O segredo do Brasil não está só no Pix: estas são as outras engrenagens que transformaram o país em referência global em finanças
Em painel no Web Summit Rio 2026, CEOs da Qi Tech e da Jeeves apontaram Open Finance, duplicatas eletrônicas, combate a fraudes e pagamentos com IA como os próximos motores da inovação financeira brasileira

No Web Summit Rio 2026, o Pix é um dos grandes protagonistas. A ferramenta de pagamentos é tratada como referência entre grandes nomes internacionais que passaram pelos palcos do evento. Apesar de receber toda a atenção, o ecossistema financeiro que faz o Brasil ser referência para o mundo vai muito além da transferência instantânea.
Essa foi uma das principais mensagens de um painel que reuniu Emilio Moreira, cofundador e CEO da Qi Tech — empresa de infraestrutura financeira e banking as a service — e Dileep Thazhmon, fundador e CEO da Jeeves, plataforma global de gestão de gastos corporativos e pagamentos para empresas.
Ao discutir o futuro das fintechs na América Latina, os executivos defenderam que um conjunto de iniciativas lideradas pelo Banco Central transformaram a infraestrutura financeira do país nos últimos anos.
- Leia também: “O Pix é um assassino de monopólios”, diz CEO do Web Summit, que vê Brasil liderando revolução global
Muito além do Pix, como o Brasil virou vanguarda nos meios de pagamento
Entre elas está o Open Finance, que permite o compartilhamento de dados entre instituições financeiras e facilita processos como análise de crédito e abertura de contas.
"Isso é vital para reduzir o atrito na abertura de contas, permitindo usar o onboarding de um banco em outro. É um projeto que ainda está em implementação e adoção, mas é muito importante para análise de crédito, por exemplo", disse Moreira.
Segundo a dupla de especialistas, o Open Finance tem potencial para ampliar a concorrência entre instituições financeiras ao reduzir barreiras para a migração de clientes e tornar mais eficiente a concessão de crédito.
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Com mais informações disponíveis sobre o histórico financeiro dos usuários, bancos e fintechs conseguem realizar análises de risco mais precisas e simplificar processos que antes exigiam o preenchimento repetido de formulários e o envio de documentos.
Além disso, tem as chamadas duplicatas eletrônicas, mecanismo que busca digitalizar e registrar recebíveis utilizados como garantia em operações de crédito. Na avaliação de Moreira, a iniciativa tende a fortalecer o mercado ao aumentar a segurança jurídica das operações e reduzir riscos para credores.
Outro ponto que coloca nosso sistema em destaque é a proteção. Por exemplo, a ferramenta do BC Protege +, que protege o usuário de golpes ao impedir que sejam abertas contas em nome de terceiros.
Banco Central "apolítico" ajuda
Por trás de tudo isso, segundo os painelistas, está a atuação do Banco Central brasileiro. Na avaliação deles, a autoridade monetária brasileira conseguiu combinar inovação e segurança em uma velocidade rara quando comparada a outros países.
"O Banco Central aqui é um pouco mais apolítico do que em outros países, o que significa que algumas decisões sobre infraestrutura não são tomadas de acordo com a direção ideológica de um governo", disse.
Segundo o fundador da Jeeves, o sucesso do Pix também está relacionado à capacidade de o regulador enxergar tendências antes de elas se tornarem evidentes para o mercado.
O próximo passo: dinheiro programável e agentes de IA
Os executivos também enxergam uma nova fronteira para os pagamentos digitais: os chamados pagamentos agênticos, realizados por inteligência artificial que tomam atitudes sozinhas.
A ideia é que, uma vez digitalizado, o dinheiro se torne programável, permitindo que sistemas automatizados realizem compras e pagamentos em nome dos usuários.
Thazhmon afirmou que sua empresa já utiliza soluções semelhantes em operações corporativas. Um dos exemplos citados foi a criação automática de cartões virtuais para transações específicas. Após a compra, o cartão deixa de existir e as informações são automaticamente reconciliadas com os sistemas financeiros da empresa.
Segundo ele, companhias do setor de turismo já utilizam a ferramenta para emitir milhares de cartões todos os meses.
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