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TOUROS E URSOS #280

Por que a inflação não dará trégua e como preparar o seu bolso

Luis Otavio Leal, economista-chefe da G5 Partners, fala sobre a dualidade da inflação brasileira no podcast Touros e Ursos desta semana; confira

A economia brasileira vive uma dicotomia no que diz respeito aos sinais da inflação. No curto prazo, o cenário é de otimismo palpável: o IPCA, índice oficial de inflação, de junho veio abaixo das expectativas e os meses de julho e agosto prometem manter essa tendência.

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Em agosto, o país poderá experimentar o ápice deste cenário, com uma possível deflação mensal, proporcionada pelo "bônus de Itaipu" na conta de luz.

No entanto, trata-se de um alívio temporário. A partir de setembro, o fim do benefício tarifário e a chegada do El Niño — fenômeno climático que historicamente dobra a pressão inflacionária ao encarecer alimentos — devem reverter essa trégua.

No podcast Touros e Ursos desta semana, Luís Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, afirma que, para além dos desafios que a economia brasileira enfrenta em relação aos preços, o maior problema são os mecanismos que fazem com que choques temporários — como os do petróleo e do El Niño — se tornem permanentes.

"A discussão sobre inflação no Brasil passa muito por essa questão da indexação da economia. Enquanto a gente tiver salários indexados à inflação, alcançar a meta de 3% sem um processo recessivo é extremamente difícil", diz Otávio Leal.

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A indexação e o horizonte da Selic

Uma economia indexada significa que muitos ajustes de salários, aluguéis e outros pagamentos são corrigidos periodicamente pela inflação. Por exemplo: em julho uma série de convenções trabalhistas reajustam salários.

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Para isso, essas convenções usam o IPCA de 12 meses. Se naquele mês o IPCA deu um salto por causa do preço do petróleo ou do El Niño, todos os salários vão repercutir um episódio que era para ser pontual.

Isso também vale para correções de aluguéis, aposentadorias, pensões e, o mais grave, gastos públicos.

Otávio Leal afirma que, com um mecanismo como esse, levar a inflação à meta de 3% se torna um problema estrutural. Sem um processo de mudança nesse comportamento, que é um resquício de décadas de inflação alta, o Banco Central se vê obrigado a manter os juros nas alturas.

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A expectativa é de uma inflação mais elevada neste ano, acima de 5%, e também nos próximos — o que os economistas chamam de desancoragem. Com isso, os juros devem encerrar o ano em 14% ao ano, apenas 1 ponto percentual abaixo do encerramento de 2025.

Oportunidade de proteção do patrimônio

Para o investidor pessoa física, Otávio Leal afirma que este cenário de juros persistentemente altos e inflação resiliente abre uma janela estratégica na renda fixa.

Atualmente, títulos públicos (Tesouro IPCA+) que corrigem a inflação estão pagando um prêmio a mais na faixa dos 8% ao ano — um nível considerado muito atrativo para carregar no médio e longo prazo.

"Pensando em perpetuação de patrimônio, se você tiver um horizonte de cinco anos para esse investimento, é uma ótima opção para entrar", diz o gestor. "Não sei quando, mas que essa taxa vai cair, ela vai, porque nenhum país aguenta ser financiado a uma taxa real de 8% ao ano por tanto tempo."

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Touros e ursos da semana

No quadro que dá nome ao podcast, entre os ursos (destaques negativos) da semana os convidados escolheram a Anima (ANIM3), cujas ações despencaram após a aquisição da FMU, uma compra que os agentes financeiros desaprovaram.

Outra escolha foi os Treasurys do Reino Unido, que tiveram um salto nas taxas devido às incertezas fiscais do novo governo que assumiu o Parlamento.

Em contrapartida, entre os touros (destaques positivos) figuraram as bolsas asiáticas, especificamente da Coreia do Sul e de Taiwan, que estão desempenhando bem pelo forte setor de semicondutores.

Confira o episódio completo do Touros e Ursos

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