“Se não houver ajuste fiscal, vamos falar de juros de 45%”: CEO da AZ Quest diz que Brasil caminha para uma conta inevitável
Walter Maciel afirma que, sem ajuste fiscal, o país pode entrar em um cenário extremo de juros; gestores também veem um mundo menos favorável para economias endividadas

Até onde os juros podem subir no Brasil? Para Walter Maciel, CEO da AZ Quest, o mercado já começa a discutir um cenário que até pouco tempo atrás parecia impensável.
"Se não houver ajuste fiscal, vamos falar de juros de 30%, 35%, 40%, 45%. Essa conta não fecha", afirmou o gestor, durante painel com gestores multimercados nesta quinta-feira (23).
Embora o fantasma do desequilíbrio fiscal volte com frequência a assombrar o Brasil, o alerta de Maciel não se limita às contas públicas.
Na avaliação dos gestores, o país chega a um momento delicado justamente quando o mundo deixou para trás a era do dinheiro barato. Liquidez abundante, juros próximos de zero e capital farto deram lugar a um ambiente muito menos complacente com economias endividadas.

Para Bruno Marques, gestor de fundos multimercado da XP Asset, muitos investidores ainda tratam a guerra no Oriente Médio, a escalada das tarifas comerciais e a alta do petróleo como choques passageiros.
O resultado, segundo ele, é uma economia global mais sujeita à inflação persistente e, consequentemente, a juros elevados por mais tempo.
Leia Também
Parte dessa mudança passa pela corrida da inteligência artificial. Se antes as gigantes de tecnologia eram grandes geradoras de caixa, hoje disputam volumes inéditos de capital para financiar data centers, semicondutores e infraestrutura.
Na visão do gestor, com os Estados Unidos ainda crescendo acima do potencial, mercado de trabalho aquecido e sucessivos choques de oferta, essa disputa por recursos tende a manter pressão sobre as curvas globais de juros.
A inevitável conta do fiscal no Brasil
Na visão dos gestores, esse novo cenário torna a situação brasileira ainda mais delicada.
Com o dinheiro mais caro no mundo todo, países com contas públicas frágeis passam a pagar um preço cada vez maior para financiar seu crescimento — e é justamente aí que, segundo Marques, está a principal vulnerabilidade do Brasil.
Para o gestor da XP Asset, o avanço recente da economia não deve ser confundido com uma melhora dos fundamentos. Na visão dele, boa parte desse desempenho foi sustentada pelo aumento do gasto público e pela expansão da dívida.
"Nosso crescimento não prova que as coisas estão boas. Ele é consequência do aumento da dívida pública e da expansão dos gastos. Não é estranho crescer com inflação alta e juros elevados. É exatamente o que acontece quando você estimula a economia dessa forma."
Segundo o gestor, políticas expansionistas podem impulsionar a atividade no curto prazo, mas não eliminam a necessidade de ajuste. "Toda medida populista é boa por um tempo. Depois a conta chega."
Segundo Marques, estabilizar a trajetória da dívida pública exigiria hoje um ajuste fiscal equivalente a entre 3% e 4% do PIB. Por isso, a XP Asset mantém uma postura cautelosa em relação aos ativos brasileiros.
Já Maciel acredita que o principal entrave para o problema fiscal do Brasil deixou de ser econômico e passou a ser político. "O Brasil tem solução. E ela é fácil. O difícil é colocar quem precisa fazer o que precisa ser feito."
Na avaliação do CEO da AZ Quest, o aumento do endividamento das famílias, o crescimento das recuperações judiciais e a alta das falências mostram que o atual modelo começa a dar sinais de esgotamento.
"O ajuste fiscal vai acontecer no amor ou na porrada", diz.
Para Maciel, um governo comprometido com a responsabilidade fiscal teria potencial para provocar uma rápida reprecificação dos ativos brasileiros, reduzindo o prêmio de risco e abrindo espaço para juros mais baixos.
Sem esse movimento, porém, o risco é exatamente o oposto: uma probabilidade maior de o país entrar em um cenário de dominância fiscal.
