Caso Master: o mapa das conexões entre Nelson Tanure e o banco de Daniel Vorcaro — e o que o empresário nega
Entenda os pontos sob investigação e o que o empresário diz sobre sua relação com o banco

As férias de Nelson Tanure terminaram antes do previsto. Na manhã de quarta-feira (14), o empresário foi alvo de uma operação da Polícia Federal no âmbito do Caso Master — investigação que apura supostos desvios bilionários no banco de Daniel Vorcaro.
A investigação se concentra na possibilidade de Tanure ter recebido recursos desviados do Banco Master e atuado como sócio oculto do banqueiro. Se confirmada, essa hipótese colocaria o polêmico empresário em uma posição central na engrenagem financeira investigada pelas autoridades.
Ao tentar embarcar em um voo doméstico, Tanure foi alvo de busca e apreensão autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Seu telefone celular foi recolhido pelos agentes, e, desde então, o empresário passou a se comunicar apenas por meio de sua assessoria de imprensa, sem contato direto com a redação até o momento.
No dia seguinte, o investidor quebrou o silêncio. Em um pronunciamento publicado no LinkedIn, Tanure decidiu falar publicamente sobre o episódio.
"Fui surpreendido com um pedido de “busca pessoal”, emitido pelo STF [Supremo Tribunal Federal], que atendi com respeito e prontidão. Na ocasião, meu celular foi recolhido. Cena inusitada para mim, nessa quadra da minha vida, com mais de 50 anos de vida empresarial nos mais diversos campos da economia brasileira”, escreveu.
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Segundo o empresário, o texto foi direcionado “aos que realmente me conhecem, acompanham, que fazem ou fizeram negócios comigo ou com empresas das quais participo”. Na mensagem, Tanure procurou rebater ponto a ponto as suspeitas levantadas pela investigação.
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“Tenho fé, e plena confiança na seriedade das investigações, de que todos os fatos relacionados a mim serão devidamente esclarecidos e de que ficará comprovado que minhas relações com o extinto banco foram integralmente lícitas, ainda que, infelizmente, tenham nos acarretado bastantes prejuízos. Sigo resiliente, com a serenidade de quem sempre conduziu seus negócios com responsabilidade e trabalho, investindo na recuperação de empresas que geram valor para o Brasil”, escreveu o empresário.
Mas o que diz Nelson Tanure — e o que está efetivamente sob investigação? O Seu Dinheiro trouxe todos os detalhes (e contrapontos) nesta matéria.
Nelson Tanure é controlador oculto do Banco Master?
No centro das suspeitas está a hipótese de que Tanure teria atuado como uma espécie de controlador invisível do Banco Master.
Ao longo dos anos, o investidor sempre negou qualquer participação societária ou influência na instituição, ainda que reconheça relações comerciais com o banco.
As investigações mais recentes da PF sinalizam que Daniel Vorcaro teria utilizado uma cadeia de fundos para realizar operações fraudulentas e desviar recursos do Master por meio da gestora Reag Investimentos — estrutura que, segundo os investigadores, também teria sido utilizada por Tanure.
De acordo com a imprensa especializada, o empresário também teria recebido dinheiro desviado do banco através das operações dos empréstimos fraudulentos e aportado capital no Master — cerca de R$ 2,5 bilhões desde 2020. Para a colunista Malu Gaspar, d’O Globo, isso poderia ter rendido ao empresário o controle da instituição — hipótese que ele nega frequentemente.
Não é a primeira vez que esse fio é puxado. Em 2024, a Polícia Federal abriu um inquérito, a pedido do Ministério Público Federal, para apurar se Tanure seria o controlador de fato do Banco Master, após denúncias da gestora Esh Capital.
À época, o MPF apontou indícios de uso de fundos e empresas interpostas para ocultar o controle societário e a participação de Tanure nas empresas em que investe. Essa estratégia seria baseada em fundos que aplicam em outros fundos ou empresas — e o beneficiário final só é revelado com o questionamento de autoridades.
No novo pronunciamento, Tanure afirmou que “NÃO fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente, inclusive por meio de opções, instrumentos financeiros, debêntures conversíveis em ações ou quaisquer mecanismos equivalentes”.
Qual foi, afinal, a relação entre Nelson Tanure e o Banco Master?
Embora essa teia de fios praticamente invisíveis entre o Banco Master, o empresário, o mercado financeiro e diversas empresas — muitas delas listadas em bolsa — esteja na mira das autoridades, Tanure argumenta que sua relação com o banco sempre foi comercial e dentro da legalidade.
“Mantivemos com o referido banco relações estritamente comerciais, sempre na condição de cliente ou aplicador, assim como fazemos com outras instituições financeiras no Brasil e no exterior”, disse o empresário, em nota.
Segundo a nota, essas relações envolveram aplicações financeiras, operações de crédito, gestão de fundos e aquisições de participações societárias, sem qualquer ingerência na gestão do banco ou conhecimento das demais operações internas da instituição.
A teia que liga o Banco Master a outros alvos da PF
O nome de Tanure aparece também em polêmicas paralelas envolvendo a Reag Investimentos. Vale lembrar que a relação entre o banco de Daniel Vorcaro e a gestora independente ficou sob escrutínio nesta semana.
Segundo a investigação, o Banco Central identificou que recursos desviados do Master circularam por fundos ligados à gestora — já investigada na Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro para o crime organizado — antes de chegarem a empresas de fachada supostamente associadas a Tanure.
Há uma coincidência: o empresário até mesmo compartilha o mesmo sobrenome pouco usual — pertencente a apenas 0,0005% da população, segundo o IBGE — do CEO da Reag (hoje conhecida como Arandu Investimentos), Dario Tanure.
Apesar disso, Nelson Tanure afirma não ter qualquer relação de parentesco com o executivo. Também nega conhecimento de outras relações do Banco Master com alvos da PF.
“Jamais tivemos participação, ou sequer conhecimento, de eventuais relações mantidas pelo extinto Banco Master com terceiros, sejam eles Reag, BRB, Fictor ou outras instituições financeiras, fundos de pensão, fundos árabes, RPPA, entes públicos, políticos ou quaisquer outros agentes baseados em Brasília”, afirmou.
De onde vêm os recursos investidos por Nelson Tanure?
Em outro trecho da nota, o empresário buscou afastar suspeitas sobre a origem de seu patrimônio. Segundo ele, todos os recursos investidos têm origem em sua trajetória empresarial, construída ao longo de décadas.
“Os recursos financeiros que investimos, com resultados positivos ou não, têm origem exclusivamente em nossa trajetória empresarial, que gerou e segue gerando milhares de empregos e riqueza para a sociedade brasileira, e no crédito construído ao longo de décadas de atuação responsável no mercado”, disse.
O fim de um relacionamento financeiro?
Ao passo em que as investigações avançam, o longo e polêmico relacionamento entre Tanure e o Master parece estar esmaecendo, e o empresário diz que já vinha reduzindo gradualmente a exposição à instituição “há bastante tempo”.
"Neste momento, os valores eventualmente remanescentes correspondem a perdas suportáveis, próprias de operações de tomadores de risco. Permaneço, como sempre estive, à disposição das autoridades e da Justiça para cooperar, demonstrando a correção da minha conduta”.
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