR Code e o email na tela, pedindo aos convidados que se cadastrem para participar das pesquisas, seja a Focus, com o mercado financeiro, ou a Firmus, com os empresários.

"É super importante para o BC sondar e ouvir os diversos setores da economia. Estamos aqui para dar transparência e encaminhar da melhor forma a política monetária", disse Galípolo.

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O que esperar da Selic

Quando começou a entrevista com o economista-chefe da XP, Caio Megale, Galípolo executou o seu plano de desvio das respostas diretas sobre a taxa Selic.

Ele elencou as três principais preocupações que podem ter pressão inflacionária relevante no curto e médio prazo:

  • a guerra no Oriente Médio e os efeitos no preço do petróleo;
  • o El Niño, a depender dos efeitos que pode ter sobre as safras; e
  • os efeitos da inteligência artificial sobre os empregos e a produtividade.

Para o presidente do BC, a questão da inteligência artificial é a mais predominante nesse momento, porque o petróleo e o El Niño devem ser choques passageiros. Já a IA começa a ter um efeito maior de precificação nos juros futuros dos Estados Unidos.

Por aqui, o momento é de acompanhamento e a visão é de uma economia que mantém uma trajetória que se desenha há meses: atividade econômica e mercado de trabalho resilientes, com expectativas de inflação futuras que seguem desancoradas.

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"Entendemos que o remédio é manter os juros em patamar restritivo por um período ainda mais longo", disse.

Entre cortes e pausas

Neste cenário, Galípolo enfatizou a escolha pela "calibração" ao iniciar os cortes, e não o começo de ciclo de afrouxamento monetário, de fato.

Para ele, os efeitos dos juros altos por tempo prolongado aparecem em diferentes áreas da economia, mas de forma pontual.

Em paralelo, o ambiente geral, no Brasil e no mundo, ainda é de incerteza.

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"Temos que ter humildade na comunicação dos próximos passos e também no uso de dados para a análise. Há uma dificuldade muito grande de projeções futuras neste momento", afirmou o presidente do BC.

Segundo ele, nas últimas reuniões, o Copom tem optado por traçar diversos cenários com os dados coletados e avaliar qual traça a melhor trajetória de encaminhamento da inflação para a meta.

E, tudo indica, que não será um caminho linear, mas de cortes e pausas ao longo do processo.

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