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As tarifas impostas sobre os produtos brasileiros devem ter um efeito menor que o esperado, na visão dos economistas do Itaú; o que causa cautela agora?

Ainda que o novo tarifaço anunciado por Donald Trump possa assustar o mercado, o Itaú enxerga que, para a economia brasileira, o impacto deve ser bem menor que o esperado.
Anunciadas na semana passada, as novas tarifas de 25% sobre os produtos brasileiros devem entrar em vigor nesta quarta-feira (22). Mas, se o investidor ainda se lembra do choque dos anúncios de julho do ano passado, pode ficar mais tranquilo.
Segundo os economistas Pedro Schneider e Julia Gottlieb, as tarifas impostas pelos Estados Unidos geram menos preocupações do que o tarifaço norte-americano anterior, além das diversas isenções.
As novas tarifas de 25% são consequência de uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que acusa o Brasil de práticas prejudiciais ao comércio norte-americano.
Além disso, os Estados Unidos também devem anunciar, nos próximos dias, tarifas de até 12,5% para países investigados por trabalho forçado — e o Brasil está na lista.
Os economistas do Itaú defendem que os efeitos não geram tanto receio por dois principais motivos.
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Um deles é que, segundo Schneider, o Brasil tem demonstrado capacidade em redirecionar as exportações para outros mercados e não tem tanta dependência comercial com os Estados Unidos.
Já o outro fator é o nível de tarifas. Segundo Gottlieb, considerando as tarifas de 25% e mesmo a adicional de 12,5%, com as devidas isenções, a cobrança efetiva média deve ficar em 20% sobre produtos vindos do Brasil.
No segundo semestre do ano passado, o percentual chegou a 30%. “Houve uma queda relevante das exportações para os Estados Unidos, e o fluxo foi realocado para outros destinos”, destaca.
Portanto, para o Itaú, esse não deve ser um tema de preocupação do ponto de vista econômico.
Enquanto as tarifas se mostram menos relevantes que o esperado anteriormente, o Brasil ainda não está livre das influências da economia norte-americana. As incertezas geopolíticas geradas pelo conflito entre os Estados Unidos e o Irã seguem causando cautela para o Itaú.
"Em um ambiente de visibilidade muito baixa, é natural tomar menos risco. É como estar em uma estrada com muita neblina: precisa reduzir a velocidade", afirma Schneider.
Segundo o economista, as tensões no Oriente Médio geram um ambiente em que é difícil prever os preços do barril de petróleo.
Apesar de ter uma projeção de US$ 80 por barril neste ano, o Itaú destaca que tanto uma escalada do conflito quanto uma cessar-fogo mais definitivo podem provocar movimentos bruscos nos preços da commodity.
Para o Brasil, o cenário de preços altos do petróleo levou os economistas e elevarem as expectativas de inflação neste ano. O Itaú espera que o IPCA acumulado de 2026 chegue a 5,4%. No início do ano, a projeção era de 3,8%.
“Boa parte da revisão é por causa do petróleo. De 1,6 ponto percentual que aumentou, 1,1 foi efeito do petróleo”, explica Gottlieb.
Com essa projeção de inflação acima da meta do Banco Central, a estimativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) só tenha espaço para mais um corte da taxa Selic em 2026, de 0,25 ponto percentual em agosto, que deve levar os juros a 14% ao ano.
Outro fator que deve gerar mais incerteza no mercado internacional e, por consequência, no brasileiro, é a projeção de alta de juros nos Estados Unidos. Segundo o banco, o Federal Reserve (Fed) deve realizar dois aumentos em 2026, em setembro e outubro.
Com os juros nos EUA mais altos, a expectativa é que o dólar fique mais forte no mercado global e limite a valorização do real. A estimativa é de que a moeda brasileira encerre o ano em R$ 5,30 — nesta terça-feira (21), está cotada a R$ 5,09.
Embora o banco veja a economia brasileira relativamente bem-posicionada em comparação a outros emergentes, o cenário doméstico também exige atenção.
Os economistas esperam mais incertezas e volatilidade nos próximos meses devido à corrida eleitoral pela presidência em outubro, que pode pressionar principalmente o câmbio.
Além disso, já de olho em 2027, Schneider alerta sobre os problemas causados pelo desequilíbrio fiscal. Para o economista, o próximo governo, independentemente de quem vencer as eleições, precisará discutir controle dos gastos públicos.
"A economia está crescendo, mas o gasto público também continua crescendo bastante. Em algum momento, essa conta precisa fechar", disse.
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