Desglobalização à vista? Economista alerta para nova “ordem mundial” com era Trump 2.0
Nova globalização será responsável por remodelar estruturalmente as próximas décadas, diz Matheus Spiess, economista pelo Insper, no programa Touros e Ursos

Em seu discurso de posse, ocorrido em 20 de janeiro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou aos quatros ventos as mudanças que estaria disposto a fazer para perseguir o lema “Make America Great Again” (em tradução livre, Tornar os Estados Unidos Grande Novamente).
Um ano após seu retorno à Casa Branca, ficou claro — como diz um velho ditado brasileiro — que Donald Trump estaria disposto a abrir mão dos “anéis” (a estrutura já estabelecida), se necessário, para manter os “dedos”: a hegemonia dos Estados Unidos.
É diante desse cenário que o economista pelo Insper e analista da Empiricus, Matheus Spiess, fala sobre o surgimento de um novo tipo de globalização, mais regional, que será responsável por remodelar, estruturalmente, as próximas décadas.
“Estamos vivendo uma mudança de ordenamento internacional. O que a gente viveu depois da segunda guerra mundial com a Pax americana, hiperglobalização e realidade de livre comércio estão mudando”, afirma o economista no novo episódio do programa Touros e Ursos.
DESGLOBALIZAÇÃO A CAMINHO? ENTENDA A IDEIA DO ECONOMISTA NO TOUROS E URSOS
Spiess explica que o contorno “errático” que Trump trouxe à Casa Branca é um sintoma de um novo mundo em formação — mais conflituoso e menos previsível. Ele alerta que essa “perversão” da dinâmica internacional formal, com o rompimento da tradição de alianças históricas, pode ser problemática no longo prazo.
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Ao abordar outros temas, o economista fala sobre o movimento de desdolarização global iniciado após a postura mais radical adotada no segundo governo Trump.
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Segundo Spiess, se antes os investidores destinavam 100% dos recursos ao mercado dos Estados Unidos, hoje buscam diversificar os portfólios como forma de proteção contra a volatilidade. Ao mesmo tempo, o analista pondera que não acredita em uma desdolarização absoluta.
Agora, se por um lado o enfraquecimento do dólar cria um paradoxo com a promessa de Trump de devolver uma “era de ouro” aos Estados Unidos, por outro, Spiess aponta que esse movimento já fazia parte dos planos do republicano.
TRUMP QUIS DERRUBAR O DÓLAR? CONFIRA EXPLICAÇÃO COMPLETA DE SPIESS NO TOUROS E URSOS
“É verdade que eles queriam desvalorizar o dólar, mas em grande parte porque fazia parte de uma estratégia de reindustrialização dos Estados Unidos”, explica Spiess.
No entanto, esse amadurecimento industrial não ocorre do dia para a noite, sendo um processo que pode levar anos para se concretizar. Na prática, portanto, o dólar mais fraco acaba se tornando um “peso morto” para a economia do país, destaca o analista.
Galípolo e Powell: as consequências da interferência política na credibilidade monetária
Outra camada de tensão adicionada por Trump ao segundo governo foram as reiteradas ameaças feitas ao presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, em relação à condução da política monetária no país.
Sobre isso, Spiess afirma que a ameaça de interferência política no Fed é prejudicial, uma vez que sua consequência prática é a perda da eficácia da política monetária.
Ao citar o exemplo do Brasil, o economista lembra o difícil trabalho do indicado de Lula, Gabriel Galípolo, que elevou a taxa de juros a um patamar restritivo (15%) por um período prolongado para recuperar a credibilidade diante do mercado.
“Quando você tira a eficácia da política monetária, você faz com que o Banco Central precise atuar mais que o suficiente para alcançar o mesmo nível de resultado anterior”, explica Spiess.
Na prática, trata-se de um paradoxo: para alcançar juros mais baixos no futuro, o banqueiro central precisa estar disposto a elevar os juros o quanto for necessário no presente, já que a credibilidade faz parte essencial do seu trabalho.
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No novo episódio do Touros e Ursos, os jornalistas Vinícius Pinheiro e Julia Wiltgen conversam com Matheus Spiess, analista da Empiricus, sobre os principais acontecimentos que marcaram o primeiro ano do novo governo do republicano.
Além disso, eles buscam responder outras perguntas essenciais: o que vem pela frente? E onde o Brasil entra nessa história? Confira o episódio completo do Touros e Ursos, disponível abaixo:
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