É justamente por isso que o gestor considera as eleições de 2026 um dos principais eventos para os mercados: elas funcionarão como um teste sobre a disposição do próximo governo de enfrentar — ou continuar adiando — o ajuste das contas públicas.
VANTAGEM EM XEQUE
Esta cidade fora de SP virou hub de galpões logísticos. Agora, a Reforma Tributária pode mudar o jogo
23 de outubro de 2026 - 11:15A SERVIÇO DE SUA MAJESTADE
Quem será o próximo James Bond? Quatro nomes estão na disputa final para interpretar o agente 007
23 de outubro de 2026 - 11:09ELEIÇÕES NO MERCADO IMOBILIÁRIO
Minha Casa Minha Vida ou Casa Verde Amarela? Os planos de Lula e Flávio Bolsonaro para o mercado imobiliário e a compra da casa própria
23 de outubro de 2026 - 7:09CARRO-CHEFE ENCALHADO
Mega-Sena acumula novamente e prêmio alcança R$ 230 milhões; 3 bolões com dezenas de pessoas dividem a Lotofácil
23 de outubro de 2026 - 5:47DISPUTA DE REGULADORES
Afinal, quem falhou no caso Banco Master? Ex-presidente da CVM aponta para o Banco Central
22 de outubro de 2026 - 18:45LUZES ACESAS
Volta ao presencial e ‘cheque gordo’ do Itaú (ITUB4) dão nova vida a escritórios de SP — mas nem todos os bairros ganham
22 de outubro de 2026 - 10:09Conteúdo Empiricus
Mercado de opções cresce 79% na B3 em 2026; confira como você também pode aproveitar oportunidades com esse tipo de operação na bolsa
22 de outubro de 2026 - 10:00PRECISA DE CONSERTO
Lotofácil, Quina e outras loterias acumulam e atenção se volta para prêmio de R$ 200 milhões em jogo na Mega-Sena
22 de outubro de 2026 - 5:53MAIS DINHEIRO NA MESA
Governo libera mais R$ 6,49 bilhões para empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA e por conflitos internacionais; veja quem pode acessar o crédito
21 de outubro de 2026 - 10:03NEM POR DECRETO
Mega-Sena acumula de novo e prêmio vai a R$ 200 milhões; Dia de Sorte aproveita para brilhar sozinha
21 de outubro de 2026 - 5:42FINANÇAS
Investimentos liberam mais limite nos cartões de crédito do BTG Pactual. Conheça os requisitos e benefícios das versões Gold, Platinum e Black
20 de outubro de 2026 - 16:00PRÉVIA DO RESULTADO
Receitas em alta e ações de lado: balanço da SpaceX (SPCX) finalmente decolou? Saiba o que esperar
20 de outubro de 2026 - 15:03DESTAQUE NA IMPRENSA
Repórteres do Seu Dinheiro são vencedoras do prêmio +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças
20 de outubro de 2026 - 14:58O MISTÉRIO CONTINUA
Universidade desembolsa R$ 4,5 milhões em nova etapa de busca por avião desaparecido de Amelia Earhart, mas encontra outra coisa
20 de outubro de 2026 - 14:02COMEÇOU BEM
Lotomania desencanta, paga R$ 14 milhões e ofusca prêmio milionário na Lotofácil; Mega-Sena acumulada promete R$ 185 milhões hoje
20 de outubro de 2026 - 5:55REAJUSTADO E ANTECIPADO
Governo antecipa pagamento do Bolsa Família reajustado a poucos dias do tira-teima entre Lula e Flávio Bolsonaro — e coloca a culpa no El Niño
19 de outubro de 2026 - 13:06ABRIU DISTÂNCIA
Mega-Sena acumulada se aproxima dos R$ 200 milhões; Quina pode pagar R$ 51 milhões hoje
19 de outubro de 2026 - 6:48ANOTE NA AGENDA
Temporada de balanços do 3T26 bate à porta: veja as datas das divulgações e das teleconferências
19 de outubro de 2026 - 6:04PARA OS ESTUDANTES
Pé-de-Meia outubro 2026: pagamento da sétima parcela começa hoje; veja as datas de depósito
19 de outubro de 2026 - 5:02BENEFÍCIO NA CONTA