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“Se não houver ajuste fiscal, vamos falar de juros de 45%”: CEO da AZ Quest diz que Brasil caminha para uma conta inevitável

Walter Maciel afirma que, sem ajuste fiscal, o país pode entrar em um cenário extremo de juros; gestores também veem um mundo menos favorável para economias endividadas

Walter Maciel, CEO da AZ Quest.
Walter Maciel, CEO da AZ Quest. - Imagem: Paulo Bareta

Até onde os juros podem subir no Brasil? Para Walter Maciel, CEO da AZ Quest, o mercado já começa a discutir um cenário que até pouco tempo atrás parecia impensável. 

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"Se não houver ajuste fiscal, vamos falar de juros de 30%, 35%, 40%, 45%. Essa conta não fecha", afirmou o gestor, durante painel com gestores multimercados nesta quinta-feira (23). 

Embora o fantasma do desequilíbrio fiscal volte com frequência a assombrar o Brasil, o alerta de Maciel não se limita às contas públicas. 

Na avaliação dos gestores, o país chega a um momento delicado justamente quando o mundo deixou para trás a era do dinheiro barato. Liquidez abundante, juros próximos de zero e capital farto deram lugar a um ambiente muito menos complacente com economias endividadas. 

Walter Maciel, CEO da AZ Quest, e Bruno Marques, gestor de fundos multimercado da XP Asset, em painel na Expert XP 2026. Foto: Paulo Bareta

Para Bruno Marques, gestor de fundos multimercado da XP Asset, muitos investidores ainda tratam a guerra no Oriente Médio, a escalada das tarifas comerciais e a alta do petróleo como choques passageiros. 

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O resultado, segundo ele, é uma economia global mais sujeita à inflação persistente e, consequentemente, a juros elevados por mais tempo. 

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Parte dessa mudança passa pela corrida da inteligência artificial. Se antes as gigantes de tecnologia eram grandes geradoras de caixa, hoje disputam volumes inéditos de capital para financiar data centers, semicondutores e infraestrutura. 

Na visão do gestor, com os Estados Unidos ainda crescendo acima do potencial, mercado de trabalho aquecido e sucessivos choques de oferta, essa disputa por recursos tende a manter pressão sobre as curvas globais de juros. 

A inevitável conta do fiscal no Brasil 

Na visão dos gestores, esse novo cenário torna a situação brasileira ainda mais delicada.  

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Com o dinheiro mais caro no mundo todo, países com contas públicas frágeis passam a pagar um preço cada vez maior para financiar seu crescimento — e é justamente aí que, segundo Marques, está a principal vulnerabilidade do Brasil. 

Para o gestor da XP Asset, o avanço recente da economia não deve ser confundido com uma melhora dos fundamentos. Na visão dele, boa parte desse desempenho foi sustentada pelo aumento do gasto público e pela expansão da dívida. 

"Nosso crescimento não prova que as coisas estão boas. Ele é consequência do aumento da dívida pública e da expansão dos gastos. Não é estranho crescer com inflação alta e juros elevados. É exatamente o que acontece quando você estimula a economia dessa forma." 

Segundo o gestor, políticas expansionistas podem impulsionar a atividade no curto prazo, mas não eliminam a necessidade de ajuste. "Toda medida populista é boa por um tempo. Depois a conta chega." 

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Segundo Marques, estabilizar a trajetória da dívida pública exigiria hoje um ajuste fiscal equivalente a entre 3% e 4% do PIB. Por isso, a XP Asset mantém uma postura cautelosa em relação aos ativos brasileiros. 

Já Maciel acredita que o principal entrave para o problema fiscal do Brasil deixou de ser econômico e passou a ser político. "O Brasil tem solução. E ela é fácil. O difícil é colocar quem precisa fazer o que precisa ser feito." 

Na avaliação do CEO da AZ Quest, o aumento do endividamento das famílias, o crescimento das recuperações judiciais e a alta das falências mostram que o atual modelo começa a dar sinais de esgotamento. 

"O ajuste fiscal vai acontecer no amor ou na porrada", diz. 

Para Maciel, um governo comprometido com a responsabilidade fiscal teria potencial para provocar uma rápida reprecificação dos ativos brasileiros, reduzindo o prêmio de risco e abrindo espaço para juros mais baixos. 

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Sem esse movimento, porém, o risco é exatamente o oposto: uma probabilidade maior de o país entrar em um cenário de dominância fiscal.  

É justamente por isso que o gestor considera as eleições de 2026 um dos principais eventos para os mercados: elas funcionarão como um teste sobre a disposição do próximo governo de enfrentar — ou continuar adiando — o ajuste das contas públicas.

